O Flamengo segue sua montanha russa nesse pós-Copa. Os bons momentos foram poucos. A regra tem sido as más performances. O resultado do mau momento: eliminação da Libertadores e a perda da liderança do Brasileiro, ficando agora a cinco pontos do líder São Paulo.
Após a Copa, a equipe de Maurício Barbieri conseguiu algo próximo de um futebol competitivo apenas contra o Grêmio pela Copa do Brasil, quando amassou o adversário em Porto Alegre e se comportou de forma valente para segurar o resultado no Rio de Janeiro, demonstrando ser capaz de atuar de duas formas diferentes e se adaptar de acordo com as situações.
O restante tem sido um Flamengo que voltou a ser a equipe de muita posse de bola e pouca agressividade, ou seja, o fatídico arame-liso de outros tempos. Faltam jogadores agudos, sobram jogadores de meio de campo que fazem apenas a bola girar, sem muita movimentação.
Vinicius Jr, com apenas 17 anos, era o jogador que buscava o improviso, a jogada que quebra a defesa, que surpreendente o adversário, o que é raridade no futebol brasileiro. Esperava-se que Vitinho desse resposta de imediato. Porém, futebol não segue a lógica de um carro, onde basta trocar uma peça que volta a funcionar.
A proposta que Barbieri conseguiu implantar antes da Copa deu resultado. Era um Flamengo que tinha a segunda melhor defesa, o segundo melhor ataque, era seguro na defesa, letal no ataque, sofrendo apenas um gol a cada dois jogos.
Esse Flamengo desmanchou. O aproveitamento de 75% despencou para 46,7% e a equipe enfrenta dificuldade dos dois lados do campo: sofre pelo menos um gol por partida e agora precisa de quase 13 finalizações por jogo para marcar. Antes precisava de apenas 6,9 chutes para fazer seu gol.
É preciso deixar as convicções de lado e tornar o Rubro Negro competitivo. Para isso perpassa por voltar a ter a defesa segura e compacta em primeiro lugar. O Flamengo não sofria gol porque tinha posse de bola altamente superior e fôlego para fechar suas duas linhas de quatro. Hoje, manter por teimosia o esquema de troca de passes infrutífera é pura teimosia de quem não sabe o que fazer para reverter os resultados ruins.
A maioria esmagadora das equipes do Brasileirão deseja justamente enfrentar esses times. Afinal, é muito mais fácil destruir do que construir. E quando do outro lado tem um elenco sem confiança, que troca passes de forma desenfreada, sem muita movimentação, estratégia, intensidade e ainda por cima não ameaça, é o paraíso perfeito. Pra que vai arriscar alguma coisa durante o jogo?
A próxima rodada será contra o Internacional, que não sofre gol há sete jogos!!! No Beira Rio, em dez partidas foi vazado apenas duas vezes.
É o momento do Flamengo engessar seu jogo e tornar mais imprevisível a forma de atuar para surpreender seus oponentes.
O próprio São Paulo teve uma queda de desempenho nos últimos três jogos. Bastava o Rubro Negro vencer o América-MG e o Ceará que voltaria a ser líder. Não tem nada perdido, o campeonato ainda não acabou, só não pode desperdiçar essas oportunidades.
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terça-feira, 4 de setembro de 2018
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Libertadores 2018: Cruzeiro 0 x 1 Flamengo
Mais uma vez o Flamengo encerrou precocemente sua participação da Copa Libertadores, e a gestão Bandeira de Mello, após três participações, sendo duas seguidas, não conseguiu passar de uma mera oitavas de final.
É triste como não não conseguem enxergar erros cruciais temporada após temporada e continuam encobertando as eliminações seguidas como se fossem a coisa mais natural do mundo.
A comemoração do sexto lugar no Brasileiro do ano passado é o grande reflexo do que se tornou o clube.
As declarações do Barbieri após a eliminação, tratando como "extremamente positivo", afirmando que a equipe "fez um grande jogo" e que "por detalhes não fez o segundo" são uma grande sacanagem com o torcedor.
Quem viu o jogo enxergou um Cruzeiro muito mais perto de marcar do que o Flamengo, mesmo depois do gol de Léo Duarte.
