Carta encaminhada pelo ex-presidente Márcio Braga, nesse final de ano.
Confira:
O final de 2017 chega de forma muito dolorida para a Nação Rubro-Negra. Iniciamos sob a promessa de um ano mágico e terminamos empilhando decepções.
A despeito disso, aos que se revoltam com a timidez do desempenho esportivo imediatamente nos é lembrado de que tempos idos houve campanhas muito piores.
Com o perdão da franqueza, trata-se de um argumento cínico. Se é verdade que já tivemos anos piores, não é menos verdade que as condições estruturais de outrora eram muito mais espinhosas e a despeito disso lutamos com suor e sangue para seguir em frente, com a união de todos na preservação da mítica do Manto Sagrado.
Agora, com muito mais haveres à disposição, o Flamengo fraqueja e mostra conformismo e passividade diante das derrotas.
Sim, há avanços administrativos e não há razão para ignorá-los, ou melhor, é o caso de celebrá-los, porque ninguém deseja a volta do Flamengo caloteiro e carente de recursos. Mas mesmo neste particular há que se relativizar, porque 2 aspectos chamam atenção.
O primeiro é que o Flamengo de hoje, tal e qual um novo-rico, pôs-se a gastar à larga, a ponto de comprometer exercícios futuros com fortunas a serem pagas para atletas de desempenho mediano. São mais de R$ 56 milhões de direito de imagem para Muralha, Rômulo, Geuvânio, Everton Ribeiro, aos quais se somam mais de R$ 18 milhões de direitos econômicos de atletas como Berrio, Mancuello, Rodinei, Renê e os quase R$ 25 milhões para quitar o empréstimo para contratar Marcelo Cirino. Ou seja, R$ 100 milhões da nossa futura arrecadação para quase nada, sob as bênçãos de uma equipe dos chamados executivos regiamente remunerados, aliás em patamares jamais vistos na nossa instituição.
O segundo – e talvez mais importante – é que esse esforço de recuperação financeira não é obra exclusiva da direção atual, mas sim uma construção coletiva de todos nós, torcedores, associados do clube, conselheiros, porque nele empenhamos nossa esperança e paciência, na certeza de que dias melhores viriam e que teimam em não chegar.
O verdadeiro credor do Flamengo é sua torcida, que merece receber com juros e correção monetária o investimento realizado na estabilização do clube.
Perder, ainda que seguidamente, é duro, mas faz parte do jogo.
O que não aceitamos é atitude blasé que se tornou a marca registrada dos nossos fracassos e que nos brinda com cenas patéticas, como a exagerada comemoração pelo 6º lugar no campeonato brasileiro, com direito a uma foto que em tempos idos só se permitia quando acompanhadas de um troféu genuíno.
No Flamengo de hoje tudo é insosso, burocrático. O exemplo mais recente: em resposta ao trauma de milhares de rubro-negros que sofreram o horror das cenas de guerra no Maracanã na final contra o Independiente, o clube se limita a soltar uma nota oficial protocolar, esquecendo-se até de pedir desculpas a todos que pagaram caro para ao final serem vítimas de uma desorganização completa.
Nada pode ser mais emblemático, o clube se porta como se o drama de seus torcedores não lhe dissesse respeito e é incapaz de demonstrar sequer um sentimento autêntico de solidariedade.
Para um 2018 melhor é necessário agir.
Está provado de que o futebol está mal gerido, conduzido por gente que não entende a alma rubro-negra. Para sairmos do marasmo, é preciso mudar para valer. A menos que, ao contrário do que sempre pregaram, a direção do clube se resuma a esperar que a bola, um dia, entre por acaso.
Fora Bandeira! Renúncia já!
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domingo, 17 de dezembro de 2017
quinta-feira, 3 de março de 2016
Márcio Braga: "Chega de roubinho"
Ótimo artigo do ex-presidente Márcio Braga, em O Globo desta quinta-feira, sobre a crise do sistema atual do futebol e suas estruturas ultrapassadas que só prejudicam os clubes e seus torcedores.
Confira:
Confira:
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Márcio Braga escreve artigo memorável a favor do Flamengo nesta terça-feira
Excelente artigo do ex-presidente Márcio Braga nesta terça-feira de carnaval em O Globo.
Muito bom ver gente na Gávea que mesmo não fazendo parte da atual administração se manifesta tão claramente a favor, antes de tudo, do Flamengo.
Bandeira de Mello ganhou um grande aliado nessa luta gloriosa contra os desmandos da FERJ.
Confira:
Muito bom ver gente na Gávea que mesmo não fazendo parte da atual administração se manifesta tão claramente a favor, antes de tudo, do Flamengo.
