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quarta-feira, 26 de junho de 2019

CBF não interromperá o calendário para outra Copa América em 2020. Os clubes precisam agir


Segundo o site Globo Esporte, em reportagem de Martín Fernandez, o Campeonato Brasileiro de 2020 não será interrompido para a realização de mais uma edição da Copa América (que raio de competição insuportável todo ano?!).

O torneio será realizado entre junho e julho com sede na Argentina e Colômbia.

Ao contrário do que prometeu no discurso de posse, confira aqui, quando na ocasião, o presidente eleito da CBF, Rogério Caboclo, afirmou que teriam mudanças no calendário do futebol brasileiro, e que em 2020 as Datas Fifa estariam livres no calendário das competições nacionais.

O calendário do ano que vem só ficará pronto no segundo semestre, mas o cenário para que não tenha interrupção é inevitável.

É hora dos clubes tomarem as rédeas e impedirem essa maluquice, especialmente quem será o mais atingido: o Flamengo, através do seu presidente, Rodolfo Landim, que inclusive está sendo o chefe da delegação brasileira na atual Copa América.

Que a CBF não liga a mínima para seu principal produto é fato, por outro lado, não adianta depois os clubes reclamarem  de que estão perdendo seus principais jogadores durante o Campeonato Brasileiro.

Lembrando que a Conmebol irá paralisar suas competições em Datas Fifa.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

CBF anuncia mudanças no calendário do futebol brasileiro para 2020


Nessa terça-feira o novo presidente da CBF, Rogério Caboclo, tomou posse no seu novo cargo, em evento realizado na sede da Confederação, no Rio de Janeiro.

Em discurso, o dirigente destacou mudanças no calendário do futebol brasileiro e prometeu que a partir de 2020, as Datas Fifa estarão livres no calendário das competições nacionais.

Também anunciou que os Estaduais terão 16 datas, contra 18 da atual temporada.

Ainda de relevância, também foi criada a Supercopa, que irá unir o campeão do Campeonato Brasileiro com o campeão da Copa do Brasil.

O restante: conselhos de craques, CTs, novo diretor de desenvolvimento...tudo irrelevante para o torcedor brasileiro que curte seu clube.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

TV Globo aumenta premiação para o Campeonato Brasileiro


Foi divulgado nessa quinta-feira que o valor da premiação para o Campeonato Brasileiro desse ano aumentou em relação a 2018.

Os novos valores valem apenas para os clubes que possuem contrato com a TV Globo em tv aberta, fechada e PPV.

Campeão – de R$ 18,1 milhões, em 2018, para R$ 33 milhões
2º lugar – de R$ 11,4 milhões, em 2018,  para R$ 31,35 milhões
3º lugar – de R$ 7,75 milhões, em 2018,  a R$ 29,7 milhões
4º lugar - de R$ 5,6 milhões, em 2018,  para R$ 28 milhões
5º lugar – de R$ 4,1 milhões, em 2018,  para R$ 26,4 milhões
6º lugar – de R$ 2,8 milhões, em 2018,  para R$ 24,75 milhões
7º lugar – de R$ 2,4 milhões, em 2018,  para R$ 23,1 milhões
8º lugar – de R$ 2,1 milhões, em 2018,  para R$ 21,45 milhões

Ao campeão da Copa do Brasil o valor da premiação é o dobro. No entanto, tem uma explicação: a TV Globo não paga aos clubes pelos direitos de transmissão dessa competição, então compensa na premiação.

Confira os cinco primeiros jogos do Flamengo na competição:

1ª rodada (27/4) - Sábado
21h - Flamengo x Cruzeiro
Maracanã

2ª rodada (1/5) - Quarta
16h - Internacional x Flamengo
Beira-Rio

3ª rodada (5/5) - Domingo
16h - São Paulo x Flamengo
Morumbi

4ª rodada (12/5) - Domingo
11h - Flamengo x Chapecoense
Maracanã

5ª rodada (18/5) - Sábado
19h - Atlético-MG x Flamengo
Independência

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Com normas rígidas para obtenção de certificado para clubes formadores, CBF não exigia alvará de funcionamento

Em 2001 a CBF regulamentou uma certificação para os clubes formadores. Na Resolução 001/2001 foram determinados cinco requisitos básicos para tal documentação.