Basta dizer que Diego Alves foi o melhor do Rubro Negro. Ao contrário, Fábio, nem sentiu o cheiro da bola nas luvas. Já com o pés, foi o jogador que mais teve posse de bola a partida inteira, segundo o Footstats: 19,07%. Em segundo ficou Éverton Ribeiro, com 13,23%.
Para tentar surpreender o Cruzeiro, Barbieri apostou bem com Vitinho de atacante e Marlos Moreno na esquerda. O que tornaria um Flamengo praticamente com cinco atacantes de bastante movimentação para confundir a zaga mineira. Porém, se as intenções foram boas, dentro de campo o resultado foi nulo. Vitinho não jogou entre os zagueiros de falso nove e Moreno errou praticamente tudo, mostrando que tende a ser mais um jogador de segundo tempo.
O Cruzeiro montou bem, como sempre, seu sistema defensivo, impedindo qualquer chance Rubro Negra a partida inteira, e mereceu a classificação. Nem quando sofreu o gol se abalou, ficou desesperado ou quis recuar: pelo contrário, jogou uma partida tipicamente de mata-mata e não teve mais futebol depois disso. Para ser franco, parecia que nem tinha sofrido o gol.
Em 180 minutos, o Flamengo só jogou os 25 minutos finais. Lembrando que no Maracanã o placar só foi de 2 x 0 porque Diego Alves evitou a goleada. Fica evidente que Barbieri perdeu o duelo tático com o Mano Menezes, apesar de ter ganho contra o Renato Gaúcho. O treinador Rubro Negro já deveria ter um plano B preparado para em caso de insucesso no primeiro treino.
Novamente foi uma sucessão de erros e parece que ninguém lá dentro é capaz de corrigir. Erro na escolha do treinador no começo do ano, acreditando em Rueda, insistindo com Carpegiani e depois apostando no Barbieri, que é até um bom treinador, mas ainda cru para uma disputa desse nível. E ainda teve a inexplicável escalação do Paquetá contra o River lá na Argentina, os valores dos ingressos absurdos no primeiro jogo das oitavas, falta de prioridade, falta de montagem de um elenco para aguentar as três frentes, falta de cobrança, falta de mentalidade aguerrida.
O Flamengo está longe de ser uma equipe competitiva para disputar a Libertadores. Consegue algum resultado à nível nacional, ou uma Sul-Americana, mas sempre erra aqui e ali e deixa escapar o tão sonhado título. O Rubro Negro inicialmente precisa voltar a conquistar ou se consolidar de forma relevante no país para depois alcançar voos maiores.
Problema que ainda pensam que basta aumentar a receita do futebol todo ano que as conquistas virão naturalmente. É preciso algo mais, enxergar o futebol de forma mais competitiva, consolidada.
O que essa diretoria já provou há tempos que não vai conseguir.
Enfim, termina o tão temido mês de agosto. O Flamengo terminou de +4 para -4 pro líder do Brasileirão, caindo para terceiro, foi eliminado da Libertadores e está na semifinal da Copa do Brasil.
E domingo já tem pelo menos 40 mil torcedores para torcer pelo Rubro Negro contra o Ceará no Maracanã. Se tem alguém que merece aplausos nessa temporada, é a torcida.
É triste como não não conseguem enxergar erros cruciais temporada após temporada e continuam encobertando as eliminações seguidas como se fossem a coisa mais natural do mundo.
A comemoração do sexto lugar no Brasileiro do ano passado é o grande reflexo do que se tornou o clube.
As declarações do Barbieri após a eliminação, tratando como "extremamente positivo", afirmando que a equipe "fez um grande jogo" e que "por detalhes não fez o segundo" são uma grande sacanagem com o torcedor.
Quem viu o jogo enxergou um Cruzeiro muito mais perto de marcar do que o Flamengo, mesmo depois do gol de Léo Duarte.
Basta dizer que Diego Alves foi o melhor do Rubro Negro. Ao contrário, Fábio, nem sentiu o cheiro da bola nas luvas. Já com o pés, foi o jogador que mais teve posse de bola a partida inteira, segundo o Footstats: 19,07%. Em segundo ficou Éverton Ribeiro, com 13,23%.
