terça-feira, 29 de julho de 2008

Análise Perfeita: Faltam 23 rodadas para o fim

Após a quarta rodada seguida sem vitória, tornou-se evidente que o Flamengo gastou a gordura acumulada nas onze primeiras rodadas da competição. Note-se que a gordura serve justamente para isso: ser campeão com 1 ou 10 pontos de vantagem significa exatamente a mesma coisa, e é improvável que um clube consiga uma campanha sem sobressaltos em 38 jogos com alto grau de dificuldade como no Brasileiro. Contudo, eliminada a gordura (que nenhum outro clube tem), o Flamengo ingressa em uma nova fase da competição, de dez rodadas em que enfrentará os 6 adversários mais duros do campeonato (Palmeiras, Cruzeiro, Grêmio, Inter, Fluminense e São Paulo), além de jogos na Vila Belmiro, Orlando Scarpelli e Serra Dourada.

São dez rodadas em que o padrão exigido para o título(média de dois pontos por jogo) dificilmente será alcançado pelo Fla, razão pela qual a disputa aqui será para se manter relativamente próximo do ponteiro até a 25ª rodada, momento em que a tabela do Flamengo será a mais tranqüila em relação aos demais, permitindo eventual aproximação e ultrapassagens.
Tendo sido estabelecido que a disputa do Flamengo é mais psicológica/técnica que com a tabela, deve-se dizer que a tal sequencia negra não precisa ser vista como dez jogos de sofrimento e ranger de dentes. É perceptível que as dez rodadas, para nós, podem ser divididas em dois blocos: o das 4 restantes do primeiro turno e o das 6 iniciais do returno. No primeiro bloco (Palmeiras-F, Cruzeiro-C, Goiás-F e AtléticoPR-C) é possível que o Flamengo obtenha pontuação de líder (8 pontos nos 4 jogos), especialmente se considerarmos que o Serra Dourada normalmente é campo neutro em jogos contra o Goiás. O Flamengo pode, se voltar ao padrão de jogo anterior, escapar bem do primeiro trecho da sequencia, especialmente se arrancar alguma coisa do Parque Antártica. Contudo, por se tratar de confronto direto em casa, o jogo mais importante e comprometedor é o do domingo contra o Cruzeiro.

A liderança do GRÊMIO não é algo que deva tirar o sono do torcedor nesses momentos difíceis. O tricolor gaúcho é o melhor adversário a se perseguir neste trecho, por duas razões muito simples: a) só existe um jogo Fla x Grêmio, e ele é no Maracanã; e b) o Grêmio deverá jogar, no returno, todos os confrontos diretos fora do Olímpico, exceto o do São Paulo. Ou seja: a diferença de 1 ponto entre os dois clubes é irrelevante se considerado que a tabela do returno será duríssima para as pretensões gaúchas.

O embolamento da competição é inédito em nossa história e deve ser melhor esclarecido: existe uma disputa inédita pelo título, com entre 5 e 7 reais postulantes. Contudo, note-se que o líder não apresenta sequer 2 pontos por jogo de pontuação (29 pontos em 15 jogos), o que nos leva à seguinte conclusão: adversários à parte, o ritmo de campeão continua dentro da média tradicional, com a projeção final de 74 pontos para o título mantida. O título ficou mais difícil porque o Flamengo perdeu o ritmo, e não porque os rivais melhoraram.

O que pode ser realmente inédito é uma disputa acirrada pela Libertadores simultânea a do título: 3 pontos separam o líder do quinto colocado, que sequer chegaria à Copa. É claro que a tendência é de distanciamento, na medida em que mais pontos vão sendo distribuídos, mas a proximidade dos clubes é algo que já chama a atenção. Não se pode, contudo, simplesmente jogar a previsão da Libertadores para uma pontuação próxima aos 70 pontos pelo seguinte: a conta tende a cair quando ficar evidente que alguns clubes não chegarão ao título; e também cairá quando o número de empates voltar ao normal (tivemos somente 6 empates nas últimas 4 rodadas, o que gera um aumento generalizado de pontos).

Além do já citado Grêmio, o adversário a ser batido na reta final do turno é o SÃO PAULO. Este leva mais perigo que os gaúchos no geral, pois só tem um confronto conosco, e no Morumbi, e tem tabela acessível para ser até campeão do primeiro turno: Figueirense e Flu fora, e Goiás e Vasco em casa. Note-se que o tricolor não fez nada de extraordinário para voltar à briga, o o que ocorreu foi uma redução do ritmo forte antes mantido pelo Fla: tivesse o Flamengo conseguido suportar o ritmo inicial até agora, estaria com 35 pontos e a nove dos paulistas.

O PALMEIRAS tem o confronto direto que é vital: eis aqui a situação em que o empate é bom resultado, pois os adversários do resto do turno são acessíveis: Ipatinga e Botafogo fora, Vitória em casa. Se não permitirmos a ultrapassagem na quarta, provavelmente os paulistas serão mantidos a alguma distância por mais tempo. Já o CRUZEIRO recebe Inter e Náutico, sai contra a Lusa e tem jogo-chave no Maracanã; jogo chave para os dois, pois eventual derrota no Parque Antártica pode até tirar o Fla do G4, deixando o jogo de domingo com cara de decisão para ambos. Vencendo o Cruzeiro, problemas afastados.