No site da CBF consta a relação dos clubes que possuem o certificado - com validade de dois anos e outros com validade de um ano.

O Flamengo é um dos times, conforme documento apresentado no sábado, na Gávea, com validade até abril desse ano.


Com esse certificado, os clubes ficam protegidos em relação aos atletas de 14 a 16 anos, que ainda não podem assinar um contrato profissional. Dessa forma, caso sejam negociados, o clube formador terá direito à indenização.

As regras para a obtenção desse certificação é rígida e apenas 6% dos clubes no Brasil possuem.

Confira as exigências:

I – apresentar relação dos técnicos e preparadores físicos responsáveis pela orientação e monitoramento das respectivas categorias de base, com habilitação para o exercício da função; 
II – comprovar a participação em competição oficial da categoria; 
III – apresentar programa de treinamento, detalhando responsáveis, objetivos, horários e atividades, compatíveis com a faixa etária, atividade escolar dos atletas e período de competição; 
IV – proporcionar assistência educacional que permita ao atleta frequentar curso em horários compatíveis com as atividades de formação, em qualquer nível (alfabetização, ensino fundamental, médio, superior, ou ainda curso técnico, profissionalizante, de capacitação ou de idiomas) mediante matrícula em estabelecimento de ensino regular ou através de professores contratados, mantendo controle sobre a freqüência e o aproveitamento escolar do atleta; 
V – proporcionar assistência médica aos atletas, através de profissional especializado contratado, terceirizado ou mediante celebração comprovada de convênio com instituições públicas ou privadas de modo a permitir o seguinte: 
a) avaliação pré-participação realizada necessariamente por médico com especialização, ou experiência, em medicina do esporte, cardiologia ou clínica geral, e ainda por ortopedista, a qual deverá seguir as diretrizes da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, com vistas à prevenção de morte súbita;  
b) exames complementares mínimos tais como: hemograma completo, glicemia, teste de afoiçamento de hemácias, parasitológico de fezes, urina (EAS), ECG basal e RX de tórax, assim como outros necessários para diagnóstico do estado de saúde do atleta;  
c) calendário de vacinação atualizado (calendário oficial do Ministério da Saúde) e realização de exames periódicos anuais;  
d) manter departamento médico dotado de área física e instalações compatíveis e apropriadas, equipado com material e medicamentos para atendimento básico e primeiros socorros, sob a responsabilidade de um médico e contando ainda, nos horários de funcionamento, com auxiliar de enfermagem e médico;  
e) manter prontuário médico individual para cada atleta, devidamente atualizado, além dos registro diário dos atendimentos;  
f) garantir meios para diagnóstico e tratamento de patologias, intercorrências e lesões;  
g) dispor de centro de reabilitação, próprio ou conveniado, sob a responsabilidade de profissional habilitado e inscrito do CREFITO, com o mínimo de material e equipamentos que permitam a recuperação de lesões comuns; 
 h) comprovar que propicia assistência psicológica, por profissional habilitado e inscrito no CRP, mediante convênio com instituições públicas ou particulares, ou concurso de profissional contratado, que destine pelo menos (4) horas semanais ao clube;  
 i) comprovar que disponha de meios que permitam, de forma constante e contínua, proporcionar assistência odontológica aos atletas em formação através de medidas preventivas e terapêuticas, tanto por meio de serviços terceirizados, próprios ou conveniados;  
 j) sem prejuízo da atividade esportiva, facultar a visita de familiares do atleta, a qualquer tempo, e proporcionar, às suas expensas, ao final de cada temporada oficial (assim determinado no calendário de cada entidade de administração), meios para que o atleta possa viajar à sua cidade de origem, quando for o caso, com o objetivo de conviver com seus familiares até a data marcada para sua reapresentação, por força de competição ou início de próxima temporada;  
k) garantir aos atletas em formação e que sejam residentes no clube,  mínimo de (3) refeições diárias (desjejum, almoço e jantar), planejadas por nutricionista e servidas no clube ou fora dele, sendo exigível local adequado e em boas condições de higiene e salubridade. Aos atletas em formação não residentes no clube será assegurado lanche em cada período de treinamento de que participar;  
l) assegurar transporte para treinos e jogos, às expensas do clube e realizado pelos meios permitidos na legislação;  
m) comprovar o pagamento mensal de auxílio financeiro para o atleta em formação, sob a forma de bolsa de aprendizagem, livremente pactuada mediante contrato formal, sem que se constitua vínculo empregatício entre as partes;  
n) apresentar plano de contingência médica que garanta, nos locais de treinamento e jogos, pessoal, material e equipamentos de primeiros socorros, atendimento imediato e meios para o pronto transporte da vítima, quando necessário;  
o) comprovar a existência, às suas expensas, de um seguro de acidentes pessoais, para cobrir as atividades do atleta em formação;  
p) manter alojamento com área física proporcional ao número de residentes, dotado de ventilação e iluminação natural, em boas condições de habitabilidade, higiene e salubridade, com mobiliário individual, assim como e da mesma forma, banheiros e área de lazer;  
q) fornecer aos atletas uniformes de treino e jogo, além de roupa de cama, mesa e banho, material de limpeza e higiene pessoal.