Para tentar surpreender o Cruzeiro, Barbieri apostou bem com Vitinho de atacante e Marlos Moreno na esquerda. O que tornaria um Flamengo praticamente com cinco atacantes de bastante movimentação para confundir a zaga mineira. Porém, se as intenções foram boas, dentro de campo o resultado foi nulo. Vitinho não jogou entre os zagueiros de falso nove e Moreno errou praticamente tudo, mostrando que tende a ser mais um jogador de segundo tempo.
O Cruzeiro montou bem, como sempre, seu sistema defensivo, impedindo qualquer chance Rubro Negra a partida inteira, e mereceu a classificação. Nem quando sofreu o gol se abalou, ficou desesperado ou quis recuar: pelo contrário, jogou uma partida tipicamente de mata-mata e não teve mais futebol depois disso. Para ser franco, parecia que nem tinha sofrido o gol.
Em 180 minutos, o Flamengo só jogou os 25 minutos finais. Lembrando que no Maracanã o placar só foi de 2 x 0 porque Diego Alves evitou a goleada. Fica evidente que Barbieri perdeu o duelo tático com o Mano Menezes, apesar de ter ganho contra o Renato Gaúcho. O treinador Rubro Negro já deveria ter um plano B preparado para em caso de insucesso no primeiro treino.
Novamente foi uma sucessão de erros e parece que ninguém lá dentro é capaz de corrigir. Erro na escolha do treinador no começo do ano, acreditando em Rueda, insistindo com Carpegiani e depois apostando no Barbieri, que é até um bom treinador, mas ainda cru para uma disputa desse nível. E ainda teve a inexplicável escalação do Paquetá contra o River lá na Argentina, os valores dos ingressos absurdos no primeiro jogo das oitavas, falta de prioridade, falta de montagem de um elenco para aguentar as três frentes, falta de cobrança, falta de mentalidade aguerrida.
O Flamengo está longe de ser uma equipe competitiva para disputar a Libertadores. Consegue algum resultado à nível nacional, ou uma Sul-Americana, mas sempre erra aqui e ali e deixa escapar o tão sonhado título. O Rubro Negro inicialmente precisa voltar a conquistar ou se consolidar de forma relevante no país para depois alcançar voos maiores.
Problema que ainda pensam que basta aumentar a receita do futebol todo ano que as conquistas virão naturalmente. É preciso algo mais, enxergar o futebol de forma mais competitiva, consolidada.
O que essa diretoria já provou há tempos que não vai conseguir.
Enfim, termina o tão temido mês de agosto. O Flamengo terminou de +4 para -4 pro líder do Brasileirão, caindo para terceiro, foi eliminado da Libertadores e está na semifinal da Copa do Brasil.
E domingo já tem pelo menos 40 mil torcedores para torcer pelo Rubro Negro contra o Ceará no Maracanã. Se tem alguém que merece aplausos nessa temporada, é a torcida.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Libertadores 2018: Flamengo pode ter surpresa na escalação para hoje
É o que crava o bom jornalista Venê Casagrande, que trabalhava até então no Esporte Interativo.
Segundo o repórter, Barbieri deixou Marlos Moreno de titular e alterou Henrique Dourado e Vitinho de atacante.
Confira:
Tomara que o treinador consiga apresentar uma carta na manga, uma novidade que surpreenda os adversários e recoloque a equipe de volta nos trilhos, conforme cobramos aqui.
Segundo o repórter, Barbieri deixou Marlos Moreno de titular e alterou Henrique Dourado e Vitinho de atacante.
Confira:
Tomara que o treinador consiga apresentar uma carta na manga, uma novidade que surpreenda os adversários e recoloque a equipe de volta nos trilhos, conforme cobramos aqui.
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
Brasileirão 2018: Barbieri está obrigado a buscar alternativas táticas. E o empate que castigou o desespero do treinador
Talvez seja mais "fácil" montar um time do que remontar um novo esquema em meio a jogos tão desafiantes que o Flamengo enfrenta agora em agosto.
Zé Ricardo viveu essa fase em 2016, quando fez o Rubro Negro forte taticamente, no entanto, foi vigiado pelos adversários, terminou as últimas dez rodadas do Brasileirão empurrando com a barriga e, em sua teimosia reinante, não soube buscar uma novidade para fazer o Rubro Negro ser campeão.
