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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Reportagem em O Globo revela que além da falta de contingente, houve queda na qualidade de serviço da PM

Importante reportagem em O Globo dessa terça-feira onde revela que, apesar da PM ter informado que 650 policiais foram destacados para o segundo jogo da final da Sul-Americana, fontes ligadas à operação do jogo negam o número.

Além do contingente menor, mesmo o Flamengo tendo solicitado reforço máximo, é indicado uma queda de qualidade no serviço: os agentes sequer utilizaram rádio de comunicação, que coordena as ações no estádio, sobrecarregando o GEPE.

O que prova mais uma vez que a falência da segurança pública do Rio, escancarada a todos e que prejudica diariamente os moradores, chegou ao futebol:

Confira trecho da matéria:

Na mesma reportagem, foi destacado que das 13 ocorrências no estádio, não há informações ainda sobre a identidade dos torcedores, mesmo contando com 709 stewards - seguranças internos do estádio, que não impediram as cenas de vandalismo e violência dentro do Maracanã.

Se não bastassem a perda do título e a indefinição da punição que a Conmebol aplicará ao clube, os prejuízos financeiros já começam a bater na porta da Gávea.

O Flamengo precisará pagar de R$ 600 a R$ 800 mil pelos estragos causados por torcedores Rubro Negros no Maracanã: mais de 100 cadeiras, catracas de acesso, bar, bebedouros, luminárias e até um carrinho de pipoca. 

E os R$ 400 mil por ter chegado à final, também foram bloqueados pela Conmebol, pois é o valor máximo previsto no regulamento para aplicação de multas em casos de infrações ao regulamento da competição.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Uma semana antes da final, Flamengo encaminhou ofício temendo circulação de torcedores sem ingresso

Após invasões em menor escala na semifinal e final da Copa do Brasil contra o Botafogo e Cruzeiro, respectivamente, a situação explodiu na final da Sul-Americana contra o Independiente.

Já prevendo problemas, o clube Rubro Negro encaminhou ofício à Federação Carioca de Futebol e a todos os órgãos de segurança no dia 7 de dezembro de 2017, seis dias antes da final da competição, mostrando-se preocupado com a circulação de torcedores sem ingressos nas intermediações do Maracanã, pois todos os ingressos haviam sido vendidos via sócio-torcedores, destacando que não haveria ingresso disponível para venda na bilheteria.

O ofício foi encaminhado também para o GEPE, Comando da Polícia Militar, 6º Batalhão, Secretaria Municipal da Ordem Pública do Rio, Guarda Municipal e Complexo Maracanã.

Pelo que consta, não houve retorno.


O ofício está no site da FERJ, anexado à ata de reunião.

No mesmo documento, consta que o efetivo do GEPE seria de 310 e 174 da PM, totalizando 484 homens de segurança.

À título de comparação na final da Copa do Brasil, no Maracanã, foram 450 homens no total. Lá em Belo Horizonte, no jogo de volta, em coletiva, foram anunciados 2500 policiais militares.

Seria possível o Flamengo ter contratado seguranças particulares para garantir proteção da sua torcida que paga tão caro o sócio torcedor e o ingresso? A segurança pública do Rio permite esse tipo de contratação?


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Em bom texto escrito pelo Leslie Leitão, o jornalista questiona porque o GEPE não isolou o estádio para só quem tivesse ingresso na mão.

Confira:

Na última quarta-feira os erros do Gepe foram banais. Praticamente toda a confusão – planejada e divulgada por bandidos nas redes sociais – só ocorreu em virtude da desorganização da PM. Três dias antes já havia uma convocação para invasão do estádio. Havia também uma convocação para fazerem baderna na porta do hotel do Independiente na véspera da partida. E ninguém fez nada. Esperaram o pior acontecer. Tanto na noite anterior quanto no dia do jogo. O mais grave é que nem a confusão da véspera ligou o alerta da PM para o clima hostil que havia sido criado.  
A PM não isolou o estádio para que só quem tivesse ingresso conseguisse acessar determinado perímetro, algo normal em qualquer país do mundo – inclusive na Argentina – e como foi feito nas Copas das confederações e do Mundo, quando milhares de black blocs (com seus coquetéis molotov) protestavam mas não conseguiam se aproximar do Maracanã em virtude da atuação do Batalhão de Choque. Como os ingressos da final estavam todos vendidos desde a semana anterior, bastava o Gepe informar, através da imprensa e das redes sociais, que só acessaria as ruas de acesso ao estádio quem estivesse com o comprovante de compra do ingresso nas mãos. Não há mistério. Não tem desculpa. A PM atuou dentro do estádio, junto com a segurança privada do jogo, e assim não houve invasão de setor, não houve invasão de campo, não houve confronto de torcidas e nem rojões foram atirados em campo. Fora, falhou e desencadeou a invasão do Maracanã, como já havia ocorrido, em menor proporção, na final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

"A hora do protagonista", por Gustavo de Almeida

Por que o Flamengo tem grande parcela de culpa pelo caos de quarta-feira? Por que não tratou o jogo como se fosse uma final de Copa do Mundo, montando esquema pesado de segurança, de proteção ao redor do estádio para evitar aquelas cenas absurdas que rodaram o mundo?

Nada do que aconteceu foi novidade ou obra do caso. Tudo foi previsto, esperado, aguardado. Tanto que o próprio Flamengo pediu pra torcida entrar cedo no estádio. A única ação que fizeram, no entanto, foi "duas cervejas por R$ 10".

O clube não é o responsável pela segurança pública, porém, o que estava em jogo era algo que lhe afeta de forma tão profunda que foi injustificável ter ficado de braços cruzados esperando que, por intervenção divina ou um possível título, nada de ruim acontecesse.

O jornalista Gustavo de Almeida escreveu perfeitamente sobre o assunto. O link original está aqui.

Confira na integra:


A noite tenebrosa do dia 13 de dezembro de 2017 nunca mais pode ser esquecida – não só pelo empate pífio de um Flamengo sem vitaminas. O acontecimento que mais nos envergonha, todos sabemos: é a lamentável série de acontecimentos envolvendo torcedores no entorno do Maracanã, antes, durante e depois da partida. Mas, dia seguinte, adversário já de volta a seu país com a taça, restou a nós recolher os cacos e avaliar o prejuízo.

Mas ficou no ar a pergunta: de quem é essa crise?

Claro que estou falando em crise pulando uma etapa – a de avaliar se é realmente uma crise.
E convenhamos: o clube passou cerca de 17 horas nessa fase, uma vez que foi só fim da tarde de quinta-feira que seu posicionamento foi divulgado.

E qual era o posicionamento? O jornal Extra, que costuma sempre ser mais duro, implacável e mantém o hábito de girar a faca enterrada no abdome alheio, resumiu: “Flamengo joga a culpa em polícia e torcedores”. Como no rap de Marcelo D2 e Leandro Sapucahy, “coloca a culpa de tudo nos homens do camburão/eles colocam a culpa de tudo na população”.