Bandeira de Mello ganhou um grande aliado nessa luta gloriosa contra os desmandos da FERJ.
Confira:
segunda-feira, 30 de junho de 2014
"Gol contra os Clubes", por Márcio Braga
Ótima a coluna do ex-presidente Márcio Braga hoje em O Globo. Confira:
Em meio à Copa, é importante refletir sobre o futebol brasileiro e a situação do Flamengo é um bom ponto de partida. O único clube hexacampeão brasileiro, com a maior torcida do mundo, que nunca foi rebaixado em sua história, estaria na série B se o Campeonato Brasileiro terminasse hoje.
O Zico, um exemplo de atleta e cidadão,cuja importância para o Flamengo e o Brasil não se discute, outro dia declarou à Radio Globo que é mais importante para o clube pagar suas dívidas do que ficar na primeira divisão. Isso não existe! O objetivo de um clube é ganhar títulos. Aliás, se cair, aí mesmo que não consegue fechar suas contas. Diferentemente de qualquer empresa, onde os acionistas esperam a distribuição de dividendos, os sócios e torcedores de um clube esperam nada mais, nada menos, que um bom desempenho. Enquanto estava na presidência do Flamengo, conquistamos 53 títulos.
Nem sempre os salários estavam em dia. O desempenho dos jogadores não se resume aos seus vencimentos. O Zico, por exemplo, jamais jogou no Flamengo apenas por dinheiro, embora nunca tenha deixado de receber seu salário.
Hoje, a maior parte da dívida dos clubes é com o governo, mas alto lá! Será que o Governo pode cobrar alguma coisa dos clubes? Quando criou a Timemania, o governo convenceu os clubes a confessarem dívidas que não tinham, prometendo arrecadar no mínimo R$ 520 milhões por ano com a loteria. Os clubes fizeram a sua parte, o Governo não fez a dele. Prometeu e não cumpriu! Agora pode cobrar dos clubes como se essa dívida não fosse sua responsabilidade?
Os clubes sofrem com um modelo de concentração de riqueza na CBF e nas federações, que fazem coro com o governo criticando a gestão dos clubes, mas quem são eles para cobrar boa gestão de alguém? Aqui no Rio, por exemplo, saem fragilizados da Copa por uma ação deliberada do governo do estado para favorecer a Odebrecht com a privatização do Maracanã, cujo edital proibia a participação dos clubes de futebol na administração do estádio.
Em 2007, o Flamengo tinha todas as autorizações e licenças para construir seu estádio de 30 mil lugares na Gávea, ampliando suas instalações e expandindo a sede social com lojas, cinemas, restaurantes,espaço para eventos e estacionamento para 1.836 carros, que funcionaria independentemente dos dias de jogo.
O governador Sérgio Cabral revogou a autorização que o Flamengo havia recebido de sua antecessora, deixando o clube refém da Odebrecht no Maracanã. Em tempo, em 2008, Flamengo, Fluminense e CBF assinaram protocolos e investiram em estudos de viabilidade para remodelagem e reforma do Maracanã, que custaria R$ 600 milhões sem nenhum investimento público.
O governo do estado preferiu excluir os clubes e gastar cerca de R$1,3 bilhão na obra do Maracanã. Agora, o torcedor do Flamengo, que é maioria em todas as classes sociais, sofre com o preço dos ingressos no Maracanã e não tem nenhuma opção, já que o governo ainda mantém o Engenhão fechado para garantir o monopólio da Odebrecht. E ainda tem gente que acha que os problemas estão só nos clubes.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Do caos financeiro à nova visão empresarial. Um Flamengo que zerou suas dívidas e era referência de administração
"Do caos financeiro à nova visão empresarial: um clube que vira empresa e passa a produzir títulos e alegria". Matéria do jornal O
Globo de 1982 com a chegada da Frente Ampla pelo Flamengo em 1977, liderada por Márcio Braga, Walter Clark, diretor da Globo, João Araújo da Som Livre dentre outros.
Após a auditoria, a diretoria viu que o que tinha que pagar era era três vezes maior do que o imaginável. Fez-se então uma confissão de dívida, colocando o Morro da Viúva como garantia. O resultado foi o fim penhoras, passando assim a administrar os pagamentos todo mês. Coincidência com o que estamos vivendo hoje?
Vejam que começam a falar, há 32 anos, da construção das obras do CT. Vale muito a pena ler toda matéria.
Três anos depois, em 1980, véspera do ano dourado Rubro Negro, Márcio Braga ao ser perguntando sobre a dívida, respondeu: "A dívida? Que dívida? O Flamengo não tem mais dívidas, está tudo pago". Estava sendo construído o inesquecível ano de 1981.