Novamente outro treinador enfrenta essa sinuca de bico. Barbieri montou um esquema forte, com apenas um volante de ofício, resultando em uma defesa que não sofria gols (lembram da invencibilidade do Diego Alves?) e era a equipe que mais desarmava do campeonato.
Entretanto, tudo que a torcida temia aconteceu no pós-Copa. Um time que não sofria gols, agora é constantemente vazado. E toda equipe vencedora começa por uma defesa forte. Inter não toma gols há seis jogos. Palmeiras há nove. Ambos não levaram gols em agosto.
Muitos acreditam que a defesa ficou frágil pela entrada do Réver na equipe titular. Como já escrevi aqui, a compactação também já não é mais a mesma, simplesmente porque é difícil manter o nível de intensidade que esse esquema precisa ter para não desguarnecer a defesa.
Agora Barbieri terá que apresentar uma carta na manga, uma novidade que surpreenda os adversários e recoloque a equipe de volta nos trilhos.
Vejo duas soluções que podem ser utilizadas, analisando e montado a estratégia para cada confronto.
DOIS VOLANTES
O esquema com apenas um volante e quatro meias depende de muita intensidade física e até concentração mental. Ou seja: não tem descanso durante a partida. Fica evidente que nos últimos jogos o Cuellar não está aguentando a correria de dominar aquele espaço sozinho. Com Pires e Cuellar além de desgastar menos o colombiano, um dos meias será poupado e a marcação deverá ficar mais eficiente. Em um espaço menor, os quatro da frente terão mais fôlego para auxiliar também na marcação alta.
Mapa de calor do Cuellar contra o Vitória:
Mapa de calor do Cuellar contra o América-MG:
VITINHO DE ATACANTE
Uma outra forma pode ser jogando sem um atacante de ofício. Não que Vitinho não possa fazer a função pela esquerda, até poderia, se tivesse um lateral que fizesse a ultrapassagem e um atacante letal, coisa que hoje não existe.
Vitinho fez uma boa partida contra o Vitória, mas foi péssimo contra o América-MG. Suas principais características têm sido os chutes de fora da área. Praticamente todos fazem o goleiro trabalhar. Por que não jogar mais perto da área, como atacante?
Moreno tem entrada bem e precisa de regularidade para apresentar resultados. Portanto, jogaria com o colombiano na esquerda e Vitinho de atacante.
********************
Contra o América-MG, o Flamengo chegou a cinco partidas sem vitória jogando como visitante: empates contra Palmeiras, Santos e América-MG e derrotas para Grêmio e Atlético Paranaense e ocupa a quinta colocação dos jogos fora de casa. É preocupante, pois a estatística prova que nada mais nada menos que os últimos sete campeões brasileiros foram os times que tiveram o melhor desempenho fora de casa.
O Flamengo novamente não fez um bom jogo, como tem sido a tônica. O começo foi semelhante ao de Curitiba. Os mineiros só não abriram o placar no início porque perderam um gol dentro da grande área. Foram vários passes errados e muita desconcentração.
O gol Rubro Negro foi até uma surpresa. Porém, logo depois o empate de Rafael Moura fez justiça, após falha de Léo Duarte, que praticamente não vinha errando. Após o empate, o Flamengo até conseguiu reter a bola, mas sem levar qualquer perigo.
No segundo tempo finalmente o melhor momento da equipe. Foram bons 15 minutos, onde saiu o gol de Paquetá, em ótima jogada de Éverton Ribeiro, o melhor dessa equipe e que tem sido decisivo em praticamente todos os últimos jogos.
Porém, tudo começou a desmoronar com a expulsão de Cuellar. Barbieri então tirou bem o Dourado para entrar o Pires. Foi razoável com a entrada de Arão e a saída de Vitinho. Mas errou demais ao tirar Diego e escalar Rhodolfo, quando a opção seria Moreno, até para dizer ao adversário: "olha, não vem todo não, porque ainda tenho um atacante de velocidade para surpreender vocês". Sem contar os dois gols perdidos. E os possíveis pênaltis não marcados. Em suma, uma tarde desastrosa.