A resolução da CBF ainda diz que a Federação local será responsável por um parecer para cientificar que o clube postulante tem ou não as condições exigidas para o recebimento do certificado.

Nas regras, a única parte que diz respeito ao alojamento é ter um local adequado e em boas condições de higiene e salubridade. Não exige em momento algum a necessidade de alvará da prefeitura ou licença do Corpo de Bombeiro.

Mais uma vez fica comprovado que não havia negligência, condições precárias ou desumanas nas instalações das categorias de base do Flamengo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Barbieri protesta contra calendário, que já está praticamente pronto para 2019, sem mudanças

No sábado o treinador Rubro Negro desabafou contra a CBF, por não organizar o calendário de forma que os clubes não sejam desfalcados em datas-FIFA.

Confira na íntegra a fala de Barbieri:

"Um clube tem que fretar um avião para trazer seus jogadores (Cuéllar e Paquetá) por causa de um calendário mal elaborado. Considero absurdo a CBF marcar jogos decisivos em data de convocação da seleção. Entendo que o treinador tem a prerrogativa de levar os melhores. Nada sobre isso. Agora, o calendário é muito mal elaborado. Gostaria que alguém pudesse me explicar por que que a CBF diz que não pode alterar data do jogo do dia 12 por que vai prejudicar o torcedor e por isso e por aquilo, e altera um bando de datas no decorrer do ano? Como alterou, por exemplo, o jogo contra o Atlético-MG, que estava marcado para um sábado e passou para domingo. Constantemente passa jogo de domingo para sábado e não avisa ninguém. Nessa hora o torcedor não tem peso, não tem valor? Na hora que precisa dela (CBF) para tomar atitude condizente com o campeonato que ela promove, que ela deveria prezar o campeonato e valorizar, possibilitando que as equipes possam usar o que tem de melhor, ela (CBF) está sendo contraditória e incoerente".

Para 2019, se não quiserem que os problemas se repitam, é hora de correr e se posicionarem de forma clara, pois o calendário da próxima temporada já está praticamente pronto e novamente os clubes serão os grandes prejudicados.

Para a disputa da Copa América, dias 14 e 30 de junho, o Campeonato Brasileiro será interrompido, porém, nas datas-Fifas: 17 a 29 de março, 3 a 11 de setembro, 8 a 16 de outubro e 12 a 20 de novembro, a CBF manterá normalmente todas as competições organizadas por ela.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Proibida a venda de mando de campo para o Brasileiro: ganha o Flamengo tecnicamente, mas terá problemas financeiros


Por decisão dos clubes, a CBF anunciou nesta segunda-feira a proibição da venda de mando de campo para o próximo Campeonato Brasileiro.

É uma decisão radical, pois há diferença entre vender o mando de campo e exercer o mando de campo fora de casa, como o Flamengo fez nas vezes em que jogou no Pacaembu.

É fato que impede o desequilíbrio técnico, por exemplo: o América-MG ter jogado em Londrina contra o Palmeiras, ou o Santos jogando em Brasília contra o Flamengo. Entretanto, poderia ter permitido pelo menos dois ou três jogos fora do estado de origem.

Em que pese a falta de estádio no Rio, sempre fui particularmente contra o Rubro Negro ter o mando de campo e precisar ter de viajar para exercê-lo. No próprio discurso do Zé Ricardo ao final do passado foi levantada a bola do desgaste por conta das excessivas viagens.

