quinta-feira, 4 de maio de 2017

Libertadores 2017: Flamengo 3 x 1 Universidad Católica


Na partida mais importante do ano o Flamengo superou o Universidad Católica por 3 x 1 no Maracanã, voltou a assumir a liderança do grupo e só precisa de um empate na última rodada, fora de casa, contra o San Lorenzo para garantir a vaga.

Pode até perder, desde que o Atlético Paranaense não vença no Chile.

A classificação antecipada só não veio em virtude da goleada sofrida pelos paranaenses, em casa, por 3 x 0, mesmo após atuar com time reserva na final do estadual contra o Coritiba e também ser goleado pelo rival pelo mesmo placar.

Na última partida pela Libertadores muitos reclamaram que o time teria aceitado a derrota por demonstrar uma frieza excessiva quando ao seu redor estava pegando fogo, por se satisfazer por ter uma organização em detrimento do resultado.

Ontem o Flamengo inverteu essa ordem: pecou na armação tática dentro de campo, porém jogou com coração e alma, buscando o resultado, acreditando no segundo gol mesmo após levar o empate.

Vitória típica de quem começa a entender o que é Libertadores, principalmente por usar o Maracanã a seu favor.

Com tantos desfalques importantes e jogadores fracos iniciando a partida, o Flamengo sofreu no primeiro tempo.

Zé Ricardo armou o time que era esperado, mas talvez o não ideal: Mancuello, Gabriel, Éverton e Guerrero. As funções não estavam claras, exceção ao Guerrero, evidente.


O peruano sabe que sem Diego sua responsabilidade dobrou, triplicou, que será o mais procurado. E dentro de campo não tem se escondido, esperando uma bola na área. Guerrero saía muito da área, buscava com as tabelas abrir o jogo. No começo funcionou, depois o time passou a jogar espaçado e a não fazer mais triangulações.

Em termos táticos, ficou difícil entender qual era a função do Mancuello, que por vezes jogava mais avançado do que o próprio Guerrero. Lento e fraco, o argentino não conseguiu criar uma jogada. Já Gabriel pouco oferecia de força ofensiva e isso não é novidade para ninguém. Já o Éverton ficou sumido, parecia não estar 100% e via o time torto, só atacando pela direita.

Os chilenos não se intimidaram, não ficaram lá atrás se defendendo, afinal, precisavam também da vitória.

Na melhor chance criada pelo Católica, no passe vertical, Fuenzalida perdeu um gol inacreditável na cara do Muralha, que parecia inseguro, soltando bolas fáceis.

Guerrero criava as chances, fazia jogada de pivô, cobrava falta e perdeu pelo menos um gol na cara do goleiro. Todas as nove finalizações do Flamengo no primeiro tempo foram do peruano. Faltava gente qualificada perto dele.

Talvez pela primeira vez na temporada Zé Ricardo fez uma substituição no intervalo sem ser por contusão. Sacou o Mancuello e colocou Rodinei, centralizando o Gabriel.

Uma mudança providencial, que tornou o Flamengo mais forte no ataque, de forma consistente pela direita. As triangulações voltaram, Guerrero passou a ter mais gente perto dele e jogou mais próximo do gol. A falta na entrada da grande área foi em jogada criada pelo próprio peruano, que cobrou e, no primeiro chute sem ser do Guerrero, Rodinei guardou, após bater na barreira.

O Maracanã veio abaixo!


O Rubro Negro cresceu na partida, chegava com facilidade e criava chances. Arão, de peito, matou para Guerrero chutar, mas a bola foi pro chão e saiu por cima do gol.

Em Libertadores não tem jogo controlado. Quando tudo parecia em ordem e administrado, eis que o tanque Santiago Silva aparece novamente para infernizar a vida do Flamengo e, de cabeça, empatar a partida.

Mesmo diante de fantasmas e traumas que rondam a Gávea quando se trata de Libertadores, o Rubro Negro não se abateu e, agora dentro da área, Guerrero recebeu, girou e matou rasteiro para fazer 2 x 1 no placar.

Zé Ricardo então sacou o inoperante Gabriel, colocou Renê e adiantou o Trauco para o ataque, destacando o Éverton para fechar a esquerda. Mais chances foram criadas, todos paradas pelo bom goleiro Toselli.

Até que Trauco, na individualidade, na briga, na raça, em um gol típico de Libertadores confirmou a vitória, após marcar o terceiro gol.

Cuellar ainda entrou no final para resguardar a defesa. O Flamengo terminou o jogo com quatro laterais, três volantes e o 100% de aproveitamento em casa.

Não dá para deixar de falar da excelente partida do Márcio Araújo. Sem dúvida sua melhor atuação com o Manto.

Foram 23 finalizações (oito certas) da equipe da Gávea na noite de ontem, sendo incríveis 14 do Guerreiro. Por óbvio que não significam chances de gol, mas umas duas poderia ter guardado. Na Libertadores, o Rubro Negro é a equipe com mais finalizações certas: 37 - Guerrero tem 16 e a segunda com mais finalizações erradas: 45 - Guerrero tem 17

Nas últimas três partidas (CAP, Flu e Católica) foram 59 finalizações e apenas cinco gols. E isso tudo sem Diego. Guerrero não é um exímio matador, mas pode caprichar mais nesse quesito, em que pese a exaustação de ter que voltar para brigar pela bola, criar as jogadas, contribuir com assistências. Fica claro que realmente  falta esse jogador que fique mais na área, que dialogue com o peruano e que seja um matador.

Agora é voltar da Argentina com a classificação em primeiro lugar.

8 comentários:

Barreto disse...

Zé Ricardo foi bem ontem nas mudanças e Guerreiro jogou demais.
O Fla precisa de um goleiro o mais rápido possível.

lluigi disse...

"Lento e fraco, o argentino não conseguiu criar uma jogada."
Na realidade a jogada que o Guerrero perdeu cara a cara no 1ºT foi originada com o Mancuello, que dá um belo drible no meio campo essencial pra criar a vantagem numérica que resultou no cara a cara. Mas foi a única jogada boa do Mancu, infelizmente eu já quase não tenho esperança de que ele vai render o que se esperava quando veio.

Dito isso, o Flamengo está jogando muito bem sem o Diego. E, nessa questão de que falta gente mais qualificada ao lado do Guerrero, tenho muita esperança na volta do Conca e do Éderson. O Éderson foi trazido como o tal "camisa 10", meia ofensivo, mas ele não jogava assim na Europa. Jogava mais avançado, junto com o centrovante - exatamente o que Guerrero parece precisar. No Flamengo, ele foi colocado como meia ofensivo, mas agora com Diego (com quem ele não chegou a jogar) ele poderia ser melhor encaixado em sua posição original. O único problema será ver como ele volta após tanto tempo parado e se ele continuará saudável.

De qualquer jeito, é empolgante ver o Fla jogando desse jeito sabendo que estão faltando 3 jogadores de possivelmente nível técnico muito alto. Apesar do tanto que corneta que há em cima do time, a verdade é que em quase todos os jogos importantes do ano fomos dominantes.

Marcelo disse...

O Mengão é do Perúúúú!!!!!

Gols de Rodinei, com categoria, Paolo Guerrero grande artilheiro e Trauco irresistível!!!!

Domingo tem Maraca lotado, apoio total e mais um título do Mengão vindo aí!!!!

Parabéns jogadores por mais essa bela vitória!!!! O Mengão é demaiiss!!!!!

Flora Andrade Barros disse...

Realmente tava no Maraca e não entendia o posicionamento do Mancuello. Muito adiantado a maioria das vezes, tinha que fazer pivô varias vezes e obvio que perdia. Não sei se isso foi treinado assim, mas não acredito. Fato que ele estava perdido em campo, sem saber sua função. Eu sinceramente já não espero mais nada do argentino. Uma pena.

Joanilson Silva disse...

Tbm tenho grandes dificuldades de acreditar Ainda no Mancu, mas muitas vezes ele estava ao lado do Guerrero será, mesmo essa posição dele?!? Teve outra boa jogada dele, uma enfiada para o Gabriel, mas isso é considerado um passe errado, pois desse não podemos esperar nada, no segundo tempo centralizado e com o Rodinei na ponta ele ñ foi mais notado e continuou não servido para nada, assim sendo melhor para o time.
Definitivamente ñ temos um técnico, como será o time quando ele tiver Conca, Diego e Ederson e ñ poder mas depender de correria de ponta, vai mesmo criar um time ou torcer para q a torcida vença o jogo, pois as substituições foram isso, vamos ver se damos sorte, pois Rodinei ñ é grande jogador, ñ vai chegar na linha de fundo e acertar um grande cruzamento

Cadu Rollo disse...

Vitória essencial para a sequência do time na temporada. Um tropeço ontem seria um balde de água fria e poderia custar caro para a final de domingo, para a última rodada da fase de grupos e até mesmo pro início do Brasileirão. Obviamente tivemos pontos positivos, num jogo com reviravoltas, desafios e com muita cara de Libertadores. Mas acho importante destacar os pontos negativos também.

Estou vendo muita gente tratando o Zé Ricardo como super herói de ontem, genial e tudo mais. Concordo que ele teve méritos, teve pulso e 'culhão' para mexer no esquema e nas peças durante o jogo pra conseguir os objetivos, mas lembro também de um costume que vi muito o pofexô Luxa fazer: escalar mal para mexer bem.

Alfinetada dada, digo mais uma coisa (que também tem dedo do técnico):

Nosso time precisa corrigir um erro grave na marcação, especialmente jogando em casa. O Flamengo é um dos únicos mandantes de Libertadores que marca tão atrás atuando em casa, e com isso dá muito espaço pro adversário. Tenho visto pouca gente ou ninguém falando sobre isso. Quando estivermos no mata-mata, lembremos que o gol fora é um dos grandes trunfos para qualquer time que queira ir longe, e com o Flamengo dando tanto campo pros adversários, a probabilidade de tomarmos gols em casa no mata-mata, serão maiores que o desejado. E tomar gol em casa é um passo para eliminação.

Não consigo entender qual a dificuldade de subir um pouco a marcação, não digo marcar pressão o tempo todo pois entendo as dificuldades disso, mas o Flamengo dá liberdade excessiva pros adversários, e hoje essa é minha maior frustação com o time (e infelizmente tenho certeza que verei novamente isso no domingo).

De resto, há muito o que elogiar realmente. Hoje temos um bom elenco, ver o time liderar o grupo da morte faltando uma rodada e lembrar que ainda teremos em breve os reforços de Diego, Conca, Éderson e Berrío, dá um sentimento gostoso de esperança.

E ver o Guerrero jogar esse futebol desse tamanho então, é ter a certeza que temos o melhor atacante que poderíamos ter, independente dele não ser um artilheiro nato. É um jogador fora de série

Temos que manter o foco, manter a pegada e trabalhar para corrigir os erros. Não podemos maquiar os erros nem passar a mão na cabeça de ninuém por causa das vitórias, pois a Libertadores não dá espaço para erros. É importante falarmos dos problemas pois só assim serão corrigidos.

Abraços,

Caio Badaró disse...

Zé Ricardo estará totalmente equivocado toda vez que escalar o Gabriel. Se a única opção foi o Gabriel, é preferível jogar com 10 em campo.

Mas o Zé mexeu bem no time, isso é verdade. Concordo com o comentário acima de que o Flamengo marca muito atrás jogando em casa. Impressionante como dá espaço para o outro time chegar perto da área...

O alento é que não tem ninguém jogando um grande futebol nessa Libertadores.

André Amaral disse...

Ótimo os comentários. Sempre muito bom ter o Cadu e o Caio aqui, voltem sempre com suas ótimas opiniões, meus amigos.