Barbieri se desesperou e tratou o adversário como se fosse um gigante nacional, que nem pressionava, nem sufocava com bolas na área, fechando o time com três zagueiros e dois volantes sem qualquer necessidade, lembrando muito Zé Ricardo contra o San Lorenzo. O empate foi um castigo.
Espero que tenha aprendido e já comece a buscar alternativas para não naufragar.
Zé Ricardo viveu essa fase em 2016, quando fez o Rubro Negro forte taticamente, no entanto, foi vigiado pelos adversários, terminou as últimas dez rodadas do Brasileirão empurrando com a barriga e, em sua teimosia reinante, não soube buscar uma novidade para fazer o Rubro Negro ser campeão.
Novamente outro treinador enfrenta essa sinuca de bico. Barbieri montou um esquema forte, com apenas um volante de ofício, resultando em uma defesa que não sofria gols (lembram da invencibilidade do Diego Alves?) e era a equipe que mais desarmava do campeonato.
Entretanto, tudo que a torcida temia aconteceu no pós-Copa. Um time que não sofria gols, agora é constantemente vazado. E toda equipe vencedora começa por uma defesa forte. Inter não toma gols há seis jogos. Palmeiras há nove. Ambos não levaram gols em agosto.
Muitos acreditam que a defesa ficou frágil pela entrada do Réver na equipe titular. Como já escrevi aqui, a compactação também já não é mais a mesma, simplesmente porque é difícil manter o nível de intensidade que esse esquema precisa ter para não desguarnecer a defesa.
Agora Barbieri terá que apresentar uma carta na manga, uma novidade que surpreenda os adversários e recoloque a equipe de volta nos trilhos.
Vejo duas soluções que podem ser utilizadas, analisando e montado a estratégia para cada confronto.
DOIS VOLANTES
O esquema com apenas um volante e quatro meias depende de muita intensidade física e até concentração mental. Ou seja: não tem descanso durante a partida. Fica evidente que nos últimos jogos o Cuellar não está aguentando a correria de dominar aquele espaço sozinho. Com Pires e Cuellar além de desgastar menos o colombiano, um dos meias será poupado e a marcação deverá ficar mais eficiente. Em um espaço menor, os quatro da frente terão mais fôlego para auxiliar também na marcação alta.
Mapa de calor do Cuellar contra o Vitória:
Mapa de calor do Cuellar contra o América-MG:
VITINHO DE ATACANTE
Uma outra forma pode ser jogando sem um atacante de ofício. Não que Vitinho não possa fazer a função pela esquerda, até poderia, se tivesse um lateral que fizesse a ultrapassagem e um atacante letal, coisa que hoje não existe.
Vitinho fez uma boa partida contra o Vitória, mas foi péssimo contra o América-MG. Suas principais características têm sido os chutes de fora da área. Praticamente todos fazem o goleiro trabalhar. Por que não jogar mais perto da área, como atacante?
Moreno tem entrada bem e precisa de regularidade para apresentar resultados. Portanto, jogaria com o colombiano na esquerda e Vitinho de atacante.
********************
Contra o América-MG, o Flamengo chegou a cinco partidas sem vitória jogando como visitante: empates contra Palmeiras, Santos e América-MG e derrotas para Grêmio e Atlético Paranaense e ocupa a quinta colocação dos jogos fora de casa. É preocupante, pois a estatística prova que nada mais nada menos que os últimos sete campeões brasileiros foram os times que tiveram o melhor desempenho fora de casa.
O Flamengo novamente não fez um bom jogo, como tem sido a tônica. O começo foi semelhante ao de Curitiba. Os mineiros só não abriram o placar no início porque perderam um gol dentro da grande área. Foram vários passes errados e muita desconcentração.
O gol Rubro Negro foi até uma surpresa. Porém, logo depois o empate de Rafael Moura fez justiça, após falha de Léo Duarte, que praticamente não vinha errando. Após o empate, o Flamengo até conseguiu reter a bola, mas sem levar qualquer perigo.
No segundo tempo finalmente o melhor momento da equipe. Foram bons 15 minutos, onde saiu o gol de Paquetá, em ótima jogada de Éverton Ribeiro, o melhor dessa equipe e que tem sido decisivo em praticamente todos os últimos jogos.
