terça-feira, 3 de junho de 2014

"O Basquete do Flamengo agradece 3", por Alexandre Póvoa


Em sua terceira edição, o vice-presidente de esportes olímpicos Alexandre Póvoa enviou carta para a Nação Rubro Negra e os amantes do basquete Rubro Negro.

Caros amigos rubro-negros,

Em junho/2013, escrevi uma carta (“O Basquete do Flamengo agradece”), comemorando a conquista do título da NBB 5. Em Março/14, com a grande vitória na Liga das Américas, reeditei o comentário ("O Basquete do Flamengo agradece – Parte II"). Agora, tenho o prazer de comentar a terceira parte dessa saga que nos tem enchido tanto de orgulho, dessa vez com a conquista da NBB 6. Três vezes, pois afinal, nosso mantra é “Vencer, Vencer, Vencer”.

A primeira pergunta que me fizeram após a emocionante vitória de sábado, contra o Paulistano, um duro adversário, é se ficamos felizes e satisfeitos com a chamada “temporada perfeita”.  Afinal, ganhamos tudo o que disputamos no basquete brasileiro - o eneacampeonato carioca, o bicampeonato da Liga de Desenvolvimento (LDB), o título inédito da Liga das Américas (a Libertadores do basquete), culminando no tricampeonato da NBB.

A resposta é simples: Felizes sim, satisfeitos não.

A felicidade vem das festas nos ginásios do Tijuca e da Gávea, no Maracanãzinho e na Arena da Barra. Não tem preço ver a torcida do Flamengo vibrando, sendo o sexto jogador em todas as vitórias que tivemos.  O maravilhoso cenário de  16 mil pessoas nos empurrando na Arena da Barra - com excelente audiência na televisão aberta – não nos sairá da memória tão cedo. Felizes por termos assistido, nos diversos recantos do Brasil – Bauru, Mogi, Brasília, Fortaleza, Vitória, entre outros – grandes espetáculos com a nossa torcida sempre presente.

Muito felizes porque conseguimos formar um grupo sensacional, de verdadeiros homens na acepção da palavra, que continuaram trabalhando fortemente independentemente de atrasos de salários em 2013. Por consequência, felizes porque conseguimos restabelecer o equilíbrio financeiro e resgatar as dívidas passadas com os atletas. Falta agora pagar as premiações sobre os últimos campeonatos conquistados... Ganhar muito tem essa desvantagem, “gera déficit”, mas pelo menos esse vem muito prazer.

Felicidade enorme por poder contar com uma comissão técnica de alto nível, comprovada na ausência total de problemas musculares relevantes e suspensão de qualquer atleta durante toda a dura temporada, mesmo com a desgastante frequência de viagens, jogos e treinos em dois períodos. O grupo é tão fechado que, mesmo tendo sido comunicado sobre a espetacular notícia dos jogos contra equipes da NBA, quatro dias antes o anúncio oficial (não queríamos que houvesse influência emocional na final), não permitiu um só vazamento de informação, conforme pactuado entre a gente.

Felicidade completada pela entrega da taça da NBB6 ao capitão Marcelinho pelo Vice-Presidente Dr. Walter D´Agostino, representando todos os grandes beneméritos e a tradição rubro-negra de raízes mais profundas. Que fique claro que o sucesso do basquete não é mérito somente da atual diretoria, é fruto de uma evolução competente da tradição do esporte que vem sendo alimentada por várias gestões. O Flamengo é grande demais, nossa linda história teve apenas mais um sensacional capítulo no último sábado.

Porém, declarar-se plenamente satisfeito é sinônimo de estagnação, de metas plenamente atingidas. Chegar próximo ao topo é muito bom, mas o sonho de manter-se lá em cima é muito mais complexo. Definitivamente, não estamos satisfeitos, até porque a próxima temporada (2014/15) será a mais importante da história do basquete do Flamengo:

- Lutaremos pelo decacampeonato Estadual. Sonhamos humildemente em igualar o feito da geração de Kanela e Algodão na década de 50, longe de qualquer tipo de comparação. Tomara que aconteça em um campeonato que conte com os tradicionais adversários, como Vasco, Fluminense e Botafogo.