Ganha o Flamengo no ponto de vista técnico por atuar no Rio, mas financeiramente o clube terá problemas, visto que a receita de bilheteria prevista no orçamento seria de R$ 61 milhões e terá à disposição a Arena da Ilha com capacidade para 21 mil torcedores, o que na prática deve virar 16, 17 mil de torcedores Rubro Negros, sem contar as séries de indefinições em torno do Maracanã. Em 2016 o orçamento previa R$ 50 milhões em bilheteria e mesmo com as viagens conseguiu apenas R$ 32 milhões.


CAPACIDADE

A capacidade mínima dos estádios foi reduzida de 15 mil para 12 mil torcedores. Segundo a CBF, os estádios terão“avaliações qualitativas e minuciosas” em itens como gramado, placar, vestiários e cabines de imprensa.


DESFALQUES

Os convocados para amistosos em junho e novembro, duas datas-Fifa, ficarão de fora dos seguintes confrontos: Sport (f), Avaí (f), Ponte (c), Cruzeiro (c), Palmeiras (f), Coritiba (f).

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sem ter como se opor, CBF e FERJ aceitam a Primeira Liga em 2016


Nesta quinta-feira CBF e a FERJ divulgaram nota acatando a realização da Primeira Liga ainda em 2016. Com isso, as bravatas da Federação Carioca, ameaçando bloquear as cotas de televisão de  Flamengo e Fluminense, além de impedir a dupla de disputar as divisões de base do Estadual caem por terra.

A guerra foi vencida, mas a batalha ainda não.

O Flamengo não pode aceitar condições impostas pela FERJ como se esta tivesse alguma autoridade e poder coercitivo, como o tal critério técnico para jogar a Liga em 2017 e muito menos aceitá-la para o segundo semestre.

Primeiro que a Liga foi criada e aberta para todos os clubes e não baseando em critérios técnicos para indicação dos participantes desta competição, segundo que ela foi criada justamente para ser uma alternativa aos falidos e longos campeonatos estaduais. Não tem que estar atrelada aos regionais.

Evidente que a CBF viu que era batalha perdida e agora tenta atrair esses clubes para baixo de sua jurisdição, forçando a cumprir o calendário e impondo toda sua estrutura: Comissão de Arbitragem e STJD. É preciso que os clubes continuem firmes e trabalhem de forma unida e autônoma.

Esse é o objetivo da Liga: tirar a interferência da CBF e Federações da organização dos campeonatos. Essa primeira guerra foi vencida.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Com exceção do Flamengo, CBF, clubes e Federações não querem a obrigatoriedade de apresentar as CND antes dos campeonatos

O novo presidente da CBF assume hoje com uma missão: derrubar a MP do governo que refinancia as dívidas dos clubes com contrapartidas de gestão.

Apesar do Ministro dos Esportes George Hilton, em sessão ontem no Senado, ter afirmado que o texto da Medida Provisória não sofrerá alterações em seus princípios, clubes, Federação e a CBF se reuniram e preparam um documento com oito razões para modificar a MP, é o que informa o jornal O Globo dessa quinta.

A exceção é o Flamengo, que inclusive vem sendo criticado por ser favorável às contrapartidas.

Um dos itens de contestação é a exigência da apresentação das Certidões Negativas de Débitos antes das competições. Segundo o vice-presidente financeiro da CBF, Rogério Caboclo, a obtenção das CND pode demorar dois anos e os clubes não poderiam ficar esse período sem competir.

É uma piada, é uma afronta. O Flamengo, então maior devedor, conseguiu suas certidões em praticamente três meses de nova gestão: 03 de abril de 2013.

O desafio nem é gastar mais do que arrecada, inicialmente o clube que deseja as certidões precisa congelar ou cortar seus gastos e aumentar sua receita. O Rubro Negro agiu dessa forma: repetiu praticamente as mesmas despesas em 2013 e 2014: R$ 232 milhões e R$ 229 milhões, respectivamente. Controlando as despesas, subiu em 29% sua receita e hoje tem a maior do Brasil, superando os paulistas.

O Flamengo é a prova viva de que é possível. Muitos podem dizer: "mas com essa receita é moleza", mas esquecem que a dívida chegou a ser a maior entre os clubes, sem contar o nível de pressão que a Gávea atrai para enxugar os gastos.