Porém, tudo começou a desmoronar com a expulsão de Cuellar. Barbieri então tirou bem o Dourado para entrar o Pires. Foi razoável com a entrada de Arão e a saída de Vitinho. Mas errou demais ao tirar Diego e escalar Rhodolfo, quando a opção seria Moreno, até para dizer ao adversário: "olha, não vem todo não, porque ainda tenho um atacante de velocidade para surpreender vocês". Sem contar os dois gols perdidos. E os possíveis pênaltis não marcados. Em suma, uma tarde desastrosa.
Barbieri se desesperou e tratou o adversário como se fosse um gigante nacional, que nem pressionava, nem sufocava com bolas na área, fechando o time com três zagueiros e dois volantes sem qualquer necessidade, lembrando muito Zé Ricardo contra o San Lorenzo. O empate foi um castigo.
Espero que tenha aprendido e já comece a buscar alternativas para não naufragar.
terça-feira, 21 de agosto de 2018
A falta de meta por título no Flamengo, que contamina até o jovem e bom treinador Maurício Barbieri
Em participação no Bem Amigos no Sportv, Mauríci Barbieri destacou que a campanha do primeiro turno do Flamengo é a melhor da história do clube e afirmou que o objetivo é ir mais longe possível em todas as competições.
De fato é a melhor, no entanto, mesmo assim, terminou em terceiro lugar. É de amplo conhecimento que o histórico do Flamengo no primeiro turno do Brasileiro sempre foi complicado, melhorando e crescendo no segundo turno. Então a régua Rubro Negra sempre foi baixa mesmo e é bom que esteja subindo.
Longe de querer demonizar o treinador Rubro Negro, que parece sim ter boas ideias dentro de campo, é triste constatar que em pouco tempo Barbieri já foi lobotomizado pelo pensamento dominante da atual gestão.
Não se fala mais em títulos, mas em ir mais longe possível. Era hora do treinador e do dirigente de futebol estarem criando metas para o segundo turno: "Tantos pontos a cada rodada".
Agora está explicada a dificuldade do Flamengo em estabelecer metas. Fica mais fácil não ser cobrado, afinal, como reclamar, por exemplo, do sexto lugar do ano passado, se a meta da diretoria era a classificação para a Libertadores? Capaz de dizerem "quem falou em títulos foi a torcida, a nossa meta sempre foi a Libertadores".
Reinaldo Rueda saiu de forma cretina da Gávea, mas gostemos dele ou não, em 18/10/2017, faltando dez rodadas para o fim do Brasileirão, lançou o desafio: "Precisamos ganhar as dez partidas que restam. Essa é a meta que propusemos. Sabemos que será difícil, mas esse é o nosso comprometimento na reta final".
Alguém será capaz de planejar quantos pontos o Flamengo terá que fazer no segundo turno para ganhar o Brasileiro? Quando se estabelece metas, alguém precisa ser cobrado. Tudo o que falta hoje no Rubro Negro.
De fato é a melhor, no entanto, mesmo assim, terminou em terceiro lugar. É de amplo conhecimento que o histórico do Flamengo no primeiro turno do Brasileiro sempre foi complicado, melhorando e crescendo no segundo turno. Então a régua Rubro Negra sempre foi baixa mesmo e é bom que esteja subindo.
Longe de querer demonizar o treinador Rubro Negro, que parece sim ter boas ideias dentro de campo, é triste constatar que em pouco tempo Barbieri já foi lobotomizado pelo pensamento dominante da atual gestão.
Não se fala mais em títulos, mas em ir mais longe possível. Era hora do treinador e do dirigente de futebol estarem criando metas para o segundo turno: "Tantos pontos a cada rodada".
Agora está explicada a dificuldade do Flamengo em estabelecer metas. Fica mais fácil não ser cobrado, afinal, como reclamar, por exemplo, do sexto lugar do ano passado, se a meta da diretoria era a classificação para a Libertadores? Capaz de dizerem "quem falou em títulos foi a torcida, a nossa meta sempre foi a Libertadores".
Reinaldo Rueda saiu de forma cretina da Gávea, mas gostemos dele ou não, em 18/10/2017, faltando dez rodadas para o fim do Brasileirão, lançou o desafio: "Precisamos ganhar as dez partidas que restam. Essa é a meta que propusemos. Sabemos que será difícil, mas esse é o nosso comprometimento na reta final".