Como profissional com 23 anos de estrada, eu afirmo categoricamente que aquela nota não foi feita por um profissional de comunicação ou de gerenciamento de crise. Calma. O Flamengo os tem. E dos bons. O que quero dizer é que nessa crise prevaleceu aquele que é geralmente o terror dos consultores de comunicação: o Cliente.

É mais do que óbvio que um colegiado de dirigentes se reuniu para elaborar a nota. E a opinião de quem é profissional de crise deve ter sido algo em torno de 10%.

Para que fique mais claro o porquê de eu considerar que o clube falha ao transferir responsabilidades pelos fatos para terceiros, cito aqui o case relatado no excelente livro Gestão de Crises e Comunicação, de João José Forni, autor que foi assessor de imprensa do Banco do Brasil e se deparou com várias situações espinhosas. Forni discorre sobre as crises que aparentemente não têm a ver com a empresa ou com a marca, como por exemplo os desastres naturais (embora o Flamengo não tenha usado essa expressão, a nota do clube trata os torcedores que assaltaram um ambulante e o outro que roubou pertences de um atropelado quase como chuvas fortes ou pequenos ciclones).

Vamos ao que diz Forni sobre isso:

“Um desastre natural, por exemplo, pode não ser uma crise. Tem potencial para isso - mas num segundo estágio, caso não seja bem administrado, principalmente em relação ao público afetado pelo evento”.

Vamos, juntos, descobrir quem é o “público afetado”?

a) O torcedor honesto, que compra ingressos e paga a mensalidade do Sócio-Torcedor
b) Moradores do entorno e pessoas que passaram pelo estádio
c) Torcedores que pagam o ST mas viam pela TV o jogo
d) Autoridades públicas
e) Emissoras que transmitiram o evento e suas consequencias

Entendamos aí então que o Flamengo precisava tomar uma providência em relação a esses públicos, já que o dano de imagem foi provocado por, essencialmente, dois fatores:

1- Seus torcedores excluídos, por condições sócio-econômicas, do hábito antigo de consumir Flamengo no estádio (torcedores para os quais o clube não consegue encontrar uma solução financeiramente viável, o que obriga a gestão a sacrificar um traço cultural importante e histórico) e que resolveram força a entrada gratuita, num movimento inédito e “justificado” pela já gasta vitimização da pobreza.

2- O clima de guerra altamente previsível (neste ponto, o poder público – NÃO APENAS A POLÍCIA – poderia ter agido com mais presteza) devido aos ataques sofridos pela delegação rubro-negra em Buenos Aires e, mais ainda, às imagens de torcedores argentinos praticando atos de racismo. Cabe lembrar que o Grêmio foi expulso de uma Copa do Brasil porque o goleiro Aranha foi vítima de racismo no Olímpico.

Por esses dois fatores, uma análise intelectualmente honesta não pode deixar de colocar o Flamengo no papel de Protagonista (papel que o clube sempre assumiu com naturalidade no Rio e no Brasil). E sendo o Flamengo protagonista, não deveria se posicionar como o cunhado churrasqueiro que deixa a picanha queimar no churrasco de família, aquela postura de “tou sozinho olhando a carne, tinha que queimar mesmo”. Não. O Flamengo é o maior clube do Brasil, é um país-clube. Não acharia errado se em vez do Luiz Fernando Pezão o governador do Rio fosse simplesmente o Flamengo.

Causa estranheza um posicionamento em que o Flamengo, organizador do espetáculo, responsável pelo jogo, dono do mando de campo, e principalmente, VENDEDOR DE INGRESSOS, promete “discutir com o poder público” as soluções.

Voltamos então a Forni, quando conta o caso da companhia aérea Jet Blue. Resumindo, ele descreve o caso ocorrido às vésperas do Valentine’s Day americano (13 de fevereiro), em que a demanda por voos naturalmente é maior, com centenas de casais à distância que querem se ver. Pois na véspera, em Nova York, uma grande nevasca praticamente soterrou o JFK e, de 156 voos programados, apenas 13 decolaram.

Milhares de passageiros enfurecidos ficaram no saguão do aeroporto, apinhados.

O leitor sensato já deve estar dizendo, “puxa, mas a culpa não é da Jet Blue, né?”. E eu concordo. Assim como concordo quando alguém diz “Olha, a culpa não é do Flamengo se um cara é atropelado e outro resolve roubá-lo enquanto ele está desacordado” ou mesmo “A culpa não é do Mengão se um bando de torcedores invade o estádio, é da polícia”.

Concordo. Estamos, porém, falando de culpa – e culpa não serve para nada a não ser para encher presídios. E convenhamos: no Brasil do Bateau Mouche, nunca ninguém vai preso por problemas em eventos. Não existe.

O que fez a Jet Blue, como nos conta Forni?

1- Assumiu plenamente o problema da operação
2- O presidente da empresa EM PESSOA, David Neelman, acompanhou o desenrolar da crise recebendo informes
3- A empresa foi mobilizada em TODO O PAÍS para resolver a crise
4- O CEO fez um pedido de desculpas público aos 130 mil afetados pelos atrasos e cancelamentos
5- O mesmo CEO providenciou todas as facilidades para trocar vantajosas de passagens e várias compensações de bilhetes grátis e até mesmo indenizações de mil dólares para quem tivesse perdido algum compromisso
6- Uma semana depois, o CEO veio a público divulgando um documento chamado Carta dos Direitos dos Passageiros.

O que provavelmente fez o cliente da Jet Blue? Bom, cada um tem uma história, mas sabemos o que eles sentiram: que estavam gastando seu dinheiro em uma empresa que se importa com seus clientes.
A Jet Blue poderia simplesmente informar aos 130 mil passageiros que a culpa foi da neve? Poderia. Mas o passageiro se sentiria como que abandonado pela companhia. E isso é mortal.

Quando o Flamengo se limita a tentar se livrar da culpa tal e qual um nadador emergindo de um rio com o corpo coberto de sanguessugas, ele não aparece como protagonista, e sim como vilão. É uma empresa que não soube lidar com a diversidade de seus clientes (o velho discurso marxista-cultural do pobre contra rico, quando a questão é basicamente pagar boletos), uma empresa que não avaliou o cenário (um cenário muito fácil de avaliar), uma empresa que tem um programa de Sócio-Torcedor que é tão “moderno” a ponto de demandar que o sujeito “troque o ingresso em um posto de troca”, isso em um dia de decisão – e pior, dia de semana, misturando torcedores a trabalhadores em horário de rush.

Repetindo: o Flamengo trouxe as pessoas, o espetáculo, os ingressos, os jogadores. Deu errado. E depois disso, tentou avaliar os erros DO GEPE, em vez dos próprios erros.

O dano possível (torço para que não aconteça): o seu consumidor – seja ele sócio ou não – perder a confiança na instituição do mesmo jeito que obviamente perdeu a confiança no time.