O campeão do turno deverá chegar aos 36 pontos, alcançáveis pelo Fla, mas bem possíveis para Grêmio, São Paulo e Palmeiras; a pontuação para a Libertadores sobe para os 64 pontos com leve tendência de alta.

Com o empate de domingo, o confronto direto contra o Botafogo em Brasileiros permanece inalterado, com 14 vitórias, 8 derrotas e 16 empates.

Em relação à média inglesa, mais que suficiente para o título (vitória em casa, empate fora e 2 pontos por jogo neutro), o Fla está com -3. A projeção atual, a propósito, aponta que o título virá com média inglesa – 4. Nenhum clube conseguiu manter a média inglesa até o momento, sendo o melhor colocado o Grêmio com -2. Em relação à campanha do ano passado, estamos equivalentes.

COPAS – Como já mencionado, a Libertadores é objetivo que se alcança com 64 pontos, 32 por turno. Mesmo com a campanha bastante irregular, o INTERNACIONAL se avizinha da disputa com seus 22 pontos e bons reforços. Note-se que mesmos os vários tropeços do Fla e Grêmio não foram suficientes para que o colorado chegasse a lutar pelo título, mas a distância já foi reduzida de -12 para -7. Mas tem 3 jogos duros em sequência e provavelmente a distância aumentará. O FLUMINENSE, por outro lado, está virtualmente eliminado da Libertadores 2009, pois necessita de 51 pontos em 69 possíveis, campanha bem superior à de um campeão brasileiro.

O VITÓRIA mantém sua improvável corrida, estando no limite do G4, mas tem dois duros jogos fora de casa contra Grêmio e Palmeiras e deve se distanciar do grupo.

Já a Sulamericana é objetivo cada vez mais próximo de todos por uma razão muito simples: com a disputa mais acirrada na parte de cima, sobram menos pontos para a parte baixa da tabela. Os classificados para a Sulamericana normalmente fazem 1.4 pontos por jogo; hoje o último classificado teria 1.2 pontos por jogo (Atlético MG, 18 pontos em 15 jogos). Os números não deverão ser mantidos até o final nesse patamar tão baixo, mas a pontuação atualmente para a Copa é de 50 pontos.

REBAIXAMENTO – Esta é, tradicionalmente, a disputa mais imprevisível porque, em razão da pontuação baixa de todos, uma sequencia de 2 ou 3 vitórias realmente faz muita diferença (vide o exemplo do Goiás). 1.1 pontos por partida seria a salvação hoje, mas a conta normalmente aumenta na reta final, estando mantida nos 42 pontos. O que se nota, todavia, é um distanciamento de um bloco de clubes, incluindo o Fluminense, perto do Z4. Portuguesa, Atlético MG e mesmo o Vasco já se desgarram do pelotão de cima e adicionam mais dramatismo à disputa. Para se salvar, por exemplo, o Santos precisará fazer campanha como a do Sport nas 23 rodadas seguintes do campeonato, e tem uma dura sequencia na reta final do turno (Inter e Náutico fora, Coritiba e Galo em casa).

Tendo iniciado o ano na nona colocação (era a pior desde 1973), o Flamengo é hoje o sétimo colocado no ranking histórico dos Brasileiros, com 1261 pontos ganhos, 4 à frente do Atlético MG e 3 à frente do Palmeiras. O quinto é o Vasco, com 1282, a +21; o sexto é o Corinthians com 1278, a +17 mas que não pontuará este ano e provavelmente será ultrapassado.

Contra o Palmeiras, o Fla tem desvantagem que pode ser igualada esse ano em Brasileiros: são 12 vitórias e 14 derrotas. No geral, são 34 vitórias e 38 derrotas. Confrontos importantes na história foram os dois na campanha vitoriosa do Rio- SP de 1961 (3x2 e 3x1), a semifinal da Copa do Brasil de 1997 (2x0 e 1x0), a dramática eliminação nas quartas da Copa do Brasil 1999 (2x1 e 2x4, com 3 gols nos últimos 15 minutos), o título da Mercosul 2001 (4x3 no Maracanã em obras e 3x3 em SP, gol decisivo de Lê), a semifinal da Copa dos Campeões 2000 (2x1, 0x1 e derrota nos pênaltis), além das batalhas contra o rebaixamento em 2001 (2x0 na última rodada, em Juiz de Fora), 2002 (1x1 no Parque Antártica que praticamente rebaixou o rival), 2004 (2x1 Fla) e 2005 (1x0 Fla).

Ano passado, 2x1 Palmeiras no Parque Antártica.

O Flamengo nunca havia liderado na história dos pontos corridos e liderou por dez rodadas esse ano. Está há vinte rodadas seguidas na zona de libertadores, mas pode sair dela se não vencer na quarta e com combinação de resultados.

Faltam 46 pontos para o título (média de 2 por jogo), 36 para a Libertadores (1.57 por jogo), 22 pontos para a Sulamericana (0.95 por jogo) e 14 pontos para a Série A 2009 (média de 0.60 por jogo). A campanha atual do Flamengo é de 1.86 por jogo.
O Fla já conquistou 38% do hexa, 43% da vaga para a Libertadores 2009, 56% da sulamericana 2009 e 66% da permanência na Serie A.

Por: Marcus Talamasca

3 comentários:

Vitor Boêmio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vitor Boêmio disse...

Sempre perfeitas mesmo. Parabéns...

Jogo Aberto disse...

flamengo tem q ser hexa esse ano.
o seu blg esta muito maneiro.