Se a MP cair, que o governo execute via Receita Federal ou PGFN todas as dívidas fiscais dos clubes. O Rubro Negro é de fato, a vanguarda do futebol brasileiro.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Bom Senso FC: "O financiamento das dívidas não sai sem as contrapartidas"

No começo da discussão o projeto de refinanciamento das dívidas dos clube se chamava Proforte, pois incluiria como contrapartidas investimentos em esportes olímpicos. A chance disso acontecer era zero, pois eram obrigações subjetivas para os clubes e muitos destes se quer formaram um único atleta olímpico na vida.

O Proforte foi enterrado e surgiu então Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. Foram oito meses meses de discussão em comissões, reuniões e tentativa de colocar o projeto em pauta para ser deliberado pelo Congresso. Nada aconteceu.

O governo enterrou a LRFE, assumiu a responsabilidade de fechar um texto que financia as dívidas dos clubes com contrapartidas claras e rígidas e promete apresentar via Medida Provisória, que tem força imediata de lei, porém precisar ser convertida em Lei de fato pelo Congresso em no máximo 60 dias, renováveis por mais 60. Caso contrário a pauta é trancada até que a Medida Provisória seja apreciada.

A promessa e de que até a primeira quinzena de março a MP seja assinada pela presidente. Veremos.

O blog entrou em contato com Ricardo Borges Martins, Diretor Executivo do Bom Senso FC para destrinchar o assunto. Confira:


- Diversas reuniões foram realizadas entre Bom Senso e clubes, porém nunca conseguiam chegar a uma pauta mínima. Quais os pontos de divergência e consenso?

Existe sim algum nível de consenso entre BSFC e clubes. De maneira geral, todos defendem que o refinanciamento seja acompanhado de contrapartidas que obriguem os clubes a adotar novos parâmetros de gestão. As divergências são com relação a quais serão esses critérios. Nós do BSFC defendemos por exemplo, um limite de 70% ao custo de futebol, ou seja, uma espécie de teto salarial que impediria os clubes de gastarem mais de 70% do seu orçamento com a folha de seu departamento profissional de futebol. Os clubes - em sua maioria - são contrários a isso.

Existem divergências também com relação ao modo de fiscalização. O BSFC defende que as entidades de administração do esporte (CBF e federações, no caso do futebol) precisam criar órgãos que fiscalizem as finanças dos clubes e sejam capazes de punir desportivamente os clubes inadimplentes; defendemos que essa obrigatoriedade conste na lei. Já muitos clubes argumentam que as entidades de administração não precisam de uma lei para fazer tal fiscalização.

Mas há sim consensos. Como exemplo, vale citar que tanto clubes quanto o BSFC acreditam que é necessário refrear a antecipação de receitas de mandatos futuros.


- Já foi sinalizada pelo governo a inclusão de contrapartidas no financiamento. Pelo diálogo que o Bom Senso está tendo com o governo, o que já está concretizado, fechado mesmo, de contrapartidas / punições?

Sim, o refinanciamento não sai sem contrapartidas. Essa é a palavra do Governo com o BSFC e com a sociedade. Clubes e dirigentes que não paguem seus tributos, que sejam recorrentemente deficitários e, principalmente, que não paguem o salário de seus profissionais (incluindo aqui o direito de imagem), serão rigorosamente punidos. Resta ver, no entanto, de que maneira a lei deve articular os critérios e as punições.


- O Regulamento Geral da CBF instituiu o fair play financeiro. Ainda são linhas gerais. Como o grupo enxergou esse gesto da Confederação?

A bem da verdade, a CBF publicou isso de última hora como uma sinalização ao governo federal para que sancionasse o artigo 141 da MP 656/13, artigo que refinanciava a dívida sem nenhuma contrapartida. Lembrando sempre que se a CBF assim o quisesse, o fair play financeiro já teria sido implementado. O grande receio da CBF é ser engessada por uma lei federal. Como a indicação da CBF ainda é muito vaga, isto é, não prevê de forma clara "como será punido um clube que descumprir determinado critério por tanto tempo", ainda não dá para dizer que fair play financeiro é esse que eles têm em mente.


- A Comissão que vai avaliar o cumprimento da legislação é um dos pontos mais importantes, a meu ver, para a efetivação da LRFE. Evidente que esse Comitê precisa ficar longe dos mandos da CBF e do seu braço jurídico, o STJD. Como estão sendo as conversas sobre essa ponto.