- Queremos continuar melhorando a nossa produção de atletas na base e vencer novamente a LDB. Temos a obrigação de voltarmos a ser um celeiro de novos craques.

- Desejamos o tetra da NBB e o bi da Liga das Américas, onde assumiremos, sem problemas, o rótulo de “time a ser batido”.

- Chegamos à tão desejada final do Mundial de Clubes contra o Maccabi Tel Aviv. Por que não sonhar com a vitória em uma arena lotada de rubro-negros, mesmo sabedores da diferença de investimento entre o basquete brasileiro e europeu?

- Fomos o primeiro clube da América Latina na história a ter a honra de ser convidado (recebendo cota) para jogar dois jogos contra equipes da NBA. Por que não sonhar, no mínimo, em fazer bons jogos e começar a fazer parte do calendário oficial da maior liga de basquete do mundo?


Enfim, o Flamengo pode perder ou ganhar dentro das arenas esportivas. Fora delas, nunca podemos estar satisfeitos, plenamente realizados, temos que pensar grande sempre, proporcionalmente ao tamanho de nossa torcida. Não podemos apenas sonhar, mas fazer acontecer, mesmo nas dificuldades enormes vividas pelos esportes olímpicos no Brasil. É, literalmente, matar um leão por dia, desde sobreviver até atingir a excelência.

Temos um excelente grupo, o que significa muito mais do que possuir um ótimo time de jogadores de basquete somente. Porém, cabe lembrar que apenas dois titulares da final da NBB5 começaram em quadra na partida decisiva da NBB6. Evidentemente, ao contrário do ditado, em time que está ganhando, podemos sempre evoluir. O time desse ano foi superior ao do ano passado e esperamos evolução para o próximo grupo. Estamos planejando a temporada que chega para superar os defeitos que existiram e projetando as competições que teremos. Tudo que é bom, mantendo-se a base, pode melhorar, mas sempre com responsabilidade financeira, planejamento + execução (= boa gestão), profissionalismo e, o mais importante, com comprometimento  total de todos, dos funcionários, comissão técnica, atletas e direção, como canta e exige a massa rubro negra.

Muitos perguntam sobre qual será o nosso maior objetivo em 2014/15. Nossa maior responsabilidade para temporada 2014/15 não é ganhar um jogo ou campeonato, seja no Estadual, Mundial ou NBA. Nosso sonho mais ambicioso é que o basquete do Flamengo continue sendo o "Orgulho da Nação”, esse sim nosso maior objetivo ontem, hoje e sempre.  Ganhar ou perder faz parte do esporte, mas o torcedor precisa ter sempre orgulho de quem desfruta a honra de vestir o nosso manto sagrado. Essa é a nossa obrigação.

Sonhamos com um clube unido em todas as áreas, vencedor como é o destino do Flamengo, cumpridor dos seus deveres com o Governo e com seus empregados, com a torcida do lado, com os grandes rubro-negros pensando única e exclusivamente na instituição, com críticas construtivas, mas deixando de lado as picuinhas, os e-mails apócrifos, mas sempre de respeito às tradições, sem abrir mão da modernidade. Enfim, o único adversário à altura do Flamengo não pode ser ele mesmo. Lembrando que o processo de construção, muito mais difícil, é sempre mais nobre do que a fácil tarefa de destruir (a autofagia rubro-negra).

Que os Esportes Olímpicos, após a Copa do Mundo e somente a dois anos da Rio-2016, sejam olhados com mais carinho e interesse, seja pelo setor público ou privado. Nosso maior desafio é aproveitar esse ciclo para criar a estrutura e modelo de financiamento que torne novamente o Flamengo a maior potência olímpica do Brasil, sem depender de outras receitas do clube. O caminho é duro, mas juntos conseguiremos!

Galera rubro-negra, nosso muito obrigado e parabéns a todos por serem protagonistas de todas essas conquistas. Vamos continuar sonhando e trabalhando muito, são mais de mil atletas competindo e lutando pelo Flamengo diariamente.  Quanto ao basquete, o “Orgulho da Nação”, compromisso marcado com a final do Mundial em setembro e para toda a temporada mais importante da história do esporte no Flamengo. Contamos com todos nessa luta!

Abraços,                                                                                                                                      

Alexandre Póvoa
VP de Esportes Olímpicos