E o único jeito deste ativo gigantesco chamado Confiança não se perder é o Flamengo colocar a braçadeira de comandante-em-chefe da vida mundana brasileira e empreender as mudanças que só os grandes protagonistas são capazes de liderar.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Copa Sul-Americana 2017 - 2º jogo da final: Flamengo 1 x 1 Independiente


À exemplo de 1995, o sonho de terminar a temporada de fracassos com um título foi por água abaixo. Tanto lá quanto cá, os graves problemas antes e depois do jogo se repetiram, que vão merecer um capítulo à parte.

Outra vez ocorreu invasão, brigas, gente pisoteada e muita confusão. Um clima absurdo de guerra, de ameaças tomou conta dos entornos do Maracanã. Presenciei antes do jogo diversas crianças e famílias não conseguindo entrar no estádio porque as bombas, a correria e o gás de pimenta eram intensos. E depois do jogo era assustadora a quantidade de bombas voando, tiros disparados, grades sendo arremessadas, pessoas desesperadas sem saber para onde correr e a bandidagem roubando quem passava.

Falha grave da segurança pública de um falido Rio de Janeiro, e também do Flamengo, que deve receber uma dura punição. Afinal, era de conhecimento público que teriam invasão e brigas, e foram incapazes de armar uma barreira para só acessar a área perto das entradas quem tivesse com o ingresso.

O Rubro Negro perdeu uma chance imensa de criar uma casca em competições sul-americanas, após duas eliminações seguidas na fase de grupos da Libertadores. Ganharia moral derrotando uma equipe de tanta tradição sul-americana e daria fôlego a um elenco que lutava para parecer cascudo, pelo menos nessa competição. Eram so aparências. O time mostrou que segue sem nenhuma estrutura psicológica e expôs sua frágilidade em termos de organização, diante de um adversário muito melhor prostrado, que não se abateu com o ambiente hostil e muito menos com o gol sofrido. Mostrou porque são de fato "os reis de copas".

O gol perdido pelo Éverton logo no começo foi um mal sinal. Uma finalização bizarra, sem olhar, diante de um goleiro que já estava caído.

Se Diego fazia outra uma partida bem ruim, Paquetá realizava jogo de gente grande e experiente. Impressionou a tranquilidade, a frieza. A bola grudava no pé e ninguém tirava. Já havia marcado no Maracanã pela final da Copa do Brasil, voltou a balançar as redes agora pela final da Sul-Americana.

Porém, a vantagem e a euforia duraram pouco. Em um pênalti muito mal marcado pelo árbitro de vídeo, o Independiente chegou ao empate. Como conseguiram ver a penalidade, em um jogo onde poucos contatos físicos eram marcados, é uma incógnita.

Aliás, a arbitragem também merece um capítulo à parte. Os absurdos três minutos de acréscimos em cada tempo, após um longo período para decidir sobre o pênalti, a contusão do César que ficou mais de cinco minutos sendo atendido no gramado e as seis substituições, além de a todo momento o árbitro mandando voltar para que se cobrasse a falta no ponto exato onde ocorreu.

Merece discussão se a arbitragem de vídeo não vai funcionar também para avisar pro árbitro que o jogo ficou paralisado por tantos minutos. Em suma, uma vergonha.

No segundo tempo um Flamengo morto, sem forças para reagir, sem saber como chegar na área do Independiente. Se não fossem as bolas erguidas na área, não teria levado perigo algum. A única jogada individual foi com Paquetá, que merecia outro gol pela categoria.

Por pouco Réver não marca de cabeça e no rebote, no último minuto. O Independiente com mais espaço, valorizava a posse de bola, não recuou tanto como na Argentina, não ficou esperando o time do Flamengo e ficou perto da virada, se não fosse Juan salvando em cima da linha.

Por fim, Rueda foi obrigado a usar a base, e jogar com atletas de 16 e 17 anos em plena final sul-americana porque as super contratações da diretoria não resolveram.

A única que deu certo foi de Diego Alves, e só veio por apelo da torcida, que pressionou pelas redes sociais. Todas deram erradas ou não foram utilizadas quando deveriam. Muito dinheiro gasto, muita contratação furada e um planejamento que gastou muita grana para pouco resultado.

Mas o trabalho do Rodrigo Caetano segue indiscutível. O atual vice-presidente de futebol, Ricardo Lomba, já até anunciou que o executivo está garantido para 2018, tudo capitaneado pelo presidente Eduardo Bandeira, que até outro dia comandava diretamente o futebol (não que hoje tenha se afastado) e Fred Luz, CEO do clube.

O Flamengo saiu derrotado em várias frentes, em todos os sentidos na noite dessa quarta-feira, e conseguiu até arrastar a torcida para o meio desse furacão.


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O Ninho da Nação foi convidado pela Bumbet, site de jogos on-line e patrocinador oficial da Copa Sul-Americana para assistir o jogo da final no camarote da empresa. Parabéns à turma pelo ótimo ambiente e serviço proporcionados aos convidados. Se tivesse vindo o título, teria sido uma noite Rubro Negra perfeita.


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O histórico de Flamengo x Independiente

1995

Era 6 de dezembro de 1995, ano do centenário, e o Flamengo precisava de um título para salvar a temporada, que havia começado esperançosa, com a contratação de Romário, campeão do mundo, que se juntou ao jovem Sávio, formando com Edmundo o que deveria ter sido o "melhor ataque do mundo".

O Flamengo já havia perdido o título estadual no gol de barriga de Renato Gaúcho, havia sido eliminado da semifinal da Copa do Brasil para o Grêmio de Felipão e fazia um Brasileiro miserável. 

A última esperança era a Supercopa dos campeões, torneio que reunia os campeões da Libertadores. A campanha era boa: havia eliminado o Vélez da Argentina, Nacional do Uruguai e o Cruzeiro. Já o adversário, das três classificações, duas foram obtidas nos pênaltis.

No primeiro jogo, sem Edmundo, que havia se envolvido no acidente de carro que provocou a morte de duas pessoas no Rio de Janeiro, o Independiente fez 2 x 0, com o jornalista Apolinho de treinador da Gávea.

O primeiro gol argentino foi relâmpago: logo aos 40 segundos. Segundo relato do jornal, Romário e Sávio faziam uma partida apagada. O jogo seguia quente, com muitas faltas. Aos 27 minutos do segundo tempo, quando o Flamengo era melhor, o Independiente marcou o segundo.


Aqui o histórico com as notas e comentários sobre as atuações dos jogadores sem firulas: "mal na defesa, pior no apoio", "cobrança de falta bisonha" e "noite horrorosa".


O time voltou pro Rio com a missão de encerrar a temporada com o título, após altos investimentos feitos para o ano do centenário:


O Maracanã recebeu mais de 105 mil torcedores. As catracas foram arrebentadas e houve invasão do estádio. Uma mulher foi pisoteada e faleceu dias depois.

