terça-feira, 25 de março de 2014

"O basquete do Flamengo agradece 2", por Alexandre Póvoa


O vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, Alexandre Póvoa, enviou carta comemorando a inédita e invicta conquista da Liga das Américas.

O Póvoa também deixou um recado na caixa de comentários do post sobre o Marcelinho MVP bem maneira. Depois deem uma olhada.

Merecem parabéns pelo brilhante trabalho da turma: Vido, Póvoa e Guimarães formam um trio que vai colocar o basquete Rubro Negro em outro patamar. Não somente a nível de conquistas, mas também em sustentabilidade e profissionalismo, como o esporte merece.

Mas também tem a turma que não apareceu. Como aquela que chegou a dormir no Maracanãzinho para dar conta de colocar tudo pronto pro Final Four. O ginásio estava completamente abandonado nessa transição governo-consórcio. Não havia estrutura nenhuma para fazer um evento desse nível que vimos. Só tinha a casca de um ginásio. Não tinha placar, tabelas, quadras e até simples bancos.

Na venda de ingresso, o Flamengo gostaria de ter operado pela empresa da final do último NBB, porém o consórcio que administra o Maracanãzinho tem contrato com uma empresa própria. Todas as regras foram definidas por eles. Desde os pontos de vendas até a impossibilidade de vender o combo para os dois dias.

Não tinha outra alternativa, a Arena da Barra estava ocupada - lá era só "chegar e jogar", então a solução foi arregaçar as mangas e organizar esse evento top em apenas dez dias.

Destaco também o excelente planejamento feito para as viagens para Quito e Xalapa. O time ficou quase um mês sem jogar o NBB, no intervalo entre primeira fase da Liga das Américas, Jogo das Estrelas e fase semifinal da Libertadores do Basquete, podendo com isso viajar bem cedo para se adaptar à cidade.

Que venham mais edições de cartas: "O basquete do Flamengo agradece 3, 4, 5, 6..."

Sem mais delongas, confira a missiva:



Caros amigos do basquete do Flamengo,

Em junho do ano passado, escrevi uma carta (“O Basquete do Flamengo agradece”), comemorando a grande conquista do título da NBB 5.

Sábado passado foi mais um dia de emoção única para quem ama esse esporte e para quem aprendeu a ver o Flamengo no topo em qualquer área. Jogamos oito partidas na Liga das Américas (a Libertadores do Basquete), vencemos todas, em um torneio em que participam todos os campeões e vice-campeões dos torneios nacionais da região, da Argentina ao México. Foi um sonho, do qual ainda preferimos não acordar ainda. Somos campeões das Américas, o maior título de nossa história. Em um Maracanãzinho lotado, conseguimos, todos juntos, atingir esta glória.

Cabe ressaltar que um grupo vencedor não se faz apenas com passes precisos, defesa forte e cestas de três pontos. Esse time foi extremamente profissional e comprou o nosso projeto, mesmo com as dificuldades de conhecimento público que o clube atravessou durante o ano de 2013 (por conta da alternativa de voltarmos a ser um clube cidadão e pagar R$ 120 milhões em impostos). Salários atrasados não tiraram o foco da equipe durante um dia sequer, sempre prevalecendo o respeito ao manto rubro-negro. Estamos tratando de verdadeiros campeões, no sentido mais profundo da expressão, que merecem todos os aplausos.

Hoje, com o título de campeão das Américas nas mãos e a maior parte dos compromissos atrasados (alguns de longa data, por sinal) já encaminhada e/ou resolvida, todos têm a impressão de que o caminho foi fácil. O grupo foi bravo! Jogamos, por exemplo, em lugares complicados como a altitude de Quito e a longínqua Xalapas, a cinco horas da Cidade do México. Todos jogaram, ninguém reclamou, vencemos sempre.

Parabéns aos jogadores, à competência da comissão técnica comandada pelo José Neto, ao comando do Marcelo Vido nos Esportes Olímpicos (estamos trabalhando para que todos se auto-sustentem e atinjam no futuro a excelência)  e o melhor “sexto homem” do campeonato – simplesmente, a maior torcida do mundo. Obrigado a todos que acreditaram nesse sonho, sobretudo blogs e imprensa.

Muita gente ainda tem a coragem, mesmo depois de uma conquista dessa, de perder um tempo enorme discutindo se diretorias anteriores têm ou não o mérito nesse título. Esse papo é de um “anti rubro-negrismo” irritante e triste e prova que tem gente que, definitivamente, entende muito pouco de Flamengo. Sempre cito como “colaboradores permanentes”,  todos que construíram esse basquete rubro-negro, figuras emblemáticas como  Kanela, Algodão, Pedrinho, Almir, entre tantos outros. Mas uma menção especial para as bênçãos de Gilberto Cardoso, nosso presidente que morreu (causa mortis: excesso de paixão) após uma cesta no último segundo em 1955, que resultou em título carioca e que introduziu naquele ginásio uma grande aura rubro-negra.

O time e a diretoria atual são apenas um pequeno parágrafo nessa linda história. Esse grupo foi montado a dedo, a partir da equipe campeã do ano passado. Nosso objetivo maior dessa temporada foi atingido. Mas tenham certeza que se trata apenas do começo. Agora, vamos partir para o tricampeonato da NBB 6, competição que estamos liderando . Em outubro, o sonho continua, com a disputa do campeonato mundial, se Deus quiser no Rio de Janeiro, contra o campeão europeu. E vem mais coisa por aí!

Podemos ganhar, podemos perder, mas vamos com tudo! O verdadeiro flamenguista só tem um dever básico: Pensar grande, sempre! Que consigamos transformar nosso ufanismo e megalomania saudável (de uma geração que viu Zico e cia. ganharem tudo) em planejamento, disciplina, treinamento e profissionalismo que, em sinergia com a maior torcida do mundo, vão sempre resultar em vitória.

Afinal, como canta a torcida,  o “Basquete é o Orgulho da Nação”!

Saudações campeãs das Américas,

Alexandre Póvoa
Vice-Presidente de Esportes Olímpicos do C.R. Flamengo


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