segunda-feira, 10 de abril de 2017

O déficit nos esportes olímpicos e a explicação do vice-presidente da pasta

O Flamengo divulgou na semana passada o balanço financeiro referente a 2016. As dívidas e os bons números continuam, o problema é que a boa gestão ainda não reflete nos resultados dentro de campo: na quinta-feira, dia 13 de abril, vai completar três anos sem o clube erguer um troféu no futebol, um mísero turno de carioca.

Pois bem. Causou estranheza o déficit de R$ 5,8 milhões dos esportes olímpicos.


Teríamos voltado à época do futebol bancando os esportes olímpicos? A sustentabilidade acabou?

O blog procurou o vice-presidente de esportes olímpicos Alexandre Póvoa, que esclareceu o assunto, confira:

Na publicação do balanço anual realizado nessa semana, seguindo a linha de total transparência adotada a partir de 2013, o clube informa os desempenhos segmentados – Futebol, Esportes Olímpicos e Outros. 
O resultado dos Esportes Olímpicos atingiu o número negativo de R$ 5,8 milhões em 2016, o que tem gerado comentários depreciativos e até alguns maldosos, alguns por desconhecimento dos fatos e outros por má-fé mesmo de quem ignora historicamente a importância dos esportes olímpicos do Flamengo ou de quem é oposição “por ser oposição” mesmo. 
Então, vamos aos fatos. Nesse resultado, estão incluídos os números do remo (que tem vice-presidência e vida próprias, tendo sido o esporte fundador do clube) e despesas de depreciação de ativos (que não representam caixa - é apenas um registro contábil, que é rateado por todas as áreas). Tirando esses dois itens (R$ 1,6 milhões), a perda financeira efetiva da Vice-Presidência de Esportes Olímpicos cai para R$ 4,2 milhões. 
A seguir, existe uma rubrica de R$ 1 milhão em que os esportes olímpicos são “cobrados” gerencialmente pelo fornecimento de material esportivo, mas também de forma puramente contábil (não há desembolso de caixa). A explicação, dentro da lógica da contabilidade, é a seguinte: o C.R. do Flamengo tem, no contrato com a Adidas, um valor anual alto a receber em material esportivo (que não é caixa, mas compõe no faturamento do clube); a contrapartida dessa rubrica contábil é a despesa desse material alocada em cada unidade que a utiliza. Portanto, novamente, trata-se de uma contrapartida contábil que não representa caixa e, portanto, não faz parte do orçamento de fato dos esportes olímpicos. Essa metodologia está sendo discutida internamente para futura alteração. 
Chegamos então a um déficit de R$ 3,2 milhões, que é o número real do resultado, do qual explicamos a composição a seguir: 
1 – Seis modalidades: Ginástica Artística, Natação, Judô, Pólo Aquático, Vôlei e Nado Sincronizado são autossuficientes através do investimento de empresas na Lei de Incentivo de I.R. e patrocínios próprios. Há o casamento total entre fluxo de caixa e despesas. 
2 - A Escola de Esportes do Flamengo - Lucro de aproximadamente R$ 2 milhões/ano, usado para complementar o orçamento de todas as modalidades de base mais o Projeto Cuidar. 
 3 – Basquete Adulto - O “prejuízo” (entre aspas mesmo) de R$ 3,2 milhões advém do basquete adulto por conta de um descasamento de fluxo de caixa que já acontece há três anos. O patrocinador da nossa Lei de Incentivo Estadual de ICMS só consegue depositar os recursos, por questão de sazonalidade das disponibilidades da empresa, entre os meses de março e maio do ano seguinte que começa a temporada (agosto do ano anterior). Inclusive, nesse momento, a referida companhia já está pronta para efetivar o pagamento de todo montante, processo que tem sido atrasado pela crise financeira do Estado do RJ (que, inclusive, está muito satisfeito com a parceria; além do sucesso esportivo do C.R. do Flamengo, já foram abertos 10 núcleos de basquete como contrapartida da lei de incentivo, sendo que o décimo-primeiro será inaugurado dia 19/04, em Petrópolis). 