Sem dúvida esse ponto é crucial. A ideia original é a criação de um órgão independente, formado por atletas, treinadores, dirigentes e membros técnicos na área de finanças e direito, que fosse custeado pela CBF, mas cujas decisões fossem autônomas e diretamente vinculadas ao regulamento das competições. A grande dificuldade para criação de um órgão com tais características é conseguir impor sobre a CBF ou sobre as federações a a obrigatoriedade de sua criação, sobretudo uma vez que os beneficiários do refinanciamento são os clubes e não as entidades de administração. Este é um dos grandes empecilhos técnicos ao avanço da LRFE.


- O Bom Senso continua sendo a favor de impor 80% da receita dos clubes com gastos com o futebol? A imposição de déficit não seria suficiente? Não poderia correr o risco dos clubes optarem por impor um teto salarial como resposta?

Na verdade, a ideia original é de 70%. Acreditamos que a margem de 30% não apenas garante o orçamento para o pagamento de suas dívidas (mesmo que a longo prazo), mas também cria incentivos para investimento nas categorias de base, em infraestrutura e até mesmo em outras modalidades. Os clubes de futebol com gestões mais sérias já trabalham com uma meta parecida de orçamento. Na prática, o limite ao custo de futebol pode por si ó ser considerado um teto salarial, mas em vez de ser fixo e individual é relativo ao orçamento do clube e coletivo.


- Aqui no Rio vivemos uma situação delicada onde a FERJ / Eurico de forma autoritária instituiu um tabelamento de ingressos para afetar diretamente os sócios torcedores de Flamengo e Fluminense. Na primeira rodada do Estadual apenas o Flamengo, além da FERJ, não pagou para jogar. Como o Bom Senso enxerga essa situação aqui no Rio?

Caro André, embora pessoalmente eu possa responder a essa pergunta. Não posso falar pelo movimento sobre temas em que não houve discussão e consenso dentro do grupo. Peço desculpas.


- O Flamengo conseguiu suas Certidões Negativas, conseguiu aprovação do seu estatuto para adequar à Lei Pelé, recebe receita governamental para investir em seus esportes olímpicos, reduziu seu déficit trabalhista, foi premiado como o clube mais transparente de 2014, teve superávit e com muito custo vai mantendo suas contas em dia. O Flamengo é a prova de que ter uma gestão séria e profissional é possível?

Sem dúvida. O trabalho de Eduardo Bandeira de Mello e sua equipe são elogiáveis sobre esse ponto de vista, assim como a sua postura sempre aberta ao diálogo com os atletas e membros do BSFC.


- É possível estender essas exigências de gestão, transparência para as Federações e Confederações?

Algumas sim, outras não. O fair play financeiro tem como foco os clubes, mas nós temos trabalhado na LRFE para estabelecer critérios claros sobre a chamada gestão temerária, para que dirigentes tanto dos clubes quanto das entidades de administração prezem por uma gestão transparente e responsável.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

CBF define Fair Play Financeiro em regulamento. Por que não servir de base para novas discussões entre Clubes e Bom Senso?

A presidente Dilma não fez mais do que mandava o bom senso e vetou a esdrúxula Medida Provisória do deputado Jovair Arantes, vice-presidente do Atlético-GO, que refinanciava a dívida dos clubes sem nenhuma contrapartida.

O governo, na justificativa para o veto, cobrou responsabilidade fiscal (risos!!!) dos clubes e afirmou que vem discutindo com diversos setores a construção de uma proposta conjunta que modernize o futebol.

Será criada uma Comissão interministerial para discutir as novas formas de financiamento das dívidas dos clubes.

À época escrevi que essa absurda aprovação da proposta do parlamentar era resultado do individualismo de Clubes e Bom Senso FC. Estes não conseguem fazer um projeto simples e com regras claras. Querem resolver todos os problemas do futebol brasileiro em uma tacada e a cada reunião apresentavam propostas inéditas para discussão.

A CBF, por incrível que pareça, deu um passo importante para a construção do Fair Play Financeiro ao definir em regulamento normativo que "o clube terá de comprovar a regularidade de suas obrigações tributárias; a existência e autonomia de Conselho Fiscal nas respectivas entidades; a redução do déficit operacional ou do prejuízo; o cumprimento de todos os contratos de trabalho e o regular pagamento dos respectivos encargos".

