quarta-feira, 5 de abril de 2017

Basquete e Arena da Gávea, por Alexandre Póvoa


O blog entrou em contato com o vice-presidente de esportes olímpicos Alexandre Póvoa, para comentar sobre a atuação do basquete Rubro Negro na fase de classificação e o andamento da Arena para os esportes olímpicos da Gávea.

Confira:


BASQUETE

A temporada foi de superação, diferente de todas as outras. Primeiro, perdemos 40% do orçamento por conta da perda do patrocinador (que não foi reposto) e tivemos que adaptar esse déficit à política de contratações. Esperamos ter novidades em breve sobre a questão do patrocínio. Mas acabou sendo bom por outro aspecto, porque eu e o Marcelo Vido conseguimos implementar o que queríamos já a algum tempo e não estávamos conseguindo por diversas razões: O rejuvenescimento do time, que hoje tem média de 25 anos, formando o grupo com o seguinte critério: 1/3 de uma faixa de idade mais experiente (Marcelo, JP , Olivinha e Marquinhos), 1/3 de meia idade, no auge físico e técnico (Ramon, Fischer, Mineiro) e um 1/3 de um grupo mais jovem que iria dar muita força física ao time (Humberto, Lelê, Pedrinho, e Léo Bispo que trouxemos de fora, além da garotada da casa, como o João Vitor e Danilo). Como de hábito, apertamos ainda mais o orçamento para, com a economia no começo da temporada, trazer um estrangeiro em janeiro (por motivo de contusão ou para suprir alguma lacuna técnica/tática que observássemos). Esse foi o planejamento inicial, mas há situações que não conseguimos controlar.

Primeiro, infelizmente, a nossa participação na LDB acabou se tornando altamente prejudicial. Primeiro, perdemos o Pedrinho por contusão muscular e, já, na volta, o Humberto por fratura por stress (duas vezes) e o Lelê (contusão de joelho).

Some-se a isso o acidente doméstico que levou o Rafael Mineiro a se apresentar contundido no começo da temporada, além da inesperada dificuldade (readaptação muscular) que o Ricardo Fischer viveu para voltar a jogar após a operação no joelho (zero de problema no local), tendo sofrido três lesões na coxa.

Enfim, tivemos que improvisar bastante dentro da quadra e, nesse caso, o grupo mais experiente e a garotada (alguns que nem figuram entre os 12 hoje) seguraram a onda de forma brilhante. Enfrentamos aquele “inferno” (briga de torcidas, organização da FERJ, WO) no Campeonato Carioca e vencemos mesmo muito desfalcados.

Fomos injustamente alijados da Liga das Américas, o que para nós representou um misto de revolta e decepção. Era o principal objetivo da temporada. Lembrando que o Guaros de Lara venceu a competição. Estamos engasgados até hoje por conta daquela derrota inacreditável (por culpa inteiramente nossa) para Bauru na semifinal da LDA passada. Tínhamos totais condições de vencer de novo, lembrando que o San Lorenzo, que seria o favorito na ausência dos times brasileiros, nem chegou ao Final Four. Enfim, pagamos um preço enorme por estarmos inseridos de direito, mesmo com a LNB completamente independente de fato, no sistema apodrecido de federações e confederações no Brasil. Lembraremos sempre 2016 como o ano em que sofremos e brigamos o tempo todo com a FBERJ no Campeonato Carioca e fomos engolidos pela irresponsabilidade da CBB. Repito: o Flamengo tem a obrigação de liderar essas mudanças no esporte nacional, enfrentando o status quo vigente.

Entramos na NBB e fizemos um primeiro turno excelente e até surpreendente pelos desfalques de alguns jogadores importantes. Trouxemos, conforme planejamento, um reforço para a posição de pivô para o começo do segundo turno, obedecendo aos critérios costumeiros que levam em conta o perfil de atleta e pessoal (a partir de uma realidade financeira mais modesta). Aos poucos, os jogadores foram se recuperando e voltando, mas paradoxalmente tivemos duas semanas em janeiro muito desfavoráveis, perdendo 4 jogos em 5 (alguns de forma inacreditável). Mas pela nossa experiência recente, essas fases complicadas (com diferentes características) ocorreram em todas as temporadas e a reversão vem pela fórmula de sempre: muito treino, papo e confiança; crescemos novamente e atingimos o primeiro lugar da fase de classificação (quarta vez nos últimos cinco anos). Depois de enormes dificuldades na temporada, foi um grande feito, mas é claro que, em se tratando de Flamengo, consiste apenas em um primeiro passo.

