Na contratação de um treinador estrangeiro o risco é sempre grande de procurar mais uma grife do que alguém que se encaixe na realidade desejada pelo clube.
Não sei qual o perfil que a diretoria Rubro Negra traçou como modelo, mas sei que os atributos do Bauza me agradam demais e encaixam exatamente na fase vivida pelo Flamengo.
Se não vejamos:
Linkei mais cedo no twitter um ótimo post do Joza Novalis, repórter esportivo, estudioso do futebol argentino.
Bauza é bicampeão da Libertadores: LDU em 2008 na final contra o Fluminense e agora com o San Lorenzo. Mas nem é isso que me encantou mais.
O clube argentino vivia uma grave crise financeira. Eis que Matías Lammnes é eleito presidente e, ao lado do empresário Marcelo Tinelli inicia uma gestão financeira milagrosa e que salvaria o clube que se encontrava à beira da falência.
"Soluções foram apresentadas para todos os problemas, inclusive o da montagem de um time competitivo. Embora ótimos atletas chegassem, nenhum técnico dava certo. Pelo cargo passaram sete treinadores de peso, entre eles: Simeone, Turco Asad, Miguel Ángel Tojo".
Quando finalmente apareceu um treinador que encaixou a equipe, Juan Antônio Pizzi aceitou uma proposta do Valência e foi embora.
Contrataram na sequência o Bauza e este, desde o primeiro instante, recebeu carta branca para impor seu estilo de jogo rigoroso e reflexivo.
O começo foi complicado, os jogadores não entendiam que, por exemplo, um atacante antes de atacar precisava defender. E teve início focos de insatisfação, liderado pelo craque Romagnoli, mas que logo foram abafados pelo técnico:
"Deseja ir embora? Tudo bem, está vendo aquele ônibus estacionado ali? Pois bem, veio para cá apenas para levá-lo para Buenos Aires". Esbravejou o Bauza para Romagnoli em pleno gramado. O treinador já havia previsto essa rebelião e se preparado para ela.
Impressiona também a declaração do jogador Villalba: "Bauza modificou completamente minha cabeça e a maneira de ver as coisas dentro de campo". Neste sentido, encaixa perfeitamente com a mudança de mentalidade e comportamento proposto pela EXOS - um vai atuar dentro de campo e o outro fora.
Conversei depois com o autor do texto, que afirmou que: "seus times não ganham de goleada. Na maioria das vezes um ou dois gols. A vantagem é que não toma gol".
Questionei ao jornalista se os poucos gols devem ser levados em consideração a qualidade técnica dos atacantes das equipes dirigidas pelo Bauza ou porque os homens de frente se preocupam mais em recompor a defesa. Ele respondeu que recomposição dos atacantes é lei para o argentino e quando suas equipes tinham bons atacantes, faziam gols, quando não, faziam o necessário.
E ainda que "em geral, Bauza é o tipo de técnico que sabe entender o momento ruim de um Guerrero, por exemplo. Neste sentido, o Flamengo ganharia".
Disse a ele que, a meu ver, o principal objetivo do time é se reorganizar taticamente, defender de forma compacta e que o ataque seria consequência disso tudo. O jornalista respondeu que, neste caso, será difícil encontrar um treinador melhor do que o Bauza.
É claramente um Tite no começo do Corinthians, ou como era rotulado: "empatite". Essa fase artilheira da equipe paulista é uma novidade do treinador, que estudou fortemente no ano sabático que tirou. Somou-se à defesa forte, compactação defensiva e ataque em bloco. Ninguém joga assim no futebol brasileiro.
Em outro post sobre o técnico argentino, o jornalista Joza Novalis descreve-o como um dos poucos estudiosos do futebol "um maluco que entende de tudo":
O mais importante mesmo, se ele vier, será superar o momento inicial de adaptação e os possíveis resultados ruins e acreditar no trabalho. Se chegar mesmo, me parece uma ótima escolha.