Porém, o resultado não veio, e o centenário terminou de forma trágico. Apenas 1 x 0 aos 16 minutos da etapa final com gol de Romário não foi o suficiente:


E as notas com os ótimos comentários: "Horroroso", "Nem cruzamento de bola parada acertou", "Inútil como cabeça de área". 



1999

Quatro anos depois, Flamengo x Independiente se cruzaram novamente, porém, dessa vez, pela quarta de final da Copa Mercosul em 1999. O último título relevante havia sido em 1992, apesar da vitória contra o fortíssimo Vasco no Estadual daquele ano, recém campeão da Libertadores no ano anterior.

Na última rodada da fase de grupos o Flamengo precisava de vencer por diferença de quatro gols para conseguir a classificação. Romário tratou de garantir a vaga marcando os quatro. Com 35 minutos do primeiro tempo, a missão já estava cumprida. Terminando com um sensacional 7 x 0 contra o Universidad do Chile.

No primeiro jogo da quartas de final, empate com sabor de heroísmo. Com dois a menos o Flamengo segurou como pôde o 1 x 1 em Buenos Aires. 

A história do jogo conta que Beto foi expulso no primeiro tempo e mesmo com um homem a menos, Fábio Baiano abriu o placar. Na etapa final, Reinaldo também foi expulso. Os argentinos empataram e Clemer pegou tudo para segurar o importante resultado e decidir a vaga no Maracanã.


Os preparativos para o jogo de volta foram animadores: quem comprasse ingresso até às 18h no metrô da Gávea ou no Maracanã garantiria também o ingresso para assistir o jogo contra o Santos pelo Brasileiro para garantir o G8. (Não adiantou muito, porque o Rubro Negro perdeu por 1 x 0 gol de Dodô. Ato contínuo, na última rodada, com todos os resultados favoráveis para voltar a entrar na zona de classificação do Brasileiro, acabou perdendo para o Juventude por 3 x 1. Foi justamente no Sul do país a última partida de Romário pelo Flamengo. A partir da semifinal da Mercosul em diante, quem deveria resolver era Lê, Reinaldo, Caio e cia)

Sem Reinaldo e Beto expulsos na Argentina, os problemas de contusão eram inúmeros: Fabão, Jorginho, Leonardo Inácio, Rodrigo Mendes, Caio e  Marco Antônio também desfalcam o elenco do Carlinhos, que contou com apenas cinco suplentes no banco de reservas: Júlio César, Juan, Ronaldo, Maurinho e Lê. 


Com menos de 24 minutos o Flamengo já atropelava o Independiente por 3 x 0: Leandro Machado aos 10, Fábio Baiano aos 15 e Romário aos 24. E aos 11 minutos do segundo tempo, Leandro Machado marcou seu segundo gol.


A vaga para a semifinal estava garantida e o adversário seria o Peñarol.


2001

Após um começo horrível na Copa Rio-São Paulo, quando o Flamengo fez sua pior campanha na história, o sol começou a brilhar na Gávea. 

Na disputa pelo título da Taça Guanabara, decisão contra o Fluminense, pênaltis, e o gol espírita de Cássio, após defesa do goleiro tricolor, a bola quica e entra de mansinho. O Vasco venceu a Taça Rio e novamente os dois rivais estavam na disputa pelo Carioca.

Primeiro jogo, vitória vascaína por 2 x 1. O Flamengo precisaria de ganhar por dois de diferença para ser campeão. Vencia por 2 x 1 até os 43 minutos do segundo tempo, quando Petkovic fez o histórico gol de falta, que rendeu o tricampeonato carioca, ambos conquistados em cima do rival de São Januário. 

Logo na sequência, embalado pelo título carioca, nova conquista: Copa dos Campeões, torneio que reunia os campeões estaduais e o campeão se classificaria para a Libertadores do ano seguinte. No primeiro jogo da decisão contra o São Paulo, vitória por 5 x 3, no segundo, derrota por 3 x 2. Pet novamente marcou outro golaço de falta, o segundo, que garantiu a conquista. Em poucos meses, dois títulos seguidos, e a classificação para a Libertadores do ano seguinte. 

A temporada deveria ter sido animada, no entanto, no decorrer do ano, novamente um Brasileiro tenebroso, lutando para não ser rebaixado. 

Outra vez o clube joga todas as fichas na Mercosul. O espírito era bem diferente: primeiro lugar do grupo 2 com apenas uma derrota e novamente o adversário nas quartas de final era o Independiente. 

Primeiro jogo da final, uma boa atuação do Flamengo, que criou as melhores chances, mas não conseguiu marcar. O empate sem gols estava de bom tamanho:


Vésperas do jogo de volta, que foi disputado em Brasília, problemas internos entre as duas estrelas da equipe: Edilson e Petkovic. Tudo começou quando o gringo se recusou a assinar uma camisa com os dizeres: "Edilson 100%". Sem condições de saúde pra contornar os problemas do vestiário, Zagallo transferiu a responsabilidade para a diretoria, que também nada fez.


Com esse clima, o Flamengo novamente goleou o Independiente por 4 x 0 e garantia a vaga na semifinal contra o Grêmio.

Graças à trégua entre as duas estrelas da equipe, após apelo dos próprios companheiros, entre eles Julios César no gol, a dupla conversava através de passes dentro de campo e encaminhava a bela vitória. 

Com um a mais, Pet tocou para Edílson abrir o marcador aos 24 minutos. Na comemoração, os dois nem se olharam. Pet seguia endiabrado e deixou o zagueiro Juan livre para fazer 2 x 0 aos 25 minutos. Aos 34 minutos, escanteio novamente cobrado pelo gringo e Juan fez 3 x 0. Aos 24 minutos da etapa final, Edílson marcou de cabeça e liquidou a fatura.


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Torcida do Independiente desembarca no Rio de Janeiro sem ingresso


A hinchada dos Independiente já desembarcou no Rio de Janeiro, a maioria sem ingresso.

É o que informa o jornal Clarín.

Confira:


Em entrevista, um torcedor argentino disse que chegaram na noite desse domingo em Copacabana cerca de 70 torcedores, todos sem ingressos. E vem muito mais gente nessa situação de Buenos Aires: "Chegamos ontem à noite em Copacabana, éramos cerca de setenta, porém ninguém tem ingresso. Vem muita gente nessa situação, esperamos que o Flamengo solte mais duas mil entradas. Entrar vamos entrar...."

Segundo o Olé, são esperados 10 mil torcedores:


O Independiente teve direito a quatro mil ingressos. Todos esgotados, quase poucos vendidos. A grande maioria foi distribuídos para parceiros do clube argentino.

O Flamengo nega que colocará mais ingressos para o adversário.

Serão seis mil argentinos vagando pelas ruas do Rio de Janeiro.

De 14 finais da Sul-Americana, em 12 o campeão disputou o segundo jogo da decisão em casa

À exceção da edição passada, cuja final não foi disputada em virtude da tragédia com a delegação da Chapecoense, das 14 decisões, em 12, o clube campeão foi aquele que jogou a segunda partida diante de sua torcida.

