terça-feira, 6 de agosto de 2013

Uma chance para o Maracanã, por Márcio Braga

O ex-presidente do Flamengo Márcio Braga escreve hoje para o jornal O Globo sobre a privatização do Maracanã que está por um fio e deve cair em breve.

Sem as demolições do Célio de Barros e do Julio De Lamare, consequentemente, sem os necessários investimentos do consórcio, que seriam de quase R$ 600 milhões, a licitação perdeu-se o sentido. Ou vai virar, ainda mais, um presente de mais de um bilhão de reais limpos para as empresas brincarem de explorar os clubes, precisando apenas pagar um anuidade pífia.

Confira:

Pé de laranja não dá limão. Como um rio que corre para o mar, o Maracanã pode reafirmar sua vocação para ser a casa do futebol do Rio de Janeiro.

A privatização que impediu a participação dos clubes de futebol na administração do estádio e desconsiderou toda tradição e relevância esportiva do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros realmente precisa ser revista imediatamente.

Assim como não se pode demolir a história da natação e do atletismo brasileiro, o futebol é a razão de ser do Maracanã, e os clubes não podem ficar reféns de interesses empresariais que não levam em consideração aspectos humanos e sociais do esporte.

A união dos clubes pode resultar num modelo de gestão compartilhada que preserve a essência esportiva de todo complexo do Maracanã e não sacrifique empreendimentos singulares e complementares como Engenhão, São Januário, Laranjeiras e Gávea.

Inclusive, boa parte dos estudos de viabilidade, projeções econômico- financeiras e pesquisas de mercado para isso já foram feitos por Flamengo, Fluminense, CBF e ISG, em 2008, quando se trabalhava com a ideia de os clubes administrarem o estádio.

À época, por ex igência do Flamengo, este grupo buscou a participação da AEG, maior empresa de conteúdo para estádios e arenas dos Estados Unidos, que pode viabilizar uma quantidade considerável de eventos no Maracanãzinho, transformando-o no grande diferencial para a geração incremental de receitas permanentes de todo complexo.

Hoje, ISG, braço da IMG, sócia de Eike Batista na IMX, se apresenta com 5% do Consórcio que pretende administrar o Maracanã, AEG com mais 5% e Odebrecht, que já recebeu mais de R$ 1 bilhão para fazer as obras, com 90%, sendo que, no modelo atual, ainda haveria obras no entorno com valor estimado em mais de R$ 500 milhões.

Com a manutenção do Célio de Barros e do Julio de Lamare, diminui consideravelmente a necessidade de aportes adicionais no entorno do estádio e, sem obras, a Odebrecht, empreiteira que faz obras, pode não ter tanto interesse em permanecer no negócio. Então, surge aí uma grande oportunidade para que o Maracanã volte a ser a casa do futebol carioca. Os clubes podem assumir este espaço deixado pela Odebrecht.

O desafio é construir a unidade, preservando as diferenças. E se isso cabe em algum lugar, é no Maracanã.

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