quinta-feira, 10 de julho de 2008

Um fica outro vai, por Vitor Boêmio

A abertura da chamada “Janela de Contratações” é uma particularidade do nosso campeonato desde que começaram os pontos corridos e faz com que tudo mude no meio da competição. Favoritos ao título podem acabar brigando para não cair para a segunda divisão com a saída dos seus principais jogadores; técnicos reclamam do assédio a seus jogadores alegando, muitas vezes com razão, que os mesmos estão mais preocupados com uma possível saída para o exterior, ao invés de manter o foco no campeonato que ainda está disputando; dirigentes e empresários debatem sobre valores cada vez maiores de atletas que, na maioria das vezes, nem mostraram tanto futebol assim, enquanto os torcedores vão se acostumando com a idéia de ver seus candidatos a ídolos irem fazer outra torcida feliz, bem longe do clube formador.

Mal se abriu a tal “janela” e o Flamengo já teve duas grandes batalhas nesta guerra contra a debandada dos nossos jogadores para clubes europeus, árabes ou de outros lugares pitorescos ao redor do mundo que, estranhamente, parece ter sempre mais condições financeiras do que os clubes brasileiros. Sem exceções, já que, mesmo aqueles que mostram ter algum poder de compra, boas estruturas e condições de pagar em dia os bons salários dos jogadores, só conseguiram essa independência graças à venda dos seus jovens valores para o exterior. Esse tem sido o mal necessário de todos os clubes do Brasil e o Flamengo está muito longe de ser diferente.

A primeira batalha, por incrível que pareça, foi vencida por nós. Depois de sofrer o assédio de clubes da Alemanha e do São Paulo, Ibson renovou o empréstimo com o Flamengo e fica por mais um ano na Gávea, mesmo contra a vontade do clube que possui os direitos do jogador e que pretendia vendê-lo em definitivo ou emprestá-lo para algum clube europeu. Valeu a vontade do jogador, que deixou claro, desde o início, que queria ficar no Mengão.

A segunda batalha nós perdemos. Renato Augusto, que já teve antes o passe todo “recortado” para que o Flamengo pudesse garantir a permanência do Bruno, a contratação de Kléberson e o empréstimo do Jônatas, foi vendido em definitivo para o futebol alemão. Era uma venda inevitável, talvez a mais certa entre os torcedores, mas espera-se que a venda deste, que foi a última revelação criada no clube, seja o suficiente para segurar as outras importantes peças do time. Será uma perda sentida, mas que pode ser reparada por jogadores do próprio elenco, ainda que a diretoria prometa reforços.

O grande trunfo do Flamengo nesse Brasileirão é o seu conjunto, por isso mesmo a saída de um jogador em especifico não chega a ser um desastre, desde que os outros sejam mantidos. Renato Augusto tem um grande potencial, vai brilhar na Europa e será ainda mais valorizado. Para nós, fica a lição, temos que ter estrutura para valorizar os nossos craques nós mesmos. Boa sorte, Renato, e até a volta. A Nação torce por você.

"Colunistas do Flamengo":http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=42812707

Um comentário:

Anônimo disse...

Ra fará falta