sábado, 21 de novembro de 2015

O sonho do Flamengo em verticalizar o esquema tático da base ao profissional. E o exemplo do Santos

Na apresentação do vídeo da chapa azul, o futuro vice-presidente de futebol. Flávio Godinho, disse que um dos planos para a próxima gestão é verticalizar o esquema tático das categorias inferiores.

Futebol ofensivo, meias canhotos, foco no talento e não na força física. Foram alguns dos atributos desejados pelo Godinho.

E citou, evidente a maior referência no assunto: Vila Belmiro.

O Santos está classificado para finais do Paulistão em todas as categorias de base. Quem coordena as divisões inferiores é o gerente Ronaldo Lima, que assumiu o clube em maio.

A primeira meta do ex-coordenador da Seleção Brasileira de Futebol Feminino e supervisor da Seleção Brasileira ao lado do ex-diretor Américo Faria foi reduzir o número de atletas de 230 para 150.

Ao lado dele está o coordenador Marcos Bechara, que explicou essa redução:

“Decidimos reduzir o número para ter um controle mais efetivo de cada garoto, levando em conta sua evolução física, técnica, tática e de comportamento dentro e fora de campo. Algo na linha: como se vestem ou como respeitam as ordens dos treinadores. Todos os jogadores conhecem a história do Santos e isso ajuda a entender o que significa vestir essa camisa”.


BIOTIPO 

"A gente prioriza a qualidade com a bola no pé e somos contra a robotização dos jogadores, que ficam muito forte e perdem a habilidade. Se isso fosse importante para nós, o Neymar teria sido barrado", disse Ronaldo Lima.


FAMA

A fama do Santos é um dos seus grandes trunfos. O zagueiro Fernando, do Sub-17, passou no teste do Flamengo e do Fluminense, mas decidiu deixar a família em Linhares, no Espírito Santo, e se aventurou em terras paulistas. "Todo mundo quer jogar aqui. Motiva ver um cara como o Gustavo Henrique, que assim como eu, saiu da base do Santos e hoje é titular do principal".


NOVO TREINADOR DO SUB-20 CONTRATADO APÓS SELEÇÃO

Recentemente o carioca Marcos Soares, 40 anos, assumiu o sub-20 dos Santos. Mas não foi escolhido por indicação ou porque estava disponível no mercado, pelo contrário, passou por um processo de seleção como em qualquer grande empresa: deixou seu currículo e foi convidado, junto de outros quatro treinadores para uma entrevista na Vila.

Na apresentação por 40 minutos, com apoio de projeções e vídeos, passou por uma sabatina pelo gerente e coordenador da base e até pelo Dorival Júnior, para identificar nos candidatos o perfil traçado pelas categorias de base santista.

Duas semanas depois ligaram para ele dizendo que havia sido o escolhido.

Em entrevista, afirmou que existe a pressão por seguir a história do futebol do Santos, que é jogar de forma ofensiva. Já colocou um atacante aberto de segundo volante e um meia-atacante de lateral esquerda.

"Aqui, os marcadores não aprendem apenas desarmar. Eles são ensinados a se antecipar ao adversário e já dar início a jogada. O garoto sabe que se aparecer bem, será utilizado no principal. Tem clubes que são campeões de muita coisa na base, mas não aproveitam ninguém", afirmou o treinador.

Marcos Soares se capacitou. Passou 40 dias na Espanha. Depois assistiu aos treinamentos de Guardiola no Bayern de Munique.

Segundo Soares, a estrutura alvinegra conta com sala de estudos, psicólogo, alojamentos, academia e três campos para treinamentos, mas o diferencial é a integração entre toda diretoria da base e do profissional. A troca de informações é constante e as reuniões são periódicas.


PADRONIZAÇÃO TÁTICA

Para padronizar o desempenho das categorias, o Santos adotou um padrão tático para todas as equipes. O objetivo é diminuir a dificuldade de transição dos atletas de uma categoria para a outra, além de dar consciência tática a eles.

Para que a filosofia se encaixe, todos os departamentos da base se reúnem semanalmente. No encontro, os técnicos apresentam "relatórios" do que foi trabalhado e está sendo projetado. Discutem trabalhos técnicos, táticos, esquemas de jogo e a simples troca de experiências.

Os médicos e fisiologistas das divisões inferiores também participam e apresentam relatórios da preparação física por categoria dos jogadores e tenta apresentar maneiras de melhorar ainda mais o condicionamento deles.


REDE DE AVALIADORES

Não existe mais a tradicional peneira. No Santos funciona um setor específico de avaliação, com ex-atletas do clube, uma equipe de profissionais capacitados para fazerem uma seleção criteriosa, onde observam os garotos e se preocupam em formar especialistas nas posições.

Pelo discurso do Godinho e tudo que vimos, é evidente que o Santos é seu modelo.

Eis um caminho para o Flamengo começar a seguir: ter um gerente competente, identificar os atributos para suas divisões de base, contratar treinadores para a base que sigam e formem jogadores seguindo esses atributos, formar uma rede de olheiros e analistas especializados, terminar o CT da base e assim começar a pensar em voltar a revelar jogador.

8 comentários:

Bcb disse...


Ninho, depois de um certo período de "férias" de postagens você voltou com sangue nos olhos hahaha

Sequência muita boa de postagens, sendo esta, da base do Santos, uma das melhores.

O Fla tem que partir para algo similar, o quanto antes.Trata-se de um investimento de médio/longo prazo, então quanto antes começar, melhor.

André Amaral disse...

Hahahaha...valeu BCB. Sabe o Noval e o Brazil continuam à frente da nossa base?

marciogs disse...

O Noval sim, o Brazil saiu já faz algum tempo

Daniel B disse...

Belo post.
Olha só. Se nossa reestruturação administrativa continuar e com a adoção desse tipo de gestão pra base (somados a finalização do CT), daqui a alguns anos teremos recursos pra investir em jogadores experientes de ponta, e o aparecimento de jovens talentos vindos do ninho.
SRN

Caio Riebold disse...

Parabéns André, muito legal o post.

Tenho um amigo olheiro aqui em Brasília, uma vez fiz a pergunta sobre o motivo do Santos revelar tantos garotos com futuro. Ele me respondeu contando sobre as diversas escolinhas espalhadas pelo país e também sobre o fato de não rolar muita "peixada" na base, lá entram os melhores mesmo, diferente do Flamengo de uns tempos anteriores. Ainda me contou, sem muita profundidade, essa história de que o Santos era um dos únicos do país que ainda preferia o jogador com maior qualidade técnica do que aquele com o biotipo Adriano (alto e forte).

É impressionante como o Flamengo "caiu" no conto de que jogador bom tem que ter físico de adulto.

Caio Riebold disse...

*É impressionante como o Flamengo "caiu" no conto de que jogador de base bom tem que ter físico de adulto.

Humberto Sempre Fla disse...

A base do Flamengo tem que voltar a revelar craques, grandes jogadores.

Os olheiros do Clube estão precisando usar óculos. rs

Matheus disse...

André, VC não conseguiria uma matéria, sobre a estrutura da nossa base ? Como são hoje, as acomodações , alojamentos, academia da base, vestiários, refeitório etc . seria possível uma matéria , ou fotos ?