Em apenas duas vezes o campeão conquistou a Sul-Americana fora de casa: em 2006 com o Pachuca e em 2009 com a LDU.

Porém, em apenas duas vezes um time que foi derrotado no primeiro jogo fora de casa conquistou a Sul-Americana em seus domínios: o Boca Juniors, em 2004, quando perdeu para o Bolívar por 1 x 0 e na volta ganhou de 2 x 0, e o mesmo Independiente, em 2010, que perdeu fora de casa para o Goiás por 2 x 0 e em casa, diante de sua torcida, venceu por 3 x 1, sendo campeão nos pênaltis.

Os últimos quatro campeões, todos empataram fora de casa e conquistaram a Sul-Americana em seu estádio.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A repercussão argentina da vitória do Independiente no primeiro jogo da final Sul-Americana

A vitória por 2 x 1 na primeira partida das finais da Copa Sul-Americana rendeu as tradicionais reportagens apaixonadas, dramáticas, típico dos argentinos.

O La Nacion destacou a mística da equipe argentina: "Independiente apelou para a mística e conseguiu triunfo contra o Flamengo, pelo primeiro jogo de ida da final da Copa Sul-Americana".

E completou: "Estar em uma final da Copa Sul-Americana e para os torcedores do Independiente é como se sentisse a alma voltando ao corpo".

O jornal destaca a juventude dos jogadores argentinos contra um Flamengo experiente e de jogadores rodados: "É uma geração de jovens que surgem no clube, que jogaram com personalidade como se fossem experientes: Alan Franco (21 anos), Fabricio Bustos (21), Martín Benítez (23) e Maxi Meza (25), contra um Flamengo que chega como favorito e tem em seu plantel jogadores experientes, com média de 27 anos, com histórico de várias finais em seu histórico, e que foram eclipsados pela maturidade e coragem mostradas pelos jovens do Independiente, que não se intimidaram pela pressão que vinha da arquibancada".

O Clarín destacou a seguinte manchete: "De menor a maior", destacando que o Independiente deu o primeiro passo rumo à glória. E que no mítico cenário do Maracanã vai buscar tentar ganhar mais um título internacional, após sete anos.

E as capas dos jornais argentinos dessa quinta-feira:


Copa Sul-Americana 2017 - 1º jogo da final: Independiente 2 x 1 Flamengo


Nos primeiros 90 minutos da decisão da Sul-Americana, diante de um punhado de vermelhos, que lotou o estádio "Libertadores de América", o Flamengo abriu o placar, mas permitiu a virada contra o Independiente por 2 x 1 e vai precisar de vencer por pelo menos dois gols para erguer a taça no Maracanã.

Sem gol qualificado, uma vitória simples Rubro Negra e a decisão vai para a prorrogação, seguida de pênaltis.

Em que pese a bonita festa e um estádio erguido na vertical para assustar qualquer mortal que nele pisar, o Flamengo iniciou a partida como manda a cartilha: tocando bola, agredindo o adversário e não aceitando pressão.

Em cobrança de falta, o Rubro Negro já apresenta logo de cara sua principal arma nessas últimas partidas sul-americanas: a bola erguida na área para subida dos zagueiros. Trauco cruzou na medida para Réver abrir o placar aos 8 minutos.

Tensão na arquibancada e um Independiente assustado com o gol logo no início. O Flamengo parecia um time copeiro, não se intimando por jogar fora e tratou de continuar trabalhando a bola e chegar com perigo.

Aos 20 minutos faltou pouco, mais muito pouco mesmo para Juan quase ampliar o marcador, após cruzamento do Diego.

A partir daí o Flamengo começou aos poucos a recuar. Estava disposto a sofrer um pouco e a bola teimava em não parar mais no ataque. Era um bate e volta desgraçado e pressão do Indepediente, liderado por Mesa, Benitez e Barco, que trocavam freneticamente de posição, arrumavam boas triangulações e começavam a chegar com perigo, novamente nas costas do Trauco, que já havia sofrido um bocado com a dupla "Chará-Téo" do Atlético Júnior.

O duro é que o time conseguiu sofrer, aguentar a pressão, César fez boa defesa em cobrança de falta, Pará se jogou para impedir um gol certo, e me leva gol de contra-ataque.

Bola com Éverton Ribeiro, que resolve fazer graça no ataque e perde a bola. Velocidade fulminante do adversário, que consegue o empate aos 32 minutos.

Jogando com três meias, sendo que novamente dois desses não faziam uma boa partida, faltava profundidade pro time ficar mais esticado e não embolar o meio de campo. Faltava velocidade para Diego e Éverton Ribeiro empurrar o time pro ataque e tentar se aproximar do Vizeu, muito isolado e sem a capacidade de dominar os chutões que recebia.

Outra vez Rueda é incapaz de corrigir o problema antes de acontecer o dano fatal, é incapaz de antevê o que está escancarado. Logo aos 10 minutos, veio o castigo: jogada de Barco pela esquerda, Arão atrapalha a marcação, e Mesa marca um belo gol para fazer 2 x 1.

Exatamente um minuto depois, aos 11, entra Éverton no lugar de Paquetá. Aos 26 minutos Vinicius Jr entra no lugar do Diego.

Com a virada, o temor era que o Indepediente viesse pra cima para tentar liquidar a fatura em seu território, aproveitando-se da semana livre que teve de preparação e de um Flamengo que carrega nas costas o peso de mais de 80 jogos e uma maratona de voos fretados. Porém, à exemplo da semifinal contra o Libertad, quando os argentinos abriram 3 x 1 no primeiro tempo e jogaram na defesa no segundo tempo, outra vez repetiram a estratégia.

Com as substituições, o Rubro Negro consegue pressionar e empurrar o adversário. Dessa vez Éverton Ribeiro mais centralizado, achou dois bons passes para Vizeu e Éverton Cardoso.

Pela direita, Vinicius Jr se virava para arrumar espaço e criar as jogadas.

O Flamengo pressiona, o Independiente sofre e consegue segurar a pressão, pois joga mais concentrado e sem errar, ao contrário do Rubro Negro.

Agora o time da Gávea terá uma semana limpa para se preparar, rever a escalação de Diego e Éverton Ribeiro juntos, para tratar de ganhar o título no Maracanã.

É possível!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Clarín: "Independiente necessitará de sua mística copera para superar o Flamengo"


Reportagem do Clarín invoca a a mística copera para superar o Flamengo na final da Copa Sul-Americana, "que apostou na Libertadores e terminou com a ilusão da Sul-Americana".

Segundo o jornal, a equipe do Independiente chega à final com merecimento, mas tem detalhes que precisam ser ajustados, principalmente no sentido de dar continuidade ao rendimento durante todo o jogo, pois, nas semifinais contra o Libertad mostrou muita intensidade no primeiro tempo, quando marcou três gols, (fez 3 x 1) e mostrou desnível na segunda etapa, recuando por demais, e que essa oscilação, "contra um rival superior, como parece ser a equipe brasileira, pode ser grave". Que o objetivo é ser intenso o máximo de minutos.