Alguém será capaz de planejar quantos pontos o Flamengo terá que fazer no segundo turno para ganhar o Brasileiro? Quando se estabelece metas, alguém precisa ser cobrado. Tudo o que falta hoje no Rubro Negro.
Carlos Eduardo Mansur: "A terra do pragmatismo"
Como sempre, Carlos Eduardo Mansur coloca luzes de forma magistral sobre a forma de jogar do Flamengo.
É elogiável que Barbieri proponha um Flamengo com ideias ofensivas, marcação alta, troca de passes e agressividade. Afinal, quem no futebol brasileiro joga com apenas um volante, sendo este mais passador do que brucutu?
Mas, já dissemos isso aqui no Ninho, é humanamente impossível manter o nível de intensidade que esse esquema exige diante dessa sequência absurda de jogos decisivos.
Lembrando que a saída de Vinicius Jr e a entrada de Vitinho, que fecha mais pelo meio, ainda precisa ser assimilada pela equipe.
O problema? Vitinho chegou após a Copa do Mundo, e Barbieri terá que montar uma nova forma de atacar sem tempo para treinar. Ou seja, trocando a roda com o carro em andamento.
Diante dessa instabilidade, é tentador sim buscar um futebol mais conservador, principalmente quando não puder contar com os três meias e o time não conseguir manter o nível de intensidade, pela maratona de jogos.
Da mesma forma que Barbieri saudou um Flamengo "mutante" no jogo contra o Grêmio no Maracanã que valeu a classificação, porque não busca de imediato uma nova forma de atuar?
Confira na íntegra trecho da coluna publicada em O Globo nessa segunda-feira:
Maurício Barbieri tentou conduzir o Flamengo remando contra a maré vigente no futebol brasileiro. Montou um time com ideias ofensivas, baseado na construção, troca de passes, elaboração. Durante a maratona de agosto, optou por jamais usar onze reservas: descansou gradativamente seus jogadores. A cada partida, duas ou três mudanças, fossem pelos testes que detectam lesões iminentes, ou por lesões ou suspensões.
O resultado é um time que ainda está próximo da liderança do Brasileiro, mas perdeu terreno. Na Copa do Brasil, chegou à semifinal, mas agoniza na Libertadores. Barbieri, cinco meses no cargo, já está sob o julgamento sumário da máquina de moer técnicos.
A verdade é que o time joga pior do que em seus melhores momentos. E, claro, isto tem a ver com problemas próprios do elenco rubro-negro, entre eles a dificuldade de substituir qualquer um de seus meias quando necessário. Mas o roteiro do Flamengo remete ao contexto do futebol no país.
Com um meio-campo leve e técnico para os padrões brasileiros, o Flamengo depende de intensidade para marcar no campo ofensivo. Claro que sentiria a sequência de jogos. Taticamente, a perda de Vinícius Júnior, capaz de abrir o campo pelo lado esquerdo, criou outro obstáculo. Vitinho tende a buscar mais o centro, o que influencia toda a engrenagem ofensiva, o que inclui o meia pelo lado esquerdo — em geral Diego, ontem Paquetá no desastre de Curitiba — e o lateral Rene. Talvez a migração para o 4-4-2 fosse mais conveniente. A questão é mudar a forma de jogar sem tempo para treinar. Não é fácil.
É claro que o Flamengo vive momento de fragilidade, justamente quando a exigência aumentou. E tem um elenco caro demais para sentir tanto. E é fato que Barbieri nem sempre encontrou as respostas. Além disso, pouca coisa justifica um desempenho tão ruim como o dos primeiros 20 minutos no estádio do Atlético-PR. O Flamengo não está fora da disputa do Brasileiro, mas o viés de queda é preocupante e pode ser fatal.
Mas todo o cenário conduz a uma reflexão que excede a realidade rubro-negra. É desafiador reproduzir no Brasil uma prática europeia: a “rotação”, mudando três ou quatro peças a cada jogo. Onde técnicos caem, elencos mudam, onde se joga muito e se treina pouco, é difícil ter um elenco inteiro adaptado ao modelo de jogo. Cada troca de peça é um movimento delicado.
