Foi de fato muito ruim e constrangedora a imagem do goleiro Paulo Victor sendo carregado em um carrinho de mão em meio às obras no Ninho do Urubu.
Não vou entrar na discussão se tem ou não carrinho, se já aconteceu em outros clubes ou se a repercussão está exagerada: é preciso que no próximo triênio a diretoria Rubro Negra tenha o fim da reforma do CT como prioridade.
Entendo que nessa primeira gestão o objetivo era organizar a casa, as finanças, e sem isto não teria condições para almejar nada em termos de estrutura, mas urge injetar dinheiro no Ninho.
O Flamengo está sendo muito bem visto no mercado como um clube organizado, com salários em dia, transparente, mas não dá para evoluir em termos de reforços e não dispor condições de trabalho adequadas.
Destaco a fala de Alexandre Rangel, especialista em consultoria para megaeventos e clubes esportivos e sócio da Ernst &Young (EY), que tem sido parceira do Rubro Negro em seu planejamento estratégico:
Mas em 2016 tudo muda. No próximo ano, o Flamengo aumenta sua arrecadação em torno de R$70 a R$90 milhões por conta da TV e reajustes de contratos de marketing. Então essa verba será toda aplicada no futebol.
Aí começa outra diferença de como o novo Flamengo pensa de forma estratégica, de forma bem diferente da gestão tradicional, antiga e ultrapassada do futebol: Não é apenas pegar 100% desses novos valores e botar exclusivamente em ações do curto prazo, como a compra de jogadores formados para o time profissional. O clube precisa investir parte no longo prazo: em ter um dos melhores centros de treinamento no Brasil, seja para formar novos craques em casa e seja para incentivar que os jogadores de renome do Brasil e do exterior queiram vir para o Flamengo. Isso porque, ter condições de trabalho e desenvolvimento é um dos fatores de decisão para vários jogadores de alto potencial e seus empresários. Jogador bom evita ir para time com CT ruim, é fato.
Parte desse dinheiro extra tem que ser separado para o clube investir no médio prazo: na base, não só em equipe técnica, mas também captando jogadores com idade sub-15, sub-19 e formar jogadores diferenciados que possam entrar no time profissional em um horizonte de 3 a 5 anos. Então, pelo plano estratégico, esses investimentos de médio e longo prazo também serão priorizados. Mesmo assim, em 2016 se o Flamengo já não for o time que mais investe no futebol profissional será próximo disso. A partir daí, de 2017 em diante, devem ser agregados de R$30 a R$40 milhões todo ano em novas receitas vindas da expansão do programa de marketing e das receitas de competições (mais publico melhores valores de ingresso e prêmios). E isso vai se tornando uma vantagem competitiva em relação a outros clubes.
Vale lembrar que além desse dinheiro a mais que o Flamengo vai receber pelo aumento de receitas, a partir de 2016 também teremos a redução dos gastos pela eliminação progressiva das dívidas e juros, então a cada ano vai sobrar mais dinheiro. Vamos saltar de um patamar de R$160 a R$180 milhões em 2014 e 2015 e chegar próximo a R$250 milhões sendo investidos no futebol entre 2016 e 2017, e acima de R$300 milhões entre 2018 e 2020.