A torcida pela mística é tamanha, que o jornalista Nahuel Lanzillotta fez uma crônica explicando "O que é a mística?"

E cita diversos jogadores que fizeram história no Independiente, relembra as sete conquistas da Libertadores, em que pese não ganhar uma há 33 anos, as 18 finais sul-americanas, só perdendo três.

Por óbvio, lembra do título de 95 no Maracanã contra o Flamengo: "mística é levantar a Supercopa dos campeões de 95 e bailar de carnaval no Rio de Janeiro no Maracanã repleto de Rubro Negros de um Flamengo de Romário".

E termina:

"Mística é cair no inferno e ser empurrado por demônios (como sua torcida é conhecida) para voltar a levantar-se e disputar outra final de copa, como essa noite contra o Flamengo. Mística é jogar na Libertadores da América (nome do estádio do Independiente), desbravando e reeditando épocas douradas".

Final da Sul-Americana: será utilizado o árbitro de vídeo nas duas finais

Será utilizado nas duas finais da Copa Sul-Americana o VAR (Assistência à Arbitragem de Vídeo) para as seguintes situações: gol, penalidades, expulsões diretas (não por dois cartões amarelos) ou para a identidade em caso de confusão. Tanto para validar uma ação quanto para modificá-la para um erro, se necessário.

Confira a equipe de arbitragems para o primeiro jogo da final:


O árbitro principal pode solicitar a intervenção do sistema para tomar uma decisão, ou se houver um "erro claro" ignorado pelo árbitro principal, o assistente de vídeo será capaz de avisá-lo e dar-lhe a possibilidade de rever o jogo na tela que estará no campo de jogo.

O juiz continua a ser a autoridade máxima dentro do campo de jogo, podendo ignorar o VAR se ele confiar em seu poder de decisão.

Os jogadores do Independiente tiveram um curso sobre o assunto. Espero que o Flamengo também tenha preparado seus jogadores para essa novidade:


La Nacion: "Em 16 anos, nunca houve uma final de Sul-Americana com duas equipes de tão grande prestígio"

Após sete anos, o "rei de copas" está de volta a uma final sul-americana.

Segundo o impresso argentino, em 16 Copas Sul-Americanas, não houve uma final de tamanho prestígio como esse de 2017 entre Flamengo x Independiente:


Na única decisão entre as duas equipes, o Independiente conquistou a Supercopa dos Campeões, torneio que reunia os campeões da Libertadores, após vencer em casa por 2 x 0 e perder por apenas 1 x 0 no Maracanã.

A última final de Sul-Americana da equipe argentina foi em 2010 contra o Goiás, nos pênaltis.

Porém, dessa vez será um Flamengo x Independiente:


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Final da Copa Sul-Americana 2017: ingressos esgotados para o jogo de volta

Faltando oito dias para o segundo jogo, todo os 52 mil ingressos disponíveis foram vendidos.

Isso tudo após uma venda caótica para os sócios torcedores, que demoraram mais de três horas para acessarem e finalizarem a compra do ingresso.


Final da Copa Sul-Americana 2017: raio-X de Flamengo e Independiente

Confira:


A ótima de coletiva de Reinaldo Rueda um dia antes da decisão da Sul-Americana


Reinaldo Rueda concedeu coletiva nessa noite e foi certeiro em diversos pontos.

A ideia de jogar pensando em decidir no segundo jogo costuma não dar certo. O objetivo e foco deve ser a partida dessa quarta-feira: "Temos 180 minutos, mas o principal é o primeiro jogo. Se amanhã vamos bem, estamos próximos de ganhar. Precisamos de muita concentração. Não podemos deixar o rival tomar confiança. Jogo importante para nós não é o jogo de volta, mas sim o de amanhã ".

A vaga para a fase de grupos, conquista no domingo, não é o fim, pelo menos para o colombiano: "Precisamos não ser conformistas, só com a vaga. É um prêmio para a vaga que conseguimos no domingo. Foi muito difícil, e é o que está vivendo Junior nesse momento. Poderíamos estar vivendo isso. Se perdemos contra Junior e Vitória, acabava todo o projeto".

Rueda cita o Atlético Junior, que foi eliminado pelo Flamengo na Sul-Americana e perdeu nos pênaltis nas quartas de final no campeonato nacional.

Segundo o treinador, os jogadores também estão se cobrando pelo título: "Depois do jogo se falou de evitar o conformismo, os jogadores estão se auto pressionando. Para Flamengo, não é fácil chegar à final. Flamengo não jogava duas Libertadores seguidas há 10 anos, não jogava final internacional há 16 anos".

Impossível não se lembrar da última final da Sul-Americana onde Reinaldo Rueda foi um dos promotores em entregar o título para a Chapecoense, após a tragédia que vitimou toda a delegação de Chapecó:

"O campeonato terminou como terminou a vida dos jogadores da Chapecoense. Não teria sentido aspirar um título. Por isso a decisão para que a Conmebol desse esse reconhecimento a Chapecó".

A torcida do Flamengo e Reinaldo Rueda merecem essa conquista.

La Nacion: "Flamengo convive com desgaste em sua última oportunidade"


Reportagem do La Nacion relata de forma fiel e certeira a expectativa do Flamengo para a grande final da Copa Sul-Americana:

"A final da Copa Sul-Americana contra o Independiente parece ser para o Flamengo o último salva-vidas para encerrar uma temporada de tormentos, onde conquistou o campeonato carioca e não alcançou nenhum dos objetivos principais, que eram a Copa Libertadores - onde se despediu na etapa de grupos, o Campeonato Brasileiro - que nunca esteve à altura do campeão Corinthians, e a Copa do Brasil - perdendo a final para o Cruzeiro nos pênaltis".

Destaca, no entanto, que o Independiente não enfrentará uma equipe debilitada e sem confiança pois, desde a chegada de Reinaldo Rueda, segundo La Nacion, o Flamengo conseguiu importantes conquistas.

Citando a classificação para a fase de grupos da Libertadores, com o triunfo marcante contra o Vitória por 2 x 1 pela última rodada do Brasileiro que, de alguma maneira, alivia a carga para a final da Sul-Americana.

A reportagem ainda narra a categórica classificação para final ao eliminar o Atlético Junior "que aparentava ser um rival maior do que realmente foi", destacando o surgimento do César, após dois anos parados, e do atacante Vizeu, em substituição ao Guerrerro.

Na zaga, o jornal destaca que o "veterano de mil batalhas" Juan e Réver são infalíveis no jogo aéreo, mas frágeis com a bola no pé. E que os laterais, Pará e Trauco, precisam realizar boas coberturas.