A instabilidade do Flamengo mostra, ainda, como o ambiente nacional é convidativo para que treinadores adotem modelos de jogo mais conservadores. Montar times que busquem trocar passes e criar contra defesas posicionadas atrás é uma construção mais complexa e envolve riscos. Com cargos sempre na berlinda, poucos assumem. Porque raramente a paciência dura tanto quanto o tempo necessário para a maturação de ideias de futebol.
Nos últimos anos, o Campeonato Brasileiro consagrou times de forte marcação, mais pragmáticos. O São Paulo, atual líder, é fortíssimo no contragolpe, assim como o vice-líder Internacional. Ambos são muto competitivos, organizados e eficientes. Mas é natural que jogos contra times fechados lhes criem inconvenientes.
Ontem, contra o fechado Paraná, os gaúchos tiveram a bola. A troca de passes e a criação não é o forte, mas o time esbanja intensidade, presença física no campo rival. Sufocou os paranaenses, mas recorreu a 38 cruzamentos na área e o gol só veio aos aos 51 minutos da etapa final. Contra a Chapecoense, o São Paulo também claudicou quando tentou ter iniciativa, até vencer por 2 a 0, com apenas 45% de posse de bola.
Não há modelo certo ou errado, o preocupante é o futebol brasileiro inibir estilos mais arejados. Aqui, o que impera é a lei da adaptabilidade.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Copa do Brasil 2018 - 1º jogos das Oitavas: Ponte Preta 0 x 1 Flamengo
Na quinta-feira tem o jogo de volta no Maracanã com a vantagem do empate.
O grande mérito do Barbieri foi fazer aquilo que era unanimidade entre alguns: Paquetá de segundo volante, ajudando Cuellar e qualificando a saída de bola. No entanto, ninguém tentava tamanha ousadia, afinal, como não ter volante nessa posição.
Preferiram continuar apostando no trivial, em William Arão.
Paquetá tem sido o dono desse meio de campo. Já tem 13 desarmes no Brasileirão, tem melhorado seus chutes, os principais ataques do Flamengo saem dos pés dele e ontem foi o responsável pela assistência para Dourado marcar o único gol da partida.
Só precisar lembrar que atuando na saída de bola vai precisar ousar menos e ser mais rápido na distribuição. Lá perto da área ele pode driblar e tentar as jogadas mais agudas, sem grande risco se perder a bola.
Sem Diego, falta no elenco do Flamengo um reserva que faça suas características em seus melhores dias. Deveria ser um reforço que o clube teria que investir, principalmente pelas más atuações do atual camisa dez.
Éverton Ribeiro não pode ser esse jogador. Falta-lhe explosão, arrancada, velocidade de cortar da direita caindo pelo meio, em que pese o bom passe vertical, como a que encontrou Paquetá livre dentro da área. Mas é pouco. Nem lembra aquele jogador dos tempos do Cruzeiro.
Geuvânio poderia ser uma boa opção pela direita, se também fosse o jogador que era no Santos.
Assim vive o Flamengo, na expectativa de que seus jogadores apresentem futebol de anos atrás. Gasta-se muito e o retorno é fraco. Enquanto isso, Paquetá e Vinicius Jr vão resolvendo a situação.
Marlos Moreno já deveria ter tido mais oportunidades. Porém, continua jogando poucos minutos.
Jean Lucas pode também ganhar mais rodagem e ser melhor aproveitado.
Jean Lucas pode também ganhar mais rodagem e ser melhor aproveitado.
Barbieri fez boa leitura em colocar o meio de campo Rubro Negro sob os pés de Paquetá, mas comete muito erros de substituição, que comprometem qualquer atuação. Num jogo decisivo, onde vai precisar de tomar decisões arriscadas, não vai dar certo. Por enquanto ganhou de times que vão brigar para não ser rebaixado (América-MG, Ceará e Ponte Preta), ainda vai precisar ser testado em jogos contra adversários mais perigosos e melhores. Domingo já será um bom desafio contra o Inter.
É um risco muito grande apostar todas as fichas nele. Flamengo novamente comete o erro de ter um treinador inexperiente e reza pra dar certo. Assim o futebol Rubro Negro é tocado, como diz o presidente Bandeira: "Vamos levando".
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