Há muito a se evoluir para chegarmos bem aos playoffs. A defesa precisa melhorar bastante, estamos tomando pontos dos adversários acima de uma média aceitável. Todos tem a consciência de que precisamos “fechar” melhor as partidas quando estamos em vantagem e o adversário vem para o “tudo ou nada” nos minutos finais (temos arriscado vitórias praticamente certas). Podemos trabalhar também um equilíbrio maior entre o jogo externo e interno.

Enfim, o lado bom das contusões de uma temporada de provações foi que a equipe se fortaleceu como grupo. Hoje, diferente do passado, o time não é composto somente de 8 ou 10 jogadores, contamos com 12 atletas em totais condições de ajudar, cada um dentro do seu potencial e tempo equivalente de quadra. Alguns jovens tiveram mais espaço por conta das contusões – Lelê e Pedrinho são exemplos - e evoluíram muito. Ficamos bastante chateados pelas duas fraturas (no mesmo local) do Humberto, já que se trata de uma grande aposta nossa. Sua força pode ajudar muito na defesa e nas infiltrações no ataque, já que o seu estilo de jogo é muito complementar ao do resto da equipe. Esperamos que ele volte com tudo nos playoffs.

Enfim, sabemos que será novamente “Todos x Flamengo”, nada mais natural em um campeonato que só assiste a um vencedor nos últimos quatro anos. Além dos adversários sempre jogarem “a partida da vida” contra a gente, mesmo que inconscientemente, também a arbitragem quer mostrar que é “independente do mais forte”.

Tudo será difícil, e o caminho da tabela também é desafiador. Podemos pegar o Vasco nas quartas de finais para elevar ainda mais a adrenalina ou o Pinheiros, que é um time que cresceu demais nessa temporada. Depois, simplesmente devemos cruzar, se não houver nenhuma zebra, com Brasília ou Bauru, dois adversários super-tradicionais e fortes para chegarmos a mais uma final. Porém, o grupo sabe que, se jogarmos próximo ao nosso potencial, com todo o respeito aos adversários, seremos forte candidato ao penta seguido ou hexa alternado da NBB. Temos que nos impor com a força da nossa camisa e como equipe a ser batida. Quem deve sentir esse peso é o adversário e não a gente, porque nós é que somos Flamengo.

Como costumo falar a cada temporada com o grupo, “é impossível ganhar sempre. Mas deixemos para perder ano que vem”. Tem dado certo, mas é claro que a cada ano é mais difícil, mas confiamos plenamente no trabalho que está sendo desenvolvido pela comissão técnica e equipe.



ARENA OLÍMPICA DA GÁVEA

Conseguimos a aprovação total do projeto pela prefeitura (com todas as exigências e mudanças que foram pedidas pelos diversos órgãos) de nosso novo ginásio no ocaso da gestão Eduardo Paes, após 5 anos de muita luta que ultrapassou três mandatos de presidente do Flamengo. Apenas esclarecendo - Não é um "ginásio para o basquete do Flamengo", será a casa para todos os esportes olímpicos do clube.

O próximo passo foi a renegociação do contrato com a empresa que explorará direitos comerciais e construirá o ginásio. Os termos do acordo – valores e duração – teoricamente a parte mais complexa, já estão praticamente acertados, pendendo de pequenos detalhes.

Estamos em fase final da negociação das garantias, exigidas pela contraparte como potencial compensação futura de seu investimento, caso haja algum impedimento da empresa em operar sua loja no ginásio depois do projeto concluído. O Alexandre Wrobel, VP de Patrimônio, tem liderado as negociações, juntamente com o CEO do clube e a área financeira, com o meu suporte pelos Esportes Olímpicos. Estamos otimistas que, encerrada essa fase, estaremos prontos para levar o projeto e o contrato para a apreciação do Conselho Deliberativo do C.R. Flamengo para aprovação, onde sinceramente, após tanta luta, torço para que não encontremos oposição ao projeto.