No meio de campo, afirma que nenhum ataque do Flamengo é realizado sem a bola passar nos pés do Diego, e por isso é o homem a ser marcado. Lembrando que Éverton Ribeiro não é o mesmo dos tempos do Cruzeiro.

Por fim, novamente outro jornal argentino cita o fato do Flamengo já ter realizado 81 partidas oficiais na temporada e que conta com vários desfalques, como Berrío, Guerrero, Diego Alves e Éverton.

Não tenham dúvidas: vão arrumar correria pra cima do Rubro Negro para tentar aproveitar do desgaste no ano.

As opiniões de Ariel Holan, treinador do Independiente, sobre a grande final da Sul-Americana


Em matéria do jornal Clarín, o jornalista Nahuel Lanzillotta destaca trechos da coletiva do treinador do Independiente, Ariel Holan.

Confira:

A falar sobre o jogo, o técnico toma o microfone para explicar conceitos. Ao se referir sobre a especial atfmosferta copera, o sentimento venceu a razão em suas palavras. E, em uma frase, Holan unifica a paixão e a lógica para resumir: "Temos que ser mais Independiente que nunca".

O treinador de 57 anos demonstra frieza, mas sem esconder o lado emotivo: "Tenho muitos anos como treinador e para essas circunstâncias a experiência é muito útil, porque justamente nessas horas é importante estar tranquilo e, mais do que tudo, transmitir tranquilidade para minha equipe".

E deu pistas da forma que pretende jogar contra o Flamengo: "Sempre é uma alternativa jogar com dois pontas por dentro, como já utilizamos, porém não é garantia que teremos eficácia", disse em referência a Emmanuel Gigliotti e Leandro Fernández atuarem juntos.

"Temos uma equipe muito competitiva, por esse motivo temos diferentes alternativas de jogo. Os últimos ajustes vão ser baseados no poder de fogo do rival. Será buscado uma forma detalhada de desequilibrar e neutralizar o rival"

Sobre o Flamengo, Holan: "É uma equipe que jogou mais de 80 partidas no ano, e está acostumado a jogar quarta e domingo. Tem atletas de muitíssima experiência e trajetória internacional e de grandes individualidades. E jogadores que podem resolver a qualquer hora, te obrigando a manter a atenção o tempo inteiro."

Sobre o Independiente: "Temos que ter posse de bola, jogar de forma fácil e simples e partir pra buscar a vitória, minimizando a margem de erro para não ser contragolpeado. E na hora de defender, tem que ser desde o primeiro homem lá na frente até o goleiro, como se fossem leões"

domingo, 3 de dezembro de 2017

Por não ter vencido o Santos, Flamengo faz operação de guerra para desembarcar em Salvador. Independiente folga na rodada e foca apenas na final

Após a belíssima vitória contra o Atlético Junior na Colômbia por 2 x 0, que garantiu a vaga na final da Copa Sul-Americana, o Flamengo fretou um voo e já desembarcou em Salvador na manhã de sexta-feira.

A mobilização tem sentido: o Rubro Negro precisa de vencer o Vitória, pela última rodada do Brasileirão, para garantir a vaga na fase de grupos da Libertadores.

Se tivesse vencido o Santos na Ilha, não precisaria de viver essa operação de guerra. Agora terá que entrar com time titular e jogar pra valer, para evitar o vexame de ver o Vasco, Botafogo, Atlético-MG e até o Chapecoense, ficarem à frente no Brasileiro.

Com os três jogos que restam para terminar a temporada, o Flamengo jogará oficialmente 83 partidas no ano. O recorde em sua história, igualando 1993.


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Rhodolfo foi punido pela agressão ao Vizeu e está fora. Já o atacante também foi punido, no entanto, o clube conseguiu efeito suspensivo e o jogador poderá entrar em campo. Não liberaram o efeito suspensivo para o zagueiro.

Com Juan poupado, a zaga deverá ser formada por Léo Duarte e Vaz.


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Enquanto isso, o Independiente, adversário do Flamengo na final da Copa solicitou e conseguiu: não entrará em campo pelo campeonato argentino e poderá focar exclusivamente na final da Copa Sul-Americana na quarta.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Copa Sul-Americana 2017: Atlético Junior 0 x 2 Flamengo


"Jogo decisivo não se joga, se ganha".

Esse foi o lema de Rueda desde que chegou ao Flamengo. Ontem, mais do que nunca, o time seguiu à risca para vencer o Atlético Junior por 2 x 0 e chegar à final da Copa Sul-Americana contra o Independiente.

Uma partida complicada, diante de um adversário que, após o confronto no Maracanã, acreditou pra valer que poderia derrotar o Rubro Negro.

E pelo lado do Flamengo, um time que em momento algum da temporada passou confiança. Que sempre nos duelos decisivos, mais importante, pipocava, não aguentava a pressão e, principalmente, não conseguia decidir.

Quem colocou a bola em baixo do braço e resolveu? A turma da base, que pede passagem e está sendo muito melhor aproveitada agora com Rueda.

Os últimos seis gols foram feitos por jogadores revelados na Gávea. Vizeu foi responsável por quatro gols nos últimos três jogos da Sul-Americana: contra o Fluminense e três contra o Júnior.

Bom para lembrar do que o Flamengo é formado, conhecido, voltando às origens. Na hora que precisa, é essa turma que está resolvendo e tentando salvar o ano Rubro Negro.

À exemplo da última conquista internacional: foi campeão da Mercosul em 1999 após a saída do Romário, que possibilitou a efetividade do jovem Reinaldo, marcando gols decisivos com o Lê.


O JOGO

Bastava um empate pro clube da Gávea garantir a classificação. Rueda preferiu compor o meio de campo do que jogar pro contra-ataque. Estratégia que poderia dar certo, pois, melhor do que um time todo fechado e jogando apenas no contragolpe, seria valorizar a posse de bola, impedindo levar sufoco.

Planejamento razoável, se não fosse a péssima atuação de Diego e Éverton Ribeiro. Eis o problema: o time não conseguia valorizar a bola e não resolvia sua vida no contra-ataque.

Logo no primeiro lance da semifinal, falta boba de Cuellar. No gol, César, há dois anos sem jogar uma partida (!!!) conseguiu uma defesa dificílima e impediu o primeiro gol que colocaria o Flamengo em situação terrível. Foi o cartão de visitas do goleiro de 25 anos.

Em 20 minutos, com 72% de posse de bola, o Atlético Junior já havia chutado sete vezes no gol do César. Tentava de qualquer forma, de todos os cantos. Porém Cesar não é Muralha.

A primeira troca de passes Rubro Negra no ataque foi aos 27 minutos, que não resultou em grande coisa. O único lance de perigo do primeiro tempo foi iniciado com Paquetá, que colocou na medida para Vizeu chutar e o goleiro colombiano realizar grande defesa.

Enquanto os principais jogadores do meio de campo não resolviam, Paquetá chamava o jogo, comandando praticamente sozinho as funções ofensivas. Impressionante o crescimento do garoto. Não se intimidou com a marcação, não caía no primeiro encontrão e a bola prendia no pé dele.