As diretorias precisarão apresentar os comprovantes de pagamento de salários, de recolhimento de FGTS, de recolhimento das contribuições previdenciárias e de pagamento das obrigações contratuais e quaisquer outras havidas com os atletas e demais funcionários, inclusive direito de imagem.

As demonstrações financeiras precisarão ser padronizadas de acordo com normas do Conselho Federal de Contabilidade.

As punições podem variar de advertência; multa; proibição de registro de contrato especial de trabalho desportivo até a regularização dos salários em atraso; perda de pontos nas competições; exclusão do campeonato; descenso para a divisão imediatamente inferior; ou, ainda, proibição de participação em competições, em caso de reincidência.

Se Governo, Clubes e Bom Senso FC querem resolver essa questão sem mais reuniões infrutíferas, podem começar pegando essas normais gerais da CBF como ponto de partida. Se colocarem em prática já será um grande avanço para o futebol brasileiro.

Evidente, tirando da Confederação e seu pífio STJD a função de fiscalizar e punir.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Taça das Bolinhas: Fla já se movimenta para acionar a Fifa

Saiu na coluna Painel Futebol Clube da Folha de São Paulo.

Cartolas flamenguistas afirmam que o clube já se movimenta para acionar a Fifa no caso da Taça das Bolinhas. Segundo eles, o Flamengo contratou um advogado na Suíça para entrar com ação na entidade contra a CBF. A motivação do processo é a omissão da confederação brasileira em relação ao Sport, que entrou na Justiça comum -prática condenada pela Fifa-, requerendo o título do Brasileiro de 1987.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A briga pela redistribuição das cotas de televisão

Por mais que tenha um pano de fundo político, a briga hoje é muito mais financeira do que política, afinal, já foi descartada a criação de uma liga de clubes sob a benção de Ricardo Teixeira. O interesse não é criar duas ligas, mas reorganizar a porcentagem da fatia entre os clubes.

O fato é que o Corinthians e os quatro do Rio não aceitam mais a divisão atual de cota de televisão.Corinthians e Flamengo querem ganhar uma porcentagem maior do que a destinada a São Paulo, Palmeiras e Vasco.

Segundo o blog do Perrone, os dissidentes até admitem assinar contrato com a mesma tv do Clube dos 13, mas não querem que a instituição as represente, porque assim terá que aceitar a distribuição atual, por isso acreditam que conversando separadamente como o caso do Corinthians, ou em bloco como o caso dos times cariocas, eles consigam arrancar um valor maior da atual distribuição.

É justa essa briga? Claro que é, não significa que estão agora do lado de Ricardo Teixeira, mas querem um novo equilíbrio de forças.

Mas o presidente do Atlético-MG, o espertão, não aceita e promete briga: "Se eu souber que a emissora está pagando mais para o Corinthians separadamente não assino o contrato”.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Com o reconhecimento de 87, é hora de aguardar as escolhas de Patrícia Amorim

Bom, é fato que Ricardo Teixeira não tomou a decisão de reconhecer 87 porque leu o pedido do jurídico do Flamengo e aceitou as tais novas considerações. 

Um detalhe, saiu hoje no Lance, na edição impressa, que um torcedor chamado Rafael Fontelles, fez um artigo de quatro páginas de forma voluntária e entregou esse material ao jurídico do Clube e que esse documento teria sido importante para o reconhecimento da CBF.

Sinceramente, está claro que por mais que o Flamengo tenha feito um documento pedindo o reconhecimento do título brasileiro de 87, a decisão não tem outro interesse, a não ser ter a Patrícia Amorim como aliada.

Como o PVC bem disse ontem, agora depende de como a presidente do Flamengo encarou essa decisão, ou como um presente, e agora fica devendo favor ao Ricardo Teixeira, ou como um direito de fato.

Devemos ter algum sinal mais claro na reunião de amanhã, onde sentarão na mesma mesa Hélio Ferraz e Juvenal Juvêncio - imagina só o constrangimento, ainda mais depois da liminar que o Flamengo conseguiu para o São Paulo devolver a Taça das Bolinhas para a Caixa.