Passada a  etapa do Conselho, vamos para a construção, que tem o prazo estimado de 15-18 meses. Sonho em assistir, sentado como torcedor na arquibancada da nossa nova Arena, ao Orgulho da Nação no NBB 11 e, quem sabe, também partidas de equipes de alto rendimento também de vôlei e futsal do nosso Mengão, além de competições do nosso judô e ginástica artística também ali. Será a casa tão sonhada dos nossos esportes olímpicos e, se der jeito, a gente até coloca até o remo e os esportes aquáticos lá também (rs).

10 comentários:

Allan Fechine disse...

Muito obrigado André Amaral!! Você faz um grande trabalho na cobertura do basquete Rubro-Negro!! Não vejo a hora de ver nossa Arena pronta.

Marcelo disse...

Parabéns, André. Mais uma vez uma excelente entrevista.

Gustavo Duarte disse...

Impressionante a competência e a transparência. Parece (e é) obrigação, mas qual o dirigente esportivo que presta contas dessa forma tão aberta, mesmo que não concordemos com alguma de suas opiniões ?

Parabéns ao André, aumenta o orgulho de ser rubro-negro.

Barreto disse...

Gustavo Duarte, é realmente impressionante o trabalho do Povoa e do Marcelo Vido, os quais alem de ótimos gestores contribuem tambem com a formação do elenco de basquete porque jogaram e entendem muito do esporte. Ainda há gente que reclama.Chegar em primeiro na fase classicatoria liderando a competição quase de ponta a ponta é uma façanha para quem teve 40% de redução no patrocínio.

Antonio Ferreira disse...

Boa tarde André e amigos rubro-negros. Imensa satisfação de ter no nosso mengão um dirigente do nível do Póvoa, que somando-se ao Vido são um time "quase imbatível" como um certo time do basquete brasileiro... kkkkkkkk Rumo ao 5º título seguido. Espero também poder acompanhar meu mengão na futura Arena.

Valeu André pela entrevista! Pra cima deles mengão!
SRN

alan teixeira disse...

Saudações Rubro Negras a todos,

Gostaria de tocar em dois pontos importantes: patrocínio e déficit dos Esportes Olímpicos.

Primeiro, gostaria de entender o porquê de não se conseguir outros patrocinadores para o basquete, em outras ocasiões li que tinham várias ofertas, porém com valores "menores". Aí pergunto, não era melhor aceitar a oferta menor do que ficar com 40% a menos de verba?

Em segundo lugar, o discurso sempre foi de que os Esportes Olímpicos deviam ser auto sustentáveis, e de acordo com balancete informado ontem não estão sendo. Voltamos a prática de tirar dinheiro do futebol? Vale a pena ter Esportes Olímpicos que não se sustentam?

Apesar disso tudo, o clube continua melhorando.

Saudações,
Alan

Julio Martins disse...

Parabéns Alexandre Póvoa e Marcelo Vido pelo excelente trabalho de vocês no nosso Mengão!!! Muito obrigado por tantas alegrias!!!

BARRETO disse...

Alan Teixeira

As ofertas eram muito menores. Aceitar estas ofertas significa enfraquecer a marca Flamengo para futuras negociações o que acarretaria em perdas muito maiores no futuro do que a falta de patrocínio atual. Os esportes olimpicos continuam sendo sustentáveis. A utilização do dinheiro do futebol ocorreu como emprestimo de curta duração, terminando quando a receita dos patrocínio incentivados foram liberados.

André Amaral disse...

Alan

Também fiquei preocupado, já entrei em contato com o Póvoa e o Vido para que eles possam explicar.

A receita foi de R$ 20 milhões, com gastos de R$ 14,5 milhões em salários.

A dúvida deles é sobre esse R$ 4,1 milhões de depreciação / amortização, que não é despesa operacional. Que em virtude dos esportes olímpicos terem conseguido alguns milhões de ativos (piscina, centro de força, cuidar, dentre outros equipamentos), é natural que a depreciação tenha aumentado.

Que o prejuízo mesmo é de R$ 1,8 milhão. Mas que há explicação. O ano fiscal do basquete é de junho a junho. Por isso a outra parte do patrocínio incentivado vai entrar na metade do ano.

Barreto disse...

Podem colocar na conta do David Jackson a derrota hoje do Vasco contra o Pinheiros. Nos momentos mais decisivos o cara só faz me..... Não é implicância mas pura constatação pelos fatos recorrentes.