O primeiro tempo encerrou com 11 finalizações dos colombianos, poucas com perigo.


Jogar dessa forma, longe da sua área e tendo que correr atrás do adversário, esgota fisicamente. Paquetá já estava cansado e não tinha mais pernas para empurrar o time pro ataque. Diego e Éverton Ribeiro seguiam péssimos e o começo do segundo tempo foi complicado demais.

Com Chará e Teo caindo nas costas do Trauco e arrumando boas tabelinhas pelo meio, o Flamengo viveu momentos tensos. Estava nas cordas, sem reação, sem forças.

Eis que Vizeu, somando habilidade pra fugir da marcação e uma velocidade que nunca apresentou, arrancou da intermediária, invadiu a grande área e meteu por entre as pernas do arqueiro do Junior para abrir o placar.

Por um breve momento, o contra-golpe surpreendeu os colombianos e silenciou a torcida. Porém, sem jogadores do Flamengo para assumir uma postura mais ativa no meio de campo, não demorou muito para o Junior voltou a exercer pressão.

E foi um sufoco. A dupla Cha-Teo infernizava a defesa. A marcação avançada sufocava a frágil saída de bola. Cuellar errava passes, não encontrava brechas para uma saída de bola qualificada. E novamente Diego e Éverton Ribeiro em nada contribuíam para o desafogo e Paquetá, principal jogador da posição, já estava sem pernas.

Quem tirava tudo era o inacreditável Juan, que conseguiu nada mais nada menos do que 18 desarmes, no auge dos 38 anos, em uma semifinal de competição sul-americana. Além do Rhodolfo, que se jogou em um lance que era certeza de gol dentro da pequena área.

Segundo o Footstats, foram 50 rebatidas e 28 desarmes certos.

E aí veio a falha do Rueda, que tem grande dificuldade fazer substituições. Permitiu que o time sofresse uma eternidade, que não tivesse saída de bola e nem jogador de velocidade.

Quando mudou, entrou com Márcio Araújo no lugar do Éverton Ribeiro aos 33 minutos. Depois só aos 40 minutos tirou Paquetá para entrar com Rodinei.

Aos 42 minutos, pênalti para Junior. E vem a grande história dessa semifinal. O quarto goleiro, dois anos sem jogar, chamado às pressas para ser o titular e salvar o patético Muralha, pula pra esquerda e pega o pênalti de Chará.


Um gol ali poderia ter complicado o final de jogo e tornada dramática uma classificação praticamente assegurada.

Até que Rodinei, que poderia ter entrado antes, avança pela direita e toca na medida para Vizeu fazer 2 x 0 e liquidar a fatura. Um alívio.

Uma classificação pouco provável pelo histórico do Flamengo em competições sul-americanas, pelo péssimo retrospecto em jogos fora de casa e pela falta de definição das partidas.

Dessa vez não foram 25 chutes, à exemplo do jogo contra o Santos. No entanto, um time que soube aproveitar as poucas oportunidades que teve.

Foi a vez do Junior provar do veneno, ao tentar 24 finalizações, afundar o time da Gávea na defesa e não conseguir o gol:




Um Flamengo que conseguiu nesses dois jogos contra a boa equipe colombiana o que não vinha conseguido nessa temporada: uma virada e uma vitória fora de casa.

Caso conquiste a Sul-Americana, além do título, o Rubro Negro garante a vaga na Libertadores, e vai disputar a Recopa contra o Grêmio, a Copa Suruga no Japão contra o vencedor da Liga Japonesa e a Supercopa Euroamericana contra o Manchester United.

Ademais, impressiona essa história de Reinaldo Rueda que foi um dos precursores em abrir mão do título da Copa Sul-Americana do ano passado para a Chapecoense, e agora conquistou a vaga para a final da mesma competição, em seu país, e a história pode lhe dar esse título que foi ofertado. Sensacional!

O treinador colombiano em três meses chega à segunda final seguida no Flamengo. E chegou a três das últimas quatro finais sul-americanas: Libertadores 2016 e 2017 e Copa Sul-Americana 2016 e 2017.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Os pontos fortes e fracos de Flamengo e Atlético Junior, segundo a imprensa de uma mobilizada Barranquilla

A mobilização em Barranquilla é impressionante. Imprensa e torcida estão concentrados desde cedo para a segunda partida da semifinal da Copa Sul-Americana, nesta quinta-feira, às 22h:30min.

E teremos casa cheia no Metropolitano: praticamente todos os ingressos já foram vendidos.

A prefeitura de Barranquilla decretou "tarde cívica" na cidade, com objetivo de fomentar e garantir a participação ativa e entusiasmada da comunidade e principalmente dos torcedores do Atlético Junior.


Os funcionários públicos de serviços não urgentes serão liberados. O serviço de metrô foi estendido para que a torcida tenha como retornar após a peleja.

Para a imprensa local, é o jogo mais importante da história do Junior desde 17 de agosto de 1993, quando foi eliminado da semifinal da Libertadores para o Vélez: "A partida contra o Flamengo não é mais uma partida, mas é um desafio pela felicidade de sua torcida e por elevar a grandeza do nome do clube em sua história", destaca trecho do jornal El Heraldo.

Mesmo com a derrota de virada no Maracanã, a equipe colombiana saiu orgulhosa da atuação e passou a acreditar na classificação para a final: "Os rojiblancos demonstraram no mítico Maracanã que tem futebol, caráter e um grupo forte para desmontar a vantagem do Flamengo", completou a matéria.

Confira a capa do El Heraldo, principal jornal da cidade:


Que também fez uma matéria especial sobre os pontos fortes dos semifinalistas:


E fracos, destacando a possível marcação avançada dos colombianos para pressionar uma possível saída de bola dos zagueiros e, óbvio, o problema do gol Rubro Negro:



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Se fosse para apostar, colocaria as principais fichas na classificação do Atlético Junior. O Flamengo de hoje não é nada confiável, principalmente por ter perdido sua grande referência de postura vencedora, que era o Diego Alves.

Jogando fora de casa então, o desempenho tem sido sofrível. Com a vantagem do 2 x 1, é típico do Rubro Negro jogar recuado, fechado, buscando somente e exclusivamente o contra-ataque. E se o placar lhe favorecer, vai ficar fechado até o final, como time pequeno e indefeso. E se tomar um gol logo no começo, capaz de desmontar.

Dentro de campo, qualquer outra coisa que não seja César no gol será um troço inacreditável. No ataque, dizem que Rueda deve vir com Lincoln e Vizeu, tendo Paquetá e Diego no meio e Cuellar e Arão de volantes. Seria o time ideal. Alterando jogadores de qualidade com bom passe e atacantes de velocidades e com boa finalização.

De qualquer forma, estamos na torcida para que o Flamengo nos surpreenda e consiga a classificação para a grande final da Copa Sul-Americana.