Por enquanto não está caracterizado um acordão entre Flamengo, Corinthians, CBF, Traffic.
Com certeza o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, vai apresentar também seus presentes para a Patrícia, afinal, ninguém quer perder o Flamengo como aliado e ela faz parte da vice-presidência.

Agora cabe a diretoria ver aquilo que for melhor para o próprio Flamengo.

Eu não tenho tanta certeza que o rompimento com o Clube dos 13 seja a melhor opção. Claro que tudo agora pesa e virou uma espécie de questão honra não sentar mais na mesma mesa que Juvenal Juvêncio, mas acima de tudo, até mesmo da Taça das Bolinhas, está a disputa pelo contrato de televisão.

Não vejo grande vantagem em formar um Clube dos 7 e vender só alguns jogos na TV aberta por ano no Brasileirão, visto que
um jogo só é transmitido com autorização dos dois clubes. Por mais que seja a TV Globo, a campeã de audiência, não sei se teria tanta divulgação assim e até complicaria em fechar o patrocínio máster.

E por outro lado, tem a Record. A emissora trata o futebol dessa forma: no sábado a Record fez umas quatro reportagens sobre o Andrés Sanches, com denúncias, críticas, mas não porque a Record preza pelo bom jornalismo, jornalismo investigativo, mas simplesmente porque a o presidente do Corinthians virou um rival da emissora do Bispo Macedo nas negociações..

Eu não levo a menor fé na Record. Pode até pagar mais, pode bancar os R$ 500 milhões pelas transmissões na tv aberta, mas veja o que aconteceu no
Campeonato Catarinense de futebol, segundo o blog do Erich Beting que optou por trocar de emissora, baseando-se na oferta financeiramente mais vantajosa e na promessa de que o jogo disputado nas noites de meio de semana começariam às 20h, exatamente como agora. Oferta aceita, começou o torneio e percebeu-se que a Record, que havia vencido a concorrência, não tinha retransmissora no interior do estado, limitando as transmissões à cidade de Florianópolis.

Eu espero que, da mesma forma que Patrícia Amorim não se deixou levar pelas pressões, chantagem e sedução de Ricardo Teixeira durante a  agoreleição do Clube dos 13, não troque agora esse súbito reconhecimento, por um favorecimento a Globo ou um acatamento sem discussão dos desejos da CBF. Espero mesmo, que ela pense agora, apenas no melhor do Flamengo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O fim do Clube dos 13 se aproxima

Na eleição do Clube dos 13, Patrícia Amorim fechou o voto com o Fábio Koff contra Kléber Leite e CBF, na época muitos questionaram que ela perdeu a chance de finalmente ter 87 reconhecido, muitos desses esquecendo que seria vergonhoso mudar o voto e aceitar a chantagem do Ricardo Teixeira para levar a Taca de Bolinhas.

Como fizeram, por exemplo, Palmeiras e Botafogo, que mudaram de voto após receberem um empréstimo, que foi liberado misteriosamente às vésperas da eleição.

Agora, com todo o mercado pelos direitos do Brasileirão fervendo, e todo o clima ruim no Clube dos 13, o mistério é por que da CBF reconhecer 87 agora, justamente quando acontece o desmantelamento do Clube dos 13.

Tentando entender, acredito que o Flamengo pediu ajuda, queria saber quem seria seu aliado por 87. O C13 se calou, a CBF foi lá e abraçou o Rubro Negro.

Pior para o Clube dos 13, melhor para a CBF e para a Globo.

O Clube dos 13 rachado, caminha para seu fim com as possíveis saídas de Flamengo e Corinthians, e puxando outros clubes juntos.

Ainda segundo o comunicado, o Diretor Jurídico da CBF afirmou que não poderia deixar de reconhecer o título do Flamengo diante de novos argumentos apresentados pela Patrícia Amorim. Legal, mas porque demorou tanto tempo para a CBF reconhecer o que é tão claro? Que argumentos tão contundentes foram esses para, finalmente, Ricardo Teixeira reconhecer a Copa União?

Espero que da mesma forma a Patrícia não se vendeu na eleição do C13, não tenha feito nenhum acordo, nenhuma negociação obscura para ter o reconhecimento da CBF.

Agora, queria ver a cara agora do Juvenal Juvêncio, que pegou a Taça de Bolinhas com sorriso no rosto porque apenas a palavra da CBF era que importava. E agora?