Nos esportes olímpicos o Flamengo montava grandes times e tinha representantes em várias modalidades. Um desses reforços era o Marcelo Vido, hoje diretor do Clube. Mas tinha um vício histórico: o prejuízo mensal de esportes que não se sustentavam. Hoje sua missão é reverter essa ruim tradição, agora fora das quadras.
Após a auditoria, a diretoria viu que o que tinha que pagar era era três vezes maior do que o imaginável. Fez-se então uma confissão de dívida, colocando o Morro da Viúva como garantia. O resultado foi o fim penhoras, passando assim a administrar os pagamentos todo mês. Coincidência com o que estamos vivendo hoje?
Vejam que começam a falar, há 32 anos, da construção das obras do CT. Vale muito a pena ler toda matéria.
Três anos depois, em 1980, véspera do ano dourado Rubro Negro, Márcio Braga ao ser perguntando sobre a dívida, respondeu: "A dívida? Que dívida? O Flamengo não tem mais dívidas, está tudo pago". Estava sendo construído o inesquecível ano de 1981.
Nos esportes olímpicos o Flamengo montava grandes times e tinha representantes em várias modalidades. Um desses reforços era o Marcelo Vido, hoje diretor do Clube. Mas tinha um vício histórico: o prejuízo mensal de esportes que não se sustentavam. Hoje sua missão é reverter essa ruim tradição, agora fora das quadras.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Uma chance para o Maracanã, por Márcio Braga
O ex-presidente do Flamengo Márcio Braga escreve hoje para o jornal O Globo sobre a privatização do Maracanã que está por um fio e deve cair em breve.
Sem as demolições do Célio de Barros e do Julio De Lamare, consequentemente, sem os necessários investimentos do consórcio, que seriam de quase R$ 600 milhões, a licitação perdeu-se o sentido. Ou vai virar, ainda mais, um presente de mais de um bilhão de reais limpos para as empresas brincarem de explorar os clubes, precisando apenas pagar um anuidade pífia.
Confira:
Sem as demolições do Célio de Barros e do Julio De Lamare, consequentemente, sem os necessários investimentos do consórcio, que seriam de quase R$ 600 milhões, a licitação perdeu-se o sentido. Ou vai virar, ainda mais, um presente de mais de um bilhão de reais limpos para as empresas brincarem de explorar os clubes, precisando apenas pagar um anuidade pífia.
Confira:
Pé de laranja não dá limão. Como um rio que corre para o mar, o Maracanã pode reafirmar sua vocação para ser a casa do futebol do Rio de Janeiro.
A privatização que impediu a participação dos clubes de futebol na administração do estádio e desconsiderou toda tradição e relevância esportiva do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros realmente precisa ser revista imediatamente.
Assim como não se pode demolir a história da natação e do atletismo brasileiro, o futebol é a razão de ser do Maracanã, e os clubes não podem ficar reféns de interesses empresariais que não levam em consideração aspectos humanos e sociais do esporte.
A união dos clubes pode resultar num modelo de gestão compartilhada que preserve a essência esportiva de todo complexo do Maracanã e não sacrifique empreendimentos singulares e complementares como Engenhão, São Januário, Laranjeiras e Gávea.
Inclusive, boa parte dos estudos de viabilidade, projeções econômico- financeiras e pesquisas de mercado para isso já foram feitos por Flamengo, Fluminense, CBF e ISG, em 2008, quando se trabalhava com a ideia de os clubes administrarem o estádio.
À época, por ex igência do Flamengo, este grupo buscou a participação da AEG, maior empresa de conteúdo para estádios e arenas dos Estados Unidos, que pode viabilizar uma quantidade considerável de eventos no Maracanãzinho, transformando-o no grande diferencial para a geração incremental de receitas permanentes de todo complexo.
Hoje, ISG, braço da IMG, sócia de Eike Batista na IMX, se apresenta com 5% do Consórcio que pretende administrar o Maracanã, AEG com mais 5% e Odebrecht, que já recebeu mais de R$ 1 bilhão para fazer as obras, com 90%, sendo que, no modelo atual, ainda haveria obras no entorno com valor estimado em mais de R$ 500 milhões.
Com a manutenção do Célio de Barros e do Julio de Lamare, diminui consideravelmente a necessidade de aportes adicionais no entorno do estádio e, sem obras, a Odebrecht, empreiteira que faz obras, pode não ter tanto interesse em permanecer no negócio. Então, surge aí uma grande oportunidade para que o Maracanã volte a ser a casa do futebol carioca. Os clubes podem assumir este espaço deixado pela Odebrecht.
O desafio é construir a unidade, preservando as diferenças. E se isso cabe em algum lugar, é no Maracanã.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
"Cuidado, a conta pode ficar altíssima!" por Márcio Braga
Muito bom o texto escrito pelo ex-presidente Márcio Braga hoje no jornal O Globo. Confira:
Todo cuidado é pouco! Em vez de aproveitarem as novas arenas construídas para a Copa do Mundo como fontes de novas receitas, os clubes brasileiros podem acabar pagando uma conta altíssima.
O jogo de inauguração da arena de Brasília é emblemático. O Santos tem o mando de campo, o Flamengo tem a torcida e nenhum dos dois fica com o dinheiro.
Outro exemplo é a privatização do Maracanã, cujo edital impede a participação dos clubes de futebol na administração do estádio, que, no fim das contas, é de futebol. Os clubes correm sério risco de sacrificar projetos muito mais rentáveis e adequados às suas necessidades para pagar a conta desse investimento bilionário, pois sãos eles os principais, senão únicos, responsáveis pelo público.
Uma boa evidência disso é a situação do Flamengo, que está na Gávea desde 1932 e teve seu estádio ativo até a década de 60, quando cedeu parte de sua área para a Rua Mário Ribeiro e o anel de tráfego da Lagoa, colaborando para facilitar o trânsito entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca.
Em 2007, o Flamengo tinha todas as autorizações e licenças necessárias para o Programa de Revitalização da Gávea, que incluía a construção de um estádio novo para 30.000 lugares, ampliação das instalações para esportes olímpicos, expansão da sede social e construção do Centro de Excelência de Remo, com garantia de viabilidade econômica sustentável pela integração de um centro de lazer e compras, com lojas, cinemas, restaurantes, espaço para eventos e estacionamento para 1.836 carros, que funcionaria independente dos dias de jogo e, segundo a FGV, geraria mais de 3.000 empregos diretos. Com o apoio das autoridades e de 73% dos moradores da região, conforme pesquisa feita pelo Ibope à época, esta iniciativa revitalizaria o clube e toda área ao seu redor.
Tudo mudou quando o Governo decidiu privatizar o Maracanã e encomendou estudos à empresa americana Booz Allen Hamilton, que apontou que o Flamengo era responsável direto por 70% das receitas do Maracanã. Diante deste número, o governador Sérgio Cabral resolveu revogar a autorização que o Flamengo havia recebido de sua antecessora e acabou com o Programa de Revitalização da Gávea, dizendo que o Maracanã seria do Flamengo. Então, o hoje prefeito, à época secretário de Esporte, Eduardo Paes, começou a estruturar a privatização do estádio, incentivando que Flamengo, Fluminense e CBF formassem um consórcio com uma empresa inglesa chamada ISG, que se apresentava como braço da IMG, hoje sócia de Eike Batista na IMX.
Flamengo, Fluminense, CBF e ISG assinaram protocolos em 2008 e investiram em estudos de viabilidade, projeções econômico-financeiras, pesquisas de mercado e projetos arquitetônicos e de engenharia para remodelagem e reforma do Maracanã, que custaria R$ 600 milhões e seria paga pela ISG, através de seu Fundo Stadia, sem nenhum investimento público.
Tudo mudou novamente, em 2009, com a Odebrecht se associando à ISG e impondo mudanças aos protocolos já assinados em 2008 com os objetivos de elevar o custo da obra para R$ 1 bilhão e excluir Flamengo, Fluminense e CBF do eixo central do consórcio. Hoje, depois de receber bem mais que R$ 1 bilhão dos cofres públicos, a Odebrecht detém 90% do consórcio que pretende administrar o estádio por 35 anos, e os clubes foram excluídos no próprio edital de privatização feito pelo Governo do Estado.
Mas algumas coisas não mudam: o Flamengo continua sendo responsável por 70% do potencial de receitas do futebol do Rio de Janeiro e, enquanto não constrói seu próprio estádio, joga em casa no Maracanã e na maioria das arenas da Copa do Mundo, afinal, segundo pesquisas do Ibope, os torcedores rubro-negros são maioria em todos os estados do Brasil, exceto Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo, onde é a 4ª maior torcida.
Por essas e outras, os clubes brasileiros não podem abrir mão dos seus estádios. O Flamengo, de preferência na Gávea, como instrumento de revitalização do clube todo, e a exemplo de Chelsea e Paris Saint-Germain, cujos estádios aumentam muito suas receitas e se localizam em áreas nobres de Londres e Paris, que, diga-se de passagem, também contam com estádios monumentais como Wembley e Stade de France. l
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