Com a aprovação prévia da diretoria, o clube “adianta esses recursos” na primeira parte da temporada e, quando a empresa deposita os recursos na Lei de Incentivo, há o reembolso integral. É como se houvesse um “prejuízo” em um semestre que é compensado por um “lucro” no semestre seguinte. Esse montante que será ressarcido relativo ao primeiro semestre da temporada (agosto a dezembro) monta ao redor de R$ 3,5 milhões (o que geraria, após o reembolso, até em um pequeno lucro no exercício de 2016 olhando receitas/despesas efetivas). Lembrando que o basquete também conta com patrocínios próprios que pagam parte das despesas. 
Se as pessoas quiserem criticar por não concordarem com esse procedimento (o clube adiantar um recurso que, meses depois, é 100% ressarcido – lembrar que estamos falando da mesma instituição), trata-se de um direito legítimo. Mesmo considerando que a temporada de todos os esportes de alto rendimento (com exceção do futebol no Brasil) se compreende entre agosto e julho do ano seguinte, realmente não é a situação ideal. Mas temos conseguido operar de forma satisfatória, sem o registro de nenhum problema. Mas essa decisão gerencial pode ser revertida a cada final de temporada, caso a diretoria não concorde mais em assumir esse risco ou consiga outra equação de patrocínio/financiamento. 
Portanto, reafirmamos que os esportes olímpicos do C.R. do Flamengo ligados à essa vice-presidência são autossustentáveis, sendo que uma modalidade (basquete adulto) apresenta essa característica, no momento, de receber um adiantamento do clube (primeira parte da temporada) para posterior integral ressarcimento de parte de seu orçamento (segunda parte da temporada). Agora, cabem alguns esclarecimentos:  
1 – Pinheiros e Minas – Não são clubes de futebol, mas são clubes sociais que competem diretamente com o C.R. do Flamengo nos esportes olímpicos. Alguém sabe quanto de receita social desses clubes é transferida (sem ressarcimento financeiro) para os esportes olímpicos anualmente? Aproximadamente R$ 30 milhões saem do bolso dos sócios daqueles clubes para financiar os esportes olímpicos; essa definição está nos respectivos estatutos. Competimos diariamente com esse tipo de clube nas piscinas, ginásios, dojôs e todas as arenas esportivas.  
2 – Investimentos na infraestrutura do clube oriundos dos Esportes Olímpicos – Ressalte-se que, nos últimos anos, durante o ciclo olímpico, projetos de lei de incentivo e receitas de comitês olímpicos trouxeram investimentos de aproximadamente R$ 16 milhões de infraestrutura para a Gávea, aumentando diretamente o patrimônio dos sócios. Quem conhece Contabilidade, sabe que tais investimentos não passam pelo Demonstrativo de Resultados, ficando no ativo fixo do Balanço Social clube (e até aumentando a depreciação, o que reduz posteriormente o lucro). Somente no caso da piscina Myrtha foram cerca de R$ 7 milhões oriundos de recursos diretamente ligados aos esportes olímpicos. Que fique registrado que, na inexistência dos esportes olímpicos, essas fontes de financiamento não existiriam. Adicionalmente, se esses recursos passassem pela conta de resultados, os esportes olímpicos teriam sido altamente superavitários nos últimos anos.  
3 – Fornecedor de Material Esportivo – O atual fornecedor de material esportivo paga uma vultosa quantia anual ao C.R. do Flamengo. Outros contratos foram assinados com outras empresas ao longo das últimas décadas. As modalidades olímpicas são obviamente obrigadas a usar o material esportivo do clube. Nada mais justo, portanto, que parte desse contrato gerencialmente fosse alocada aos esportes olímpicos. Mesmo um percentual modesto (10-15%) ajudaria demais os esportes olímpicos, mas o contrato é gerencialmente 100% alocado para o futebol, como decidido historicamente. Essa, infelizmente, é uma luta que nunca foi vencida. Espero que a racionalidade prevaleça nos próximos anos.  
4 – Pagamento de dívidas atrasadas – Após quatro anos de grande sacrifícios, conseguimos finalmente terminar de pagar 100% do parcelamento das dívidas acumuladas encontradas em 2013 nos esportes olímpicos. Cabe lembrar que esse esforço também afetou os últimos orçamentos, o que não deve ocorrer mais daqui por diante.  
Apesar das enormes dificuldades, atletas e profissionais defendem com toda paixão diariamente o manto sagrado rubro-negro. O desafio é trabalhar 24 horas por dia para manter a estrutura funcionando e conquistar novos parceiros, com o objetivo de sempre crescer o orçamento ano a ano.

Esperamos que tenhamos esclarecidas as dúvidas. Sabemos diferenciar as críticas legítimas das acusações levianas daqueles que historicamente sempre quiseram o Flamengo somente como um clube de futebol, ignorando a Gávea como nosso coração e os esportes olímpicos como parte da grandeza rubro-negra. A tradição multiesportiva do Flamengo, evidentemente capitaneada pelo futebol como grande carro-chefe, não vai terminar nunca, sempre com a inegociável responsabilidade financeira e, sobretudo, vitórias esportivas, estas sim a razão de ser e o destino do nosso clube.

5 comentários:

Claudio disse...

A Fla-sofá está reclamando que o Clube de Regatas Flamengo antecipa um valor ao Basquete, valor esse que é compensado no semestre seguinte?

Vão chupar um picolé!!!! Vão arranjar alguma coisa pra fazer!!!! Levantem a bunda do sofá e façam alguma coisa de útil pelo Flamengo, pela sociedade, por alguém que precisa, PORRA!!! Parem de tagarelar e ajudem em algo!!!!

Nossa, de onde surgiu toda esse virilidade que tomou conta de mim agora??? rsrs.

André, o Alexandre Póvoa é demais!!!!

Flamengo, eu te amo!!!!

Julio Martins disse...

Alexandre Póvoa muito obrigado!

Pedro Ferreira disse...

Não consigo entender como tem gente que ainda critica os esportes olímpicos, responsáveis - sobretudo o basquete- pelas grandes alegrias nessa gestão do Bandeira.

Quer dizer que o contrato da Adidas fica 100% para o futebol (R$ 40 milhões por ano se não me engano) que ainda cobra material esportivo dos esportes olímpicos? Que modernidade !


Alexandre Póvoa é sempre didático, equilibrado e brilhante, sem dúvida é o melhor dirigente do Flamengo na atualidade. Visão completa de clube e sem a postura de alguns dirigentes que chegaram ontem ao clube e conhecem muito pouco de Flamengo, apesar de serem brilhantes em suas carreiras.

Por que não nunca colocaram o Póvoa no futebol ?

Joanilson Silva disse...

Pelo que entendi o dinheiro fica mesmo 100% com o futebol, acho q muito mais por jogada de marketing do que por qualquer outra coisa, mas essa cobrança não é saída de dinheiro, é somente para alocação do custo do uniforme em cada modalidade.
O q sempre achei errado no Flamengo é isso de encher a boca q ganha um super valor da Adidas q o vlr é muito maior do que era das flores e do porco, só q esses clubes pequenos só tem muito mal o futebol. Entendo q para o crescimento dos demais esportes seria necessário fechar em contratos separados, podíamos ter tentado manter a Olimpikus para os esportes olímpicos, já q tínhamos uma excelente parceria com ela e a Adidas ficava com o futebol.

Anônimo disse...

Omitem a NOTA a respeito do assunto no Demonstrativo Contábil de 2016!
Se não fosse o Alexandre Póvoa ninguém teria tomado conhecimento!!!
